Amores partidos
I.
O melhor que podemos aproveitar do amor é a superficialidade. É difícil acreditar na existência de um amor perene, pelo menos pra mim. Eu olhava pra eles e achava que fosse ser pra sempre. A anulação de ambos. A carência dela. A independência dele. Pensei algo como “Ok, se já passou tanto tempo e eles superaram tantos problemas é capaz de que fiquem juntos mesmo. Pra sempre”. Eu estava enganada. De qualquer forma, nenhum dos dois assume o que não existe mais. Nenhum dos dois assume o relacionamento desgastado, a coisa que já não é mais a mesma. Continuam aparentemene “juntos” por segurança e comodidade. Não sei o que é pior, mesmo.
II.
O que a gente faz com alguém que está perdido? O deixa assim ou o faz “achar o caminho”? Eu nunca mais vou ajudar ninguém na minha vida, ser mãe de ninguém. O que fazer se a pessoa não sabe o que sente, quando sente e nem por quê sente? Não há o que ser feito. Não há como mudar a mente de uma pessoa. De nada adianta ser nômade se você não está bem consigo mesmo (a)? Você não ficará bem em lugar algum, com relacionamento algum. E aí sim as coisas realmente não passarão da superficialidade. E você se apaixonará por pessoas que não sentem absolutamente nada por você. E elas te desprezarão. Ou ainda te tratarão como amigo, irmão, e não passará muito disso. É preciso se dar valor e atentar para a realidade.
III.
Não gosto de pessoas que mudam radicalmente por causa de relacionamentos. Não tenho paciência. A coisa fica pior ainda quando a pessoa SE DESVIRTUA por causa de outra pessoa. Isso beira o INADMISSÍVEL quando se trata de ambiente de trabalho. E tudo o que a pessoa faz é FALAR sobre o relacionamento, e de como ele vai mal, e de como ela não aguenta mais e de como “não vai ficar assim” e assim sucessivamente. É INSUPORTÁVEL. Se em menos de uma semana a pessoa já está reclamando de tudo, como é que ela pode querer que eu ACREDITE que vai ser pra sempre? E de que é o HOMEM DA VIDA dela? Sendo que ele a trata como lixo? Sinto muito… Pode até ser. Mas eu já o odeio por ele te deixar desse jeito: antinatural.
IV.
Ela sabia que não seria pra sempre, embora desejasse que fosse. Ela queria confiar. Ela queria ser boazinha, compreensiva. Mas sabia por dentro que estava agindo errado. Sabia que o que ela pensava ser um compromisso sério era apenas uma brincadeira (pra ele). Sabia que o que sentia poderia não ser recíproco na mesma intensidade. Ela sabe o que quer da vida, o que pretende fazer, enquanto ele ainda está pensando, é dependente, não tem muita noção e talvez – eu disse talvez – continuará assim por algum tempo. Ela não queria ser “a mãe” do relacionamento. Mas o pior de tudo é que ela gostava dele, de verdade. Esse é o tipo de coisa que dói meu coração de ter de observar. Mas se não dá certo hoje, não é amanhã ou depois que vai dar.
V.
É realmente horrível ver um homem arrasado por causa do fim de um relacionamento. Eu me recuso a consolar mulheres por que acredito que elas precisam ser fortes. Agora homens são inconsoláveis por vários outros motivos. É um misto de vergonha com dó. Eu também achava que fosse pra sempre. Mas aí pensei, olhei de novo e percebi que talvez – talvez – a menina tenha enchido o saco de ter um namorado com cara de homem e mentalidade de criança. Não adianta, digam o que quiserem: mulher não gosta de homem infantil, inseguro, perdido. Nenhuma de nós quer um cara assim. Tudo bem que homens são crianças até a velhice, mas as atitudes de homem estão nos pequenos detalhes. Imagino que tenha sido isso que resultou no fim.
VI.
Ela veio me dizer, toda contente esses dias, que o alarme de perigo está soando e ela finge que não está ouvindo. Isso é muito terrível e já aconteceu comigo. Não recomendo. O triste disso tudo é que ela parece feliz, animada e satisfeita. Não quero estar perto quando ela perceber a não-reciprocidade. Isso meio que me constrange e eu não tenho nem o que dizer pra pessoa. Me limito a dizer “não vou lhe dar os parabéns por que sou uma pessoa profundamente amargurada e desiludida nesse aspecto”. É um filme que já vi muitas vezes e entendo como termina, e acho os porquês bizarros, mesmo por que não existem por quês consistentes. Por que não. Ninguém que você ama vai te dizer as verdades que você precisa ouvir. Nunca.
VII.
É muito estranho quando você simplesmente SABE que as coisas não funcionam, mas você SE FORÇA a acreditar que está tudo bem, mesmo quando OBVIAMENTE NÃO ESTÁ. Aí quando é preciso, quando a coisa toda chega a limites insustentáveis, sentam, conversam e decidem que é melhor não continuar assim. E então, simplesmente desaparecem com tudo, com todo o passado, com tudo o que já existiu entre eles. Não dão satisfação aos amigos, nem nada, simplemente desaparecem do mapa, como se nunca se conhecessem, como se nunca tivessem existido. Acho esse comportamento bem bizarro. A primeira coisa que me vem em mente é o saudosismo tosco que fica depois.
VIII.
Não gosto de ser sacaneada. Não gosto que me façam esperar. Dei um troco bem trocado e disse não. Vesti minha melhor roupinha, ajeitei meu cabelinho, botei um perfume e disse não. Deixei que deitasse no meu colo, que me fizesse caras e bocas. Disse não. Quis cafuné. Parou e ficou me olhando. Queria que eu o olhasse nos olhos. Não olhei, desprezei. Não por que posso, mas por que ele é comprometido. E ele sabe disso. E eu sei mais ainda. E não existem desculpas pra isso. “Eu sei que eu não presto” não é o suficiente pra me fazer ceder. Não tenho nada a ver com isso. Eu sei que presto o suficiente, logo, ficarei na minha. É preciso saber dizer não… Sempre. Em alto e bom som.
IX.
Ninguém é salvação de ninguém. Isso é insanidade. Não inicie um relacionamento apenas pelo fato de a pessoa te fazer melhor por que quando tudo acabar você ficará pior do que antes (para o bem ou para o mal). Não use ninguém como muleta para problemas que são seus: isso não é certo e nem justo. Não viva de fantasias, atente-se à realidade, acredite nela, ENXERGUE-A. Qualquer coisa fora disso é ilusória, não é real e pode fazer sofrer com muita facilidade. Gente que não sabe usar e exercer a felicidade me entedia. Gente que não compartilha, mas apenas age como parasita. As coisas não funcionam assim e acho que essa não é a primeira vez que digo isso. Não brinque comigo. Não há graça nenhuma das suas brincadeiras.
X.
Existem pessoas que idealizam outras pro resto da vida sem se dar conta disso. E isso é meio ridículo por que só quem tá de fora consegue enxergar, mas a pessoa (e o outro, idealizado) não. E quando você aponta, acham que é bobagem sua, exagero seu, coisa da sua cabeça, etc. Isso é meio incômodo. Falam de histórias que nem existe mais, relembram de coisas que já se foram. Mas os olhos dele… Aqueles olhos só ficam daquele jeito pra ela. Não é loucura da minha cabeça, não é inveja, não é ciúmes. Basta observar, por que é muito mais do que óbvio. O jeito, a ternura do saudosismo com que ele lembra de tudo. E no final, só pra não deixar por isso mesmo, diz que hoje nada mais é assim e que ele já esqueceu tudo mesmo. Ahan.