A espera
Quando eu olho bem pra cara do passado… Vejo as fotos antigas, vejo como éramos, como tudo era… Chego à plena conclusão de que NADA foi bom o bastante. Que sempre mereci mais que “tudo aquilo” e que a pior parte de tudo foi que eu nunca ME dei o respeito. Me lamento por isso e chego logo a conclusão de que o passado não foi bom mesmo. Tudo era uma merda. Tudo foi uma merda. Eu vivia de migalhas: migalhas de sentimentos, migalhas de prazer, migalhas de amizades, migalhas de consideração.
Tudo isso acabou quando decidi ser sozinha. Opção de vida, simples assim. Hoje tenho o bolo inteiro do NADA, só pra mim. Se vivo mais feliz assim? Não sei ainda, talvez não. Mas substituir auto-piedade por disciplina has made a hell of a change in me, and that’s for sure. Na verdade me olho hoje no espelho e não acho que eu seja assim… Tão diferente. Só não sou a mesma. Estou muito mudada. E essa afirmação me assusta e me admira ao mesmo tempo. Me sinto forte. É isso. Em vários sentidos. E essa sensação é muito boa. Só não sei se é saudável o suficiente.
Mas como eu disse e digo: o passado foi uma merda. Eu CUSPO na cara do passado. Não sou nem um pouco saudosa. Cago pra tudo o que aconteceu, acho uó, por mim nunca mais lembrava, rasgaria todas as fotos, esqueceria todas as pessoas. Ser saudoso é coisa de idoso, eu apenas guardo informações de tudo o que lembro e pra mim é o suficiente. Não faço questão de ficar remoendo porra nenhuma mesmo por que acho tudo um lixo e pra sempre será um lixo. É assim que funciona. É assim que funciona a máquina que é a MÁGOA.
É. Eu ainda sou um passarinho muito pequeno, que não aprendeu a voar nesse sentido.
Quem sabe um dia eu aprendo. Ou não.
Eu só acredito fortemente que pra que o meu futuro seja razoavelmente bom, eu ainda vou ter que mudar MUITO. Não sei exatamente como, nem quando, só sei que eu devo muito fazer isso. Eu devo ser diferente. Agir diferente. Pensar diferente. E o processo vai ser muito lento e doloroso que eu sei. Mas eu quero isso. Anseio por isso. Me sinto preparada pra isso. Vou fazer o que foi possível para o que hoje me é BOM, amanhã ser melhor. Eu espero por isso. Mas não é uma espera impaciente, é uma espera de expectativa. Eu SEI que isso VAI acontecer comigo. É tudo uma questão de tempo.
E um dia, quem sabe, talvez, tudo possa ser… Por um milésimo de segundo que seja, perfeito.
Eu já me daria por satisfeita.
Na verdade eu já me daria por satisfeita só por saber que karma existe de fato e que aqui se faz e aqui se paga. Seria tão bom se assim fosse. Mesmo que levasse ANOS pra isso. Não só comigo: pra todo mundo, pra tudo, pra todos. Pra todas as situações injustas que eu enxergo. Não adianta: eu vou morrer uma idealista imbecil mesmo. Enfim… O passado já morreu. E o futuro a MIM pertence, a ninguém nem nada mais. Gosto muito de acreditar que tudo o que me aconteceu vai ter volta. Sem eu precisar me mexer um centímetro.
…
…
…
Não tenho pressa nenhuma.
Eu espero.
.
Ainda morro disso.
Ué, mas querer q as coisas voltem para as pessoas que te fizeram mal (karma) não é uma forma remoer o passado? Eu acho que quanto mais se pensa no quanto o passado foi uma merda, mais ele se torna presente; é um esforço mental falar mal das coisas. O lance é ser indiferente ao que houve e pensar de hoje em diante.
@Susan: Duas coisas:
1. Não engulo mais esse papinho furréba de “indiferença”.
2. Sou humana, não tenho sangue de barata.
Tente você ser indiferente e seja feliz.
1. Não é papinho furréba. Simplesmente oq não tem solução, solucionado está. Ser indiferente ao passado e esquecê-lo são coisas bem distintas.
2. Também sou humana e tô longe de barata, pelo contrário. Mas to conseguindo ser indiferente e ficar no mínimo em paz com os fantasmas.
3. Pedras nas mãos pra quê?
@Susan:
Muitas pessoas próximas, amigos meus de longa data, pessoas que (aparentemente) se importavam o suficiente comigo tinham o mesmo discurso que você: “live and let die” e a merda toda. Sinto muito em decepcioná-la, mas acredito que não vai ser dessa vez (ainda mais em se tratando de uma desconhecida) que alguém vai mudar meu pensamento.
Também sei que ser indiferente ao passado e esquecê-lo são coisas distintas. Mas ao meu ver a indiferença anda de mãos dadas com a conformidade. E sinto muito se eu não sou quem você gostaria que eu fosse, mas eu me considero muito jovem pra me conformar com as situações de merda que me acontecem/aconteceram. Não me conformo, acho péssimo e simplesmente vivo de forma a evitar que novos acontecimentos desagradáveis me aconteçam.
Perco muita coisa com isso? Talvez. Talvez não. Nunca vou saber. Não quero mais saber.
Dizer que “o que não tem solução, solucionado está” pra absolutamente qualquer problema que se tem preguiça de resolver ou pra qualquer coisa aparentemente impossível de ser resolvida, é algo muito delicado, pois depende do contexto em que a frase está inserida. Às vezes, realmente, nada tem solução mesmo.
Não é o meu caso. Eu tenho solução. E sei que posso ser uma pessoa melhor pra mim mesma.
Outra coisa: bom pra você que você está conseguindo ficar em paz com os “fantasmas”. Quero te deixar bem claro que eu não estou. E acho que nunca estarei. Eu poderia muito bem “esquecer”, “deixar por isso mesmo”, “ser indiferente”. Mas acredito que não é FUGINDO que se resolve um problema, mas sim lutando contra ele (por mais contraditório que isso seja). Decisão pessoal minha. Não se conforma com a minha decisão? Bem…
As pessoas são diferentes: acostume-se ou aniquile-se. Eu não sou igual a você, nem igual a ninguém. Sou pacífica, mas não sou pacifista. Não me vingo, mas sinto mágoa e não perdôo. Essas coisas são parte de mim, da minha personalidade. E algum dia, claro, eu posso mudar… Mas por hora não enxergo as coisas desse modo. Simples assim.
E… “Pedras nas mãos”?? Vem cá… Eu te conheço?
Se a carapuça serviu, ou se o cuspe respingou… Nem vou me lamentar. Quem não quiser, que não leia o post. Só isso.