Necessidades imbecis
As pessoas têm disso. Tenho mais do que o comum. Agora mesmo, a necessidade de ficar sozinha. Em qualquer outro momento, um carinho (sincero). Um olhar, algum interesse. Algumas mordidas. E o desprezo. Também necessito de desprezo pois, ao que tudo indica, é isso o que me move de uma forma muito, muito estranha. E as coisas teimam em nunca acontecer na quantidade certa. Nem pra mim, nem pra ninguém.
É sempre pouco demais, ou sempre em excesso. Mas a verdade é que equilíbrio demais também enche o saco, eventualmente. E isso é assim com todo mundo.
Às vezes penso que decidi me tornar uma eterna insatisfeita. E essa inquietude aumenta em mim de acordo com os anos. Aí dizem que ela é destemida, insaciável, incansável. Mas isso tudo é ilusório e mentiroso, uma vez que ela é uma pessoa extremamente insatisfeita com tudo o que a vida oferece. São palavras duras, mas verdadeiras. Sad but true.
Quando não há base e não há firmamento, as coisas passam por ela e ela não passa por nada, não sente nada, não vive nada. É uma vida fabricada, de plástico. São tantas paixões impensadas, repetidas, tantos amores iguais, todas as fotografias do mundo, todas as ideologias e lutas, todas as drogas do mundo…
E essas coisas não a saciam. Nada parece ser o suficiente.
Por que na realidade não são suficientes.
Não há teto e não há chão.
Não existem parametros, não existe vida. Existe apenas uma pessoa que vegeta sem saber, numa vida de excessos que mascara algo vazio e sem significado.
Ainda assim, precisamos dessas necessidades bestas. E isso é um tanto quanto melancólico. Teve uma época (e se não me engano, até hoje) que era muito glamuroso não ter satisfação com nada. I can’t get no satisfaction...
Mas sinto que isso não é pra mim.
Mas só sentir não resolve muita coisa.