O vizinho – Pt. 1

2008 Abril 24
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by Dora

Tenho um vizinho por quem acho que sou atraída de certa forma. Não sei exatamente nele o que me atrai. Acho que nada na verdade. Acho que só o fato de ser VIZINHO já é o suficiente. E ele nem tem nada que me atrai muito assim, fisicamente falando. Tem aquele tipinho metaleiro batido, que eu não gosto muito, mas hoje em dia até que tolero. A verdade é que nunca parei pra dar uma boa olhada na cara dele e ver se de fato ele é bonito ou não. Só sei que ele tem cabelos compridos e, ao que tudo indica, deve fazer história na mesma faculdade que eu. Ele deve sair de manhã (não tenho certeza disso) mas o horário que ele chega em casa é sempre o horário que eu saio pra aula, lá pelas 18h10 por aí. A parede dele é colada na minha mas, aparentemente, ele é um cara bem silencioso. Nos vimos poucas vezes, acho que até agora umas 5 e olhe lá.

Tive apenas um dia de sorte de sair, sincronizadamente, com ele da minha kitinete no fim da tarde. Nos estreolhamos e rolou um breve “olá”. Ele seguiu pro destino dele e eu pro meu, nada demais. Ele sempre está usando fones de ouvido, provavelmente ouvindo música. Deve ser um viciado, que nem eu. Mas se eu falar que juro que não me lembro do rosto do Fulano, vocês acreditam? Na verdade não sei nem o nome dele, apesar de já ter tentado bisbilhotar a caixa postal e ver alguma coisa. Em vão.

Hoje de manhã pra mim foi uma luta pra acordar. O relógio despertou 6:30, mas eu teimei em continuar dormindo até ás 7 horas. Levantei, fiz o que tinha que fazer, remédio, chá, queijo quente. Me arrumei de qualquer jeito e quando estava quase terminando ouço lá de fora o barulho da porta do lado batendo e da chave virando. Ele estava saindo. Me arrumei rapidamente, peguei minha mochila e saí rápido de casa pra ver se eu ainda conseguia achá-lo na rua. Uns 30 segundos depois, saí de casa e aquele cheiro de manhã (pasta de dente, torradas, chás, CAFÉS) se misturou com aquele aroma de HOMEM que tinha acabado de sair de casa. Ô delícia… Inspirei aquilo com o máximo dos meus pulmões e todo o meu ódio pelos homens simplesmente SUMIU por alguns instantes. Caralho, meu vizinho é cheiroso.. Ok, se não é cheiroso pelo menos tem um ótimo gosto pra perfume, com certeza.

Cheguei na rua e quando comecei a descer a ladeira vi que ele estava logo a frente, descendo com uma pequena mala além da mochila. Me senti o ser mais DESPREZÍVEL da Terra, por perseguir um cara que nem sabe que eu existo (e talvez nem queira saber). Ao que parece, ele vai viajar por alguns dias. O jeito que ele anda é uma gracinha. Fico imaginando se ele ao menos SUSPEITA que tem sido observado por mim. Mas acho que não… Ele deve achar que eu sou SAPA ou coisa do tipo, o que me dá uma vantagem muito considerável, pois de certa forma eu sou “inofensiva”. Rá! Enfim, como a rua onde a gente mora tem a maioria das calçadas acidentadas, ele teve um pouco de dificuldade ao descer, ora arrastando a mala com rodinhas, ora levando ela pela alça mesmo. Isso foi bom por que aí me deu a chance não só de me aproximar dele, mas de passar por ele. Puta vontade de dizer “oi, tudo bem?” ou abrir o sorriso colgate e mandar o bom dia mais sexy do mundo… HAH. Patética…

De qualquer forma, ele deve ter namorada. E se não tiver namorada, ele deve ser mongo. E se não for mongo, deve ter algum outro defeito escroto. Mas tô nem aí, num me importo mais com essas coisas mesmo. Sem falar que putz.. Ele nem mesmo deve saber da minha existência… Enfim, de qualquer forma… Puta vontade de agarrar esse cara!

Sério: depois eu digo que penso que nem homem e ninguém acredita em mim.

Eu SEI que não tenho nenhum motivo específico pra me sentir atraída pelo meu vizinho, mas só sinto isso por que ele é O VIZINHO. Como diriam os Velhas Virgens “O tesão tem razões que o próprio tesão desconhece…”

Nasci no corpo errado cara… Só pode.