Eu só falo merda
Deitada numa cama-divã nesse final de semana passado eu me confessei. Lembrei do nosso reencontro. Consequentemente também lembrei das coisas que disse quando estávamos juntos sozinhos. E o grande lance é que eu só falei merda. Sério. Fui incapaz de dizer uma coisa agradável que fosse. Vai ver foi isso que assustou meu objeto de desejo. Sim, por que hoje ele não passa disso pra mim. Mesmo. E isso não é pouco. Objetos de desejo não devem se sentir menosprezados, nunca. Mas isso é outro assunto. De qualquer forma, no nosso reencontro e nas nossas conversas tortas ouve um BAD BAD FUCKING TIMING. No donut for you.
Sério.
Tudo o que falei soou falso (até pra mim mesma), algumas coisas provavelmente soaram como contação de vantagem explícita (embora não tenha sido essa a intenção, nunca foi). A sensação que tenho é a de que ele deve me odiar, apesar de eu saber que ele não me odeia. Faz pior: ele é completamente indiferente a mim hoje em dia. E por mim tudo bem, já estou acostumada a ser tratada assim mesmo. E no nosso caso tudo bem também mesmo por que eu não faço mais parte da vida dele. Na verdade, nunca fiz e tenho consciência disso. E como sou terrívelmente sincera comigo mesma digo que saudade eu não sinto tanta (não sinto necessidade de afeto por parte dele) mas o DESEJO ainda existe e é bem forte, apesar de eu me esforçar pra não deixá-lo evidente. Me esforcei pra caramba quando nos reencontramos , pra não deixar evidente em nenhum momento. Acho que tive (muito) sucesso.
Eu fui uma completa idiota.
Não falei pra ele o quanto ele foi importante pra mim. Não o agradeci por tudo, por ser quem ele é. Não falei pra ele que pensei nele por quase 6 meses, diariamente, com carinho. Não disse nada disso e até agora eu não havia pensado no porquê disso, desse meu comportamento.
Eu só falei merda. Acho que é trauma. Acho que estou ficando cada vez mais AMARGA. É isso.
Acho que foi alguma das minhas auto-sabotagens de super-proteção que me impediram de demonstrar qualquer tipo de afetuosidade (e até mesmo sensualidade) mais diretamente. E se… Sei lá…
… Ele risse ou fizesse piada de mim? Do que eu sinto?
… Ele não se importasse? Fingisse que não ouviu? Fizesse pouco caso?
… Ele me dissesse NÃO (de novo)?!
Acho que eu não iria SUPORTAR e ficaria (sem exagero) o resto do ano ARRASADA. Logo, pensando racionalmente (mesmo que inconscientemente), achei melhor “ser escrota” e não me arriscar em território desconhecido (que é o que ele é pra mim hoje em dia). Sim, claro: ele foi muito legal comigo, me deu atenção, foi muito simpático e educado. Mas isso não quer dizer muita coisa. Homem quando quer algo/alguém tem aquele brilho no olhar que é diferente e eu já percebo essas sutilezas hoje em dia. Pode ser ingenuidade, burrice ou puro MEDO da minha parte, mas eu não vi esse brilho nos olhos dele. Na verdade ele parecia até estar um pouco deprimido/abatido, não sei direito. Parecia que quem tinha tomado um fora de alguém dessa vez tinha sido ele. Tive um pressentimento de que a vida afetiva dele não andava das melhores, e aí estava mais um motivo pelo qual eu não deveria interferir.
Eu não só fiquei na minha como construí uma muralha de palavras TOSCAS entre eu e ele. Fiquei inatingível, quando na verdade eu estava mesmo é completamente acessível. As nossas conversas eram TODAS tortas e tudo saía esquisito, as palavras da minha boca saíam esquisitas e teve algumas horas que eu mesma pensava “Puta que me pariu num cacto, eu não acredito que acabei de dizer isso… Por que eu disse isso meu deus, por que?”. Foi surreal. Tudo parecia muito forçado, até mesmo conversas sobre trivialidades. Foi uma MERDA. Uma catástrofe. Mas eu entendo que a vida é longa e dá muitas voltas. Não sei o que ele pensa de mim no momento, mas se eu o conheço ele não deve nem lembrar de mim direito, nem das conversas, nem da minha cara, nem de quem eu sou.
Não sei se agi certo ou não, mas o que acontece é que vários fatores cronológicos, históricos, de espaço, tempo e motivos emocionais, contribuíram consideravelmente pra esse meu comportamento auto-defensivo, paranóico, retraído: e-mails não respondidos, frieza em certas conversas, falta de atenção comigo, etc. Então ao mesmo tempo que me culpo por só ter falado merda, acredito que de qualquer outro jeito o resultado teria sido muito pior. Pessoalmente, eu pude notar as sutilezas de forma mais eficaz e agir de acordo.
Sei que falar merda é injustificável na maior parte dos casos, mas nesse caso me pareceu a melhor saída.