Carência
by Dora
Metrô, por volta das 18h. Rush Hour, hora da pressa. Todos os espaços lotados, pessoas indo e vindo, voltando pra casa, se encontrando pro happy hour. Há quem se sinta solitário em meio à multidão. Me sentia antes, mas faz algum tempo não me sinto mais. Agora sinto que sou a multidão (… porque somos muitos, etc.). Saí do metrô e segui a multidão… Pro lado errado. Ok, voltei e fui pro lado certo: ainda multidão. De repente, um ataque de espirros. Três seguidos. Pensei “essas pessoas devem estar me odiando de certo por pensar que estou passando algum tipo de vírus pra elas”. Pensamento seguinte: “foda-se”. Faz algum tempo que não enxergo direito e a única coisa que via era a multidão subindo as infinitas escadas rolantes e não rolantes. No entanto, logo após meus pensamentos e assim que terminei meu terceiro espirro ouço um “Saúde!”, masculino, bastante enérgico pra um fim de tarde de quarta-feira. Não tive tempo de agradecer, pois a multidão me levou, escada rolante acima. Não vi nem sequer o rosto do moço. Não vi quem era, mas me senti profundamente amada.