Dominados pela mediocridade
Pobre humanidade! Abandonada num problema que ela mesma criou e, uma vez que nada foi feito para resolvê-lo, agora se encontra numa espiral de redemoinho rumo à inconsequência. Alguns dizem que isso pode acabar – essa aparentemente eterna rede de lojas, casas, estradas e fiações – mas outros apontam como isso tudo é um castelo de cartas que poderia facilmente ceder e cair se qualquer uma das suas fundações desaparecesse. E triste, triste humanidade: muitas de suas fundações são meros conceitos.
Pela Experiência
Em nosso ocupado e “importante” mundo moderno, tudo está acabado por um motivo. E aí está o problema. Nossos motivos devem ser materiais, tangíveis: dão lucro, as pessoas gostam, alcança um resultado, muda um número numa folha em algum lugar. Não há espaço para a experiência que se justifica em si mesma, como se apaixonar, ou andar por uma noite estrelada, a emoção e horror de uma batalha, o aroma fresco da primavera numa floresta. Tudo deve produzir resultados mesuráveis, como num museu, e deve justificar-se de acordo com os objetivos gerais de (a) dinheiro ou (b) popularidade. Consequentemente, nós aprendemos desde a mais tenra idade a mentir e entender que quase tudo produzirá esses objetivos.
Nós esquecemos como aproveitar a vida, e onde poderíamos ser reis de nosso mundo, ao invés disso somos inquilinos. Aquilo que não tem uma justificação está inteiramente fora do nosso radar e invisível, entretanto aqueles que escolhem perseguir isso são vistos por nós como insanos, ou simplesmente hobbystas. Nós queríamos apenas que eles conseguissem empregos e competissem bem como o resto. Deve haver algo errado com eles, por que eles não fazem o que o rebanho reconhece – todos concordamos, certo? - como ser um caminho inteligente para um indivíduo tomar. E qualquer um que pense fora do individual? Um maluco, com certeza.
A melhor parte de nosso sistema moderno sem experiência é que o aplicamos em nós mesmos. Ele não tem um único líder ou centro de autoridade que possa cair; ao invés disso, com todos nós trabalhando pelos nossos próprios interesses materiais, ele é apoiado. Seja trabalhando como zeladores ou executivos, nós aplicamos o mesmo dogma em quem quer que seja. E é bom que façamos isso – mantém o sistema correndo, e sem ele, nós estaríamos morando em cavernas ou coisa do tipo. Eu acho. Se você não trabalha pelos seus interesses, alguém mais irá aparecer e tirá-los de você, 100% legalmente, é claro. Isso é um tipo de evolução que é melhor que a evolução; chamamos de Darwinismo Social.
Experiência, como você pode ver, não tem função. Não produz nada. Onde está o produto saindo da linha de produção, os cifrões, ou a propaganda na TV? Se você possui coisas como experiência, é como ser um viciado em drogas, e você empobrece a si mesmo com nada a mostrar, por que o resto de nós não está iludido. Nós vamos continuar assim enquanto estiver bom, por que nunca se sabe por quanto tempo mais isso tudo vai durar. Você sabe?
Dominados pela Mediocridade
Nós relutamos em reconhecer a diferença entre valores das pessoas publicamente. É ofensivo; viola a idéia de que nós somos um mundo em nós mesmos, ou que, independente de material cru, poderíamos nascer para sermos um imperadores, ou simplesmente zeladores. Independente disso, mesmo se odiamos zeladores e pensamos que eles são desprezíveis, fingimos em público que todos somos importantes, mesmo que possamos ser substituídos por outros trabalhadores, trabalhadores mais baratos de terceiro mundo, ou ainda mais baratos, robôs. Isso não pode ser mencionado em voz alta. Publicamente, nós não reconhecemos que há diferença de valor entre os indivíduos.
Como não podemos comparar indivíduos, nós aceitamos qualquer um (Você pode imaginar um CPU que não pudesse comparar números? Seria um computador ineficiente). Uma vez que devemos aceitar qualquer um, nós acreditamos na ficção de que somos todos iguais em público, é claro. Mas por que nosso poder é afirmado em lugares públicos, é agora parte de nossa política: vocês são todos iguais e todos importantes, e tudo pode ser qualquer coisa de zelador à imperador – não foram nascidos imperadores, ou zeladores. Todos são livres. Et cetera. Por que nós não podemos dizer que uma pessoa é mais importante que outra, nós somos dominados pelos idiotas.
Pense nisso: como você não pode rejeitar nenhuma idéia, você deve achar um compromisso que aceita todas as idéias, exceto as completamente insanas (Devo assassinar minhas seis crianças em nome de Satã). O único compromisso que você achará é uma ideologia que sugere a aceitação de todas as idéias. Um grande loop? É isso aí; e o compromisso se torna o mínimo denominador comum, então tudo é nivelado e logo as pessoas inteligentes começam a se comportar como idiotas. Ah, igualdade – semelhante à mediocridade, e alimentada pelos nossos egos, e a nossa necessidade de sermos reconhecidos e de negar – negar! negar! – que nossos próprios corpos contenham mentes, por que se isso fosse verdade, não apenas a morte seria significante, mas nós também seríamos cada um marcados como zelador, imperador ou coisa do tipo, mesmo antes de nascermos. Não é justo – cheira à morte – mande embora.
Sempre existirão mais idiotas do que pessoas inteligentes. Se você der à eles poderes iguais, logo eles arrastarão tudo ao nível deles. E então a mediocridade invade. A mediocridade restringe o crescimento de coisas melhores, mas encoraja o crescimento da população e economia. Nossa tecnologia cresce, mas é aplicada de formas medíocres; as pessoas parecem cavidades oculares ocas e atividades cerebrais nulas. Serão eles zumbis? Uma coisa é certa: eles nos tornaram todos escravos ao seu mínimo denominador comum.
Somos verdadeiros escravos da mediocridade. Não há nada a ser feito, a não ser tirar deles seu poder, ou matá-los – sério, quem irá se importar em 500 anos, se a humanidade sobreviverá? Quando alguém morre, eles são esquecidos, e tudo bem, uma vez que mais pessoas nascem. Não temos carência de pessoas. Mas a maioria das pessoas novas são idiotas, e a percentagem está aumentando, uma vez que ser um não-idiota nessa sociedade é insano. Eles todos nos farão escravos da mediocridade. Esqueça a guerra de classes, esqueça a guerra racial, é tempo de guerra eugênica – se todos os idiotas morressem, pensar seria legalizado novamente.
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Domination by Mediocrity, traduzido do site anus.com