Sobre mim
Não me envergonho mais de admitir que sou sonhadora e idealista, apesar de acreditar, também, que perfeição não existe. Sou essencialmente contraditória, mas aprendi também que não devo ficar me desculpando o tempo todo por isso, nunca, por mais idiotas que pareçam meus sonhos e desejos. Quero poder viver em paz (comigo mesma), ajudar algumas pessoas com o meu trabalho e, algum dia, viajar por aí com uma mochila nas costas, sozinha. Ou talvez não. Talvez apareça um cara, mas particularmente ando bem cética quanto a isso.
Apesar de ser muito comunicativa, não me considero muito carismática, nem influente. Mas, hoje, eu acredito na minha intuição mais do que tudo: isso me dá segurança suficiente. E a maioria das pessoas gosta disso. Então o meu suposto “carisma” é mais uma conseqüência do meu comportamento intuitivo e reservado, do que algo meu mesmo. Enfim, cultivar boa fama é coisa pra quem carece de outras qualidades… Ainda assim não nego mais as coisas que sinto e as demonstro, quase sempre com moderação. Tenho muitos grandes amigos e nenhum melhor amigo. Troquei a auto-piedade por disciplina e tem sido realmente maravilhoso, me transformado de verdade dessa vez.
A vida exige demais de mim, mas não estou exigindo mais dela: quero uma vida leve. E estou buscando por isso com unhas e dentes. Não é nem um pouco fácil e é até engraçado e bastante irônico perceber que toda a leveza do mundo vem mesmo é de uma grande força interior. A partir do dia que decidi viver minha vida com leveza e aceitei isso pra mim mesma, tudo mudou. Procurei deixar as exigências da vida de lado e enxergar só o que realmente preciso ver. Acho que é isso o que acontece com as pessoas que estão realmente cansadas.
Continuo não me importando com religião, mas acho espiritualidade algo importante, apesar de ainda não ter me encaixado direito nesse contexto. Apesar de adorar a natureza, sou bastante urbana com todos os vícios e deleites que uma selva de pedra pode nos trazer. No plano geral, a minha vida é, de fato, uma variação de momentos de anestesia e conhecimento. Gosto de bebidas alcoólicas sem moderação e fumo quando bebo. Sou pacífica, não pacifista. Gosto de simplicidade, mas repudio a mediocridade. Choro quando vejo que não há o que fazer acerca de qualquer coisa, seja ela terrível ou bela.
Justamente por ser incapaz de corar, talvez eu seja a tímida mais descarada que conheço. Meu pecado preferido é a preguiça. Não faço amor: deixo que ele me faça ser o que devo. Não nego minhas palavras, nem meus desejos e talvez, apenas talvez, isso seja muito egoísta da minha parte. E é aí que se encaixa a minha sem-vergonhice. Mas não me importo (mais). Quase sempre sei o que quero, porém, por esses dias não tenho mais tanta certeza assim. Uns me chamam de impulsiva, outros de imediatista. Também já ouvi indecente, imoral, herege, entre ouros adjetivos que não me agradam, nem me irritam. Às vezes minha apatia em relação à quase tudo, deixa algumas pessoas realmente doentes. De qualquer forma estou sempre aberta ao diálogo.
Acima de tudo, sou uma bon vivant incurável, apesar de ser pouco ambiciosa. Descobri que minha felicidade é sempre homeopática (e é até melhor que seja assim) e cabe em vários momentos. Entre pessoas agradáveis, bebendo, conversando sobre qualquer coisa e dentro de um sorriso sincero. No afeto demonstrado, mesmo que singelamente. Na preocupação genuína contida num “Tudo bem com você?”, que raras pessoas perguntam. Gosto de me permitir acreditar em várias coisas: a ingenuidade ainda suaviza a vida. Não tenho mais medo de me perder, pois da última vez que me perdi foi quando finalmente pude dizer “agora sim, estou exatamente onde queria estar…”