Ballet Metal

2008 Junho 17

Acho que a maioria das pessoas que me conhecem bem sabem que minha mãe é bailarina e tem uma academia de ballet desde antes de eu me conhecer por gente. Eu fiz ballet – desde o clássico até jazz – até os meus 15 anos. Depois disso, simplesmente enchi o saco, chutei o pau da barraca e nunca mais fiz coisa nenhuma a não ser engordar. Na verdade, foi a partir dos meus 15~16 anos mesmo é que eu comecei a ficar punk e uma coisa foi puxando a outra: punk, rock, metal, “metal extremo” e todos os adjetivos babacas que esse “povo” cria pra tudo que é metal. Por isso hoje eu digo: curti metal por muito tempo.

Não que eu não ouça mais, mas mesmo ouvindo, hoje não é mais a mesma coisa, não existe o mesmo sentimento. Sei lá, acho que passou… Acho que eu tenho mais o que fazer. A maioria dos fãs de metal me parece idiota, pois são muito mente fechada, se comportam como imbecis, se dividem em guetos, odeiam outros estilos e simplesmente não parecem conviver (e também não fazem nenhuma questão disso). Acho tosco, ridículo… Isso não sou eu. Mas enfim, ainda curto metal, ouço em casa, a maioria dos meus amigos curte metal e, querendo ou não, eu estou inserida nesse contexto… E como eu ia dizendo, eu fiz ballet. E ballet e metal não tem NADA a ver um com o outro, certo?!

Errado.

A base do metal, é a música clássica. E ballet foi feito pra ser dançado COM música clássica. Mas isso não é regra. Ainda mais quando se trata de ballet contemporâneo. Toda a vida, em meu íntimo, eu desejei ver pessoas dançando o que fosse (dançando mesmo, não batendo cabeça) ao som de metal. A vida inteira ansiei por ver um espetáculo desses na minha frente: coisa que deixaria a minha mãe de cabelo em pé, chocadíssima. Não critico o que minha mãe produz, sempre achei as coreografias e os espetáculos dela muito lindos, por que ela sabe dosar bem uma boa técnica e uma outra dose de sentimento, e essa harmonia é muito importante em qualquer campo das artes.

No entando ela nunca fez muitas experimentações que fugissem ao que fosse convencional. Ela diz que não, mas a verdade é que ela é uma conservadora/moralista enrustida (e eu sei que estou me tornando a mesma coisa, com o passar dos anos). Ela não se arrisca, não sai dos limites do que considera correto. Ela tem medo, pânico de desagradar o público e por isso a concepção de estética dela é um tanto quanto limitada. Não, não estou dizendo que o que ela produz seja ruim. Nada disso. Mas acredito que poderia ser diferente, sempre pode, quando falamos de “contemporâneo”. Mas tudo bem… Mudando de assunto, eis que, sexta passada no centro, e hoje, agora a pouco aqui na UFSC eu encontro o seguinte cartaz:

Quando eu li as palavras “dança contemporânea” + “heavy metal” eu juro que temi pela minha vida. Ok. Sendo menos dramática, eu fiquei num misto de excitação e medo. Excitação por que é o que eu sempre quis assistir. E medo por que temo que o espetáculo não atenda às minhas expectativas. Sou bem sincera quanto à isso, digo mesmo. Não conheço a Siedler Cia de Dança e nem o Stormental e pra mim, ir nesse espetáculo vai ser um baita tiro no escuro. Mas… A vida é feita de riscos e se você não se arrisca, não pode julgar, nem dizer se é bom ou não, nem vivenciar, ou passar pela de experiência de nada que seja minimamente interessante. Ou não. Enfim. Pra quem não sabe usar o googlemaps, cá está o link pra você saber exatamente onde fica o Teatro Alvaro de Carvalho, que é o lugar onde acontecerá o espetáculo.

Como fã de metal e filha de bailarina, eu praticamente me sinto na obrigação de ir e ver qual é a parada.

Simples assim.


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8 Responses
  1. 2008 Junho 17
    Knor permalink

    E não se esqueça que “contemporâneo” também é um termo MUITO abrangente. Então não se surpreenda se o espetáculo for um grupo dançando uma versão slow motion da dança da garrafa, com máscaras de gás, usando lingeries feitas com couro de bode ao som de “Raining Blood” do Slayer (mas na versão da Tori Amos) revertida e acelerada dentro de baldes gigantes cheios de M&M’s…

  2. 2008 Junho 17
    Dora permalink

    @Knor: UHAHUAUHAHUAHUAHAUHAUHAU… MORRA! Vou rir até acabar o dia agora…

  3. 2008 Junho 17

    Ah, eu já fui metaleira também… essa fase de reclusão no mundo obscuro do metal, talvez seja uma tentativa de se firmar como alguém que faz suas próprias escolhas, que não quer se parecer com os demais. Mas eu estava enveredando caminhos que não eram legais. Eu escutava muito metal gótico, e toda a atmosfera da música é extremamente deprimente. Eu estava ficando deprimida e obscura também. Fui me distanciando (a faculdade me ajudou bastante a abrir a cabeça), e percebi que usar roupas e esmaltes pretos nao significa realmente que você é diferente. Temos que ser diferentes da sociedade hipócrita e comercial por dentro mesmo, não é preciso provar nada para ninguém..
    Então hoje curto outras maneiras de ser alternativa, bem mais livres e leves :P

    Em relação ao Ballet e o Metal, concordo com você, é difícil se arriscar e ser criticado por uma inovação.. temos que nos lembrar também que quase todos os grandes gênios da humanidade foram taxados de loucos, foram criticados e apedrejados… e agora são reverenciados.

  4. 2008 Junho 17

    bom, como eu nunca fui metaleeeeera \,,,/ e minha única experiência com um espetáculo de balé foi “O Grande Circo Místico” – inesquecível, direi – só posso pedir pra vc contar suas impressões depois de assistir essa mistura aí.

  5. 2008 Junho 18

    Ooooown! Fiquei louca pra ver também!

    Também fui bailarina e metaleira e fiquei louca pra ver o que vai rolar nessa para aí…

  6. 2008 Junho 18

    @DrummerChick: Pode deixar que depois da experiência eu relatarei tudo o que senti em detalhes. :D

  7. 2008 Junho 18

    “Aquele que vive de combater um inimigo tem interesse em o deixar com vida.” (Friedrich Nietzsche)

  8. 2008 Junho 18
    Dora permalink

    @kraus: AHN?! wtf?

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