Concurso Literário

2008 Maio 14
by Dora

Por mais que as pessoas me digam que sim, eu nunca achei que escrevesse bem. A bem da verdade, não acho até hoje. Sempre imito as pessoas que gosto de ler e o meu estilo é algo bem híbrido de todos os autores que leio. Ok, muita gente é assim, mas eu não me orgulho (nem um pouco) de ser assim. Não me acho criativa, nem inovadora. Simplesmente faço um arroz com feijão muito do mal temperado em questão de literatura. A situação atual é de que, hoje em dia, não escrevo nada relevante por aqui e nem nos meus outros blogs, sejam eles com minha autoria mesmo ou aqueles que escrevo no anonimato. Na verdade eu NUNCA escrevi nada de realmente relevante, em toda a minha vida. Eu só escrevo bobagens de uma mulher perdida que raramente sabe o que quer e que pensa que sabe tudo, mas não faz idéia do mundo como ele é. Mesmo.

De qualquer forma, meu histórico com literatura é um tanto quanto… Confuso. Começou quando eu tinha 15 ou 16 anos e escrevia contos de vampiros. Uma lista de discussão. Algumas pessoas talentosas. Um caso meu com um “escritor” (HAHA!) que se mostrou um completo idiotas depois de, sei lá, uns 5 anos. Uma amizade que, eventualmente, se mostrou verdadeira. Enfim… Várias coisas aconteceram. Aí veio a faculdade de jornalismo. Tentaram me moldar, não deixei, mandei às favas. Me formei em jornalismo, mas eu era qualquer coisa, menos jornalista. Se jornalismo é o que a gente lê por aí hoje em dia, eu nunca quero (e nem vou) ser jornalista na minha vida. Não, obrigada. Depois da faculdade de jornalismo não me veio mais nada. Vi que tinha desaprendido a escrever do meu jeito, mas de alguma forma reaprendi rapidinho de novo. E agora faço biblioteconomia, tenho um foco um pouquinho maior pois quero que minha formação seja voltada à pesquisa e docência, mesmo.

Sobre concursos literários, nunca participei de nenhum. Ok, minto. Acho que já participei de algum uma vez só que não tinha prêmio nenhum (em dinheiro, ao menos) e foi a maior marmelada que eu já vi em toda a minha vida. Sei lá. Digo que é muito fácil ganhar um concurso dando pra um dos jurados. Ou pra todos eles. A vida inteira eu tive a certeza que NÃO eram as pessoas talentosas que se davam bem, mas sim as pessoas “dadas”. Talento o cacete, por que quase nunca é isso que realmente conta, em nada nessa vida. E as pessoas SABEM disso, só que nunca percebem isso. De qualquer forma, colocando assim, eu nunca participei de um concurso, mesmo por que, nenhum concurso que tivesse uma premiação razoável (Não vou participar por qualquer mixaria, não sou hipócrita) tinha o tema que me fosse interessante, ou tivesse a ver comigo ou com a minha vida, com algo que vivi. E se for pra ser assim: eu ter que estudar textos e MONTAR uma dissertação fictícia só pela GRANA, não participo.

Gosto das coisas legítimas, genuínas, espontâneas. Nada que é forçado é muito bom.

Se já é difícil pra eu participar das coisas as quais acredito, pior ainda é participar de coisas nas quais não acredito.

Pois bem: no começo desse ano, quando estava indo pra alguma aula minha me deparei com um folder no mural que falava de um concurso. Li sobre o tema e me identifiquei imediatamente. Isso de identificação, pra mim, é algo muito difícil de acontecer, de eu me reconhecer em algo ou em alguém. E eu não tenho “níveis” de identificação: ou me identifico completamente, ou simplesmente ignoro, seja o que for. Mas depois que li sobre aquele concurso, fiquei com aquele tema na cabeça e parágrafos INTEIROS simplesmente APARECIAM na minha cabeça, praticamente ordenando serem escritos. Um lance bem Chico Xavier MESMO. Desceu o santo. Escrevi. Três laudas (o limite) e ainda achei pouco. Por mim, escreveria muito mais profundamente, escreveria a história toda, com todo o processo, todos os detalhes, autores, a história inteira. Mas parei na terceira lauda mesmo, pois era o critério. Caso eu ganhe alguma das três premiações, eu darei continuidade aos estudos e escreverei ainda mais sobre o que comecei a escrever pra esse concurso.

De novo, não vou ser hipócrita: a premiação é muito atraente. Mesmo. E eu quero ganhar, mas é a tal da coisa: não me inscrevi só pela grana, então talvez não ganhe e enfim… Acontece. Se fosse de um tema “nada a ver”, eu simplesmente deixaria pra lá, como já fiz com vários outros concursos que vi por aí em toda a minha vidinha. O tema era muito interessante, e se eu ganhar (ou até mesmo se não ganhar), é provável que eu também ganhe muitos contatos de pessoas igualmente interessantes e isso também é bom. De qualquer forma, com essa premiação, a minha prioridade seria comprar um computador novo pra mim, o melhor que tivesse por aí. Eu mereço isso. É bom não ficar dependendo da boa vontade e dos horários da faculdade pra ler artigos ou sei lá, fuçar no orkut, ouvir música, etc. O resto do dinheiro, sei lá, ia guardar pra alguma viagem, ou talvez fazer mais uma tatuagem e só.

Acredito que o resultado saia ou em julho ou agosto, mas não tenho certeza.
Aguardarei pacientemente.