A dor faz parte da coisa toda… O negócio é ter paciência, senão você acaba se tornando algo que você não é. Bem como no livro do Kafka, ‘A metamorfose’. As pessoas me parecem tão desesperadas com o profundo tédio, vazio e falta de significado que existe em suas vidas, que agora elas aceitam tudo o que acham que parece bom: veganismo, ioga, alcoólatras anônimos, academias de boçais, whatever… Tem gente que acredita mesmo que, desistir de tudo, de todos os vícios, de toda sua a vida/personalidade pode “melhorar a vida” de alguma forma. Eu não acredito nisso.
Não acho necessário abrir mão de todas as coisas em nome de um “bem” maior que não existe, é ilusório. Mudar radicalmente seu comportamento perante algumas coisas não vai fazer com que seus problemas (e vícios cultivados por anos e anos) simplesmente desapareçam. E também, certamente, não vai te fazer uma pessoa mais feliz, em nenhum sentido. Algumas coisas não mudam e não têm solução e as pessoas têm muita dificuldade em aceitar isso. Se a sua vida é estragada desde o começo, as coisas se tornam ainda mais difíceis.
E mesmo que você mude, às vezes o máximo que você vai conseguir é uma forma diferente de vida. Só isso. As suas fraquezas, covardias, medos… Continuarão os mesmos. A sua condição, humana, também… Ou seja… Isso é palhaçada. É preciso ter fé e acreditar, nas coisas certas. É preciso ter foco no que é tangente. É preciso ater-se ao que é real. Todas as coisas são construídas por nós, mas algumas são mais acessíveis e sensatas. De qualquer forma, o mundo seria um lugar muito chato e tedioso se todo mundo fosse sensato. Mas é bom furar a bolha das pessoas vez e outra.
Ele me disse, no msn: “Os fatos todos pertencem ao problema a ser resolvido e não à sua solução” (Witt, minha frase favorita). E tem o complemento: “A solução do problema da vida nós a percebemos em seu desaparecimento”, em miúdos: a gente sai dessas condições que estão aí quando a gente morre e só”.