Cobrindo a pele

2008 Outubro 16

Hoje estava vendo fotologs de tatuagem quando me deparo com a seguinte opinião:

Campanha – Não ao cover up!

Se todos os tatuadores profissionais resolvessem não mais cobrir as merdas que fazem por aí, as pessoas pensariam melhor antes de entregar suas peles para qualquer um que simplesmente, resolveu tatuar a troco de: zoeira, dinheiro ou qualquer outro motivo insustentável.

Todos nós começamos a tatuar em algum momento e não sabiamos o quanto sabemos agora, mas o critério e a razão para se virar tatuador, hoje em dia, estão tão medíocres que chega a causar tristeza. Uma máquina, um borrifador e um fotolog são suficientes para criar milhares de parasitas.

Tatuagem é permanente e influencia na vida das pessoas, positivamente ou negativamente, tem gente que não se importa com isso, sabendo que no final das contas, sairá ileso. Sobra para os profissionais, cobrir um quantidade cada vez maior de podreiras. Se não existisse a cobertura, fundamentaria mais ainda a sua permanência.

O que vocês acham?

Do fotolog /_marcos_ribeiro. Respondi de imediato:

Li o seu post que você fez dia 30/06 sobre covers de tatuagens e, apesar de entender o seu desabafo, não concordo com a campanha anti-covers. Não sou tatuadora, nem nada e talvez minha opinião não tenha muita validade, mas amo tatuagens e já cobri dois desenhos que fiz. Ainda cobrirei mais um daqui algum tempo e não acho que isso seja, necessariamente, questão de ignorância.

Não julgo nem as pessoas que fazem covers e nem os tatuadores que fazem isso por um motivo muito simples: seres humanos são complexos e imprevisíveis e é impossível querer que todas as pessoas pensem, sintam e ajam da mesma forma.

Nós erramos e deixamos de errar, temos consciência e fazemos as coisas por impulso e é isso o que nos faz ser quem e o que somos.

Não há certo e errado e ficar criando “moralismos” e “purismos” pra todas as coisas é um ato de extremismo desnecessário. Ainda acho muito radical a opinião de que “nenhum tatuador deveria mais fazer covers”, mas acredito que o debate sim, seja necessário.

Abraços.

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Esse protesto anti-covers que o Marcos escreveu me fez pensar nos porquês das minhas tatuagens. Ok, não das minhas tatuagens em si, mas sim em “por que as faço?”. Fiz minha primeira tatuagem com 18 anos e depois, outras se seguiram. Mas quando fiz a primeira, eu sabia que esse era um caminho sem volta. Eu sabia que, depois da primeira, seria difícil que não se seguissem outras.

Hoje, mesmo depois de já ter feito cover de 3 desenhos, ainda faço tatuagens novas e, por falta de palavras melhores, ainda gosto muito disso. Todas as vezes que vou fazer uma tatuagem fico ansiosa e nervosa, e sempre me faço a mesma pergunta depois da primeira agulhada: “Por que eu faço isso? Por que estou fazendo isso?”. Ser tatuada, querendo ou não, me trás mais desvantagens do que o contrário. É um processo dolorido, depois disso é preciso de uma boa dose de cuidados pra que a tatuagem fique bem,  e quando cicatriza, mesmo que fique muito bonito, ainda temos que lidar com o preconceito que as pessoas têm (não adianta negar) pelo fato de você ser tatuada. Pessoas até mesmo da sua família.

Por que então eu continuaria a fazer isso, repetidamente, comigo mesma?

A resposta nunca é simples. O mais próximo que consegui chegar de algo que se assemelhe com uma resposta consistente não foi suficiente. Me pareceu muito rasa, mas ainda assim é tudo o que posso afirmar com certeza: faço tatuagens por que essa é minha arte, é a forma com que eu me expresso, por que gosto muito, por que isso me realiza e me deixa feliz. Algumas pessoas cantam, outras dançam, fazem esculturas, pintam quadros, compõem música. Eu faço tatuagens. Não sei explicar como nem por quê (ninguém da minha família é tatuado e ninguém nunca “me ensinou” a gostar disso). Gosto por que gosto, “por que sim”, e é assim que funciona. Gosto de padrões, de desenhos, de recriar desenhos, de ter idéias, do ritual, das marcas, dos cuidados, de tudo. Não sei por que isso acontece, mas acontece.

Não quero precisar ter de comprovar, nem de provar nada pra ninguém nesse sentido.
Apenas quero fazer o que gosto.
É isso.

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As imagens deste post foram retiradas do fotolog do /_marcos_ribeiro