Como parar de roer unhas?

2009 maio 28

PIC_6333Em fevereiro do ano passado raspei a cabeça por que eu não aguentava mais a forma que eu tratava meu cabelo. Ele já tava todo fodido mesmo e começar do zero foi uma opção razoável, uma vez que não tinha outra que consertasse os estragos que fiz nele durante anos. Mas raspar a cabeça não foi uma decisão precipitada, foi tudo bem premeditado, eu queria aquilo, queria passar pela experiência e foi uma época boa pois eu estava muito segura de mim mesma. Hoje acho que não faria a mesma coisa. Mas nada/ninguém em específico me motivou a raspar a cabeça, apenas minha própria vontade. Não tive nenhuma motivação imediata pra isso, só uma a longo prazo (faz 1 ano e 4 meses que raspei a cabeça) que foi voltar a ter um cabelo bem cuidado, forte, natural e bonito. E isso eu consegui, sem esforço nenhum e sem gastar um puto com salão, nem nada. Só com shampoos bons.

Mas não adianta: só aprendemos a mudar alguma coisa (qualquer coisa) em nós mesmos quando nos constrangemos o suficiente. E essa é a única verdade que eu conheço até hoje.

Com as minhas unhas o caso foi diferente. Sempre roí unha desde que me conheço por gente e nunca houve nada, nem ninguém que me fizesse parar. Minha mãe sempre me levava na manicure, mas não tinha muito jeito.. Não passava uma semana sem roer as unhas. Sempre que ficava ansiosa com qualquer coisa, piorava: roía até a carne. Mas no começo desse ano dois acontecimentos me revoltaram bastante comigo mesma. Não adianta: raiva, ódio e constrangimento são os únicos sentimentos desse mundo que me movem. Mas só me movem quando eu os sinto por mim mesma, nunca pelos outros.

Se não me falha a memória esses acontecimentos ocorreram num espaço curtíssimo de tempo, com diferença de 1 ou 2 dias de um para outro.

O primeiro acontecimento:

Meus pais viajaram e deixaram eu e minha irmã em casa. Nós dividíamos os afazeres da casa, que era basicamente lavar e secar louça. Nunca tive problemas com isso (lavar louça, afazeres de casa em geral) mesmo por que, nunca tive unhas: fato. Não me importava com o fato de não ter unhas, sempre fui assim mesmo e sempre lavei louça sem maiores problemas… Enfim. O problema é que eu lavava a louça, minha irmã esperava elas secarem (e não as secava) e depois, quando e se ela quisesse, ela guardava as louças… Ou seja, ela não fazia porra nenhuma e o trabalho ficava todo pra mim, independente de qualquer coisa. Por dois dias eu não reclamei. No terceiro eu avisei a ela que não iria lavar a louça por que já tinha feito aquilo por dois dias e nós precisávamos dividir as tarefas. O argumento dela?

Eu não posso lavar louça por que tenho unhas compridas, vou no salão toda a semana e pago uma fortuna pra manter minhas unhas bonitas. Você rói unha e não se importa mesmo com isso, então lave louça você.

O que eu fiz? Lavei toda a louça. Todos os dias. Até o fim das férias, que foi quando ela e meus pais foram embora. E guardei aquelas palavras dela pra mim. E elas estão muito bem guardadas.

O segundo acontecimento:

Saí com um conhecido pra jogar sinuca com unhas horríveis. Acho que não preciso dizer mais nada, a frase por si só explica tudo. Sei que não deveria, mas me senti constrangida. Bastante constrangida.

-

Então a partir do dia 10 de fevereiro de 2009 eu DECIDI parar de roer unhas de uma vez por todas. E isso já dura 4 meses. Comprei creme para as mãos e unhas, uma base com vitaminas e vários esmaltes (vermelhos, escuros e só um clarinho) e agora vou na manicure mensalmente por que eu não sei fazer as unhas direito (gosto delas quadradinhas). Não foi fácil. Como no início minhas unhas estavam muito fracas (por que por toda vida eu as roí), elas quebraram várias vezes e foi difícil mantê-las bem e principalmente ficar sem roer. Mas eu lembrava da cara de ironia da minha irmã e da sinuca, passava uma lixa, uma base e não colocava a mão na boca. “Uma hora cresce de novo”, eu pensava. E elas cresceram mesmo.

Uma nota curiosa: mesmo com unhas compridas, continuo lavando louça e fazendo as coisas de casa sem problema nenhum. Uma coisa não impede a outra e eu sou a prova viva disso. Se acho que minhas unhas podem estragar, nada que uma luva amarela não resolva. E sim, claro, não vejo a hora de contar sobre essa minha experiência à minha irmã. Gostaria muito de ver a reação dela e de ouvir qual será a desculpa dela desta vez.

E eu nunca pedi isso pra leitor nenhum, mesmo por que não me importo com quem lê isso aqui, mas hoje eu vou pedir pra quem lê: por favor, não me levem a mal. Eu nunca me vingo. E também não guardo mágoa. Não me vingo por que sou incompetente demais pra isso e não sinto rancor por que percebi que não posso extrair nada de proveitoso disso. Mas com certeza eu sempre serei infinitamente curiosa acerca das reações das pessoas, de como elas lembram das coisas (por mais que eu não lembre) e lidam com as situações, por mais bobas que aparentemente sejam.

Hoje em dia o ato de roer unhas me parece muito nojento. Desacostumei de tal forma que não me imagino mais roendo unha. Já tava na hora né? Vinte cinco anos na cara e com mãos e unhas horríveis.. Mas nunca é tarde pra aprender nada nessa vida. Se não se aprende por bem, se aprende por mal. Ainda bem.