Retorno

by Dora

Sonhos estranhos durante todo o mês de janeiro. Fico imaginando se isso acontece apenas comigo. Antes meus sonhos me agradavam, gostava de descrevê-los aqui, em detalhes. Mas os sonhos deste mês tem me colocado em um estado de pânico o qual não reconheço, nunca vivenciei. Não são exatamente pesadelos, mas desgosto deles assim que acordo. São fortes ao ponto de eu acreditar que não coisas que eu não deveria sonhar, como se em certas coisas não se pudesse mexer. Já fiz isso por muito tempo e agora eu achava que tivesse mudado, mas pelo visto não. O que me assusta é que não tenho me expressado, em absoluto, acerca desses sonhos. Nem aqui, nem nos diários escritos à mão, nem em rabiscos, desenhos, de forma alguma, nada. Assim que acordo meu único desejo é esquecê-los imediatamente e seguir com a minha vida, agir durante o dia para que tudo o que meu inconsciente me proporcionou não me sufoque.

Talvez seja isso o que sempre fiz pra sobreviver e eu tinha me esquecido. Talvez o fato de esquecer-se salve muitas coisas e acabe por transformar outras. Talvez lembrar-se e registrar acabe, na verdade, fazendo com que tudo seja esquecido de uma forma estranhamente mais definitiva. Sonhei que ele me olhava com calma e ria de mim, humilhava o que eu sentia, dizia que não me amava e não me queria mais em definitivo. Que viveria com outra pessoa, pois era ela a quem amava de fato. O que me chocou na verdade não foi o sonho, foi ter acordado e entendido isso como verdade. Foi não ter nem ao menos sentido tristeza. Foi ter tido uma compreensão irreparável, uma generosidade profunda e atroz de imaginar que “tudo bem, a vida é assim mesmo, não há nada a ser feito”. E não há mesmo. Esse foi o primeiro sonho do ano.

O sonho de hoje foi mais curioso, eles eram meus professores e me davam dicas de como viver uma boa vida. E eu aceitava, passivamente, sem contestar, sem nenhum ataque a nada. Depois disso me deram uma carona até a minha casa (?) em um avião pequeno, como se fossem amigos de longa data. Não são e nem serão. Apenas achei o sonho um pouco engraçado, pois sei que essas são pessoas que não tem muita idéia do que seja vida, de verdade.

Acho que retornei para o lugar de onde jamais deveria ter saído.