Anarco-fascistas

2008 Abril 23
by Dora

Há alguns dias atrás se não me engano, tava tendo um lance meio MALA aqui pela UFSC, chamado “Enfim um líder”. Eu achei mala mesmo por que o troço me incomodava, sei lá por quê, vai ver eu sou só mais uma idiota mesmo que não vê graça nenhuma nessas coisas de teatro. Só sei que ficavam bradando aos quatro cantos da universidade que dia tal, tal hora na frente do CCE ia ter uma baladinha pro tal do “líder” e eu, claro, caguei praquilo. Mas não sei o que aconteceu que, no exato dia dessa balada, quando eu saía do refeitório do Centro de Convivência, comecei a ouvir um MARACATU na frente do CCE. E como ainda era 18h e O MARACATU tem em mim um efeito hipno-narcótico eu fui seguindo o ZIRIGUIDUM até o CCE.

Eu não resisto. Nunca.

Eis que chegando lá estavam os 4 atores (2 caras, 2 minas) representantes (por assim dizer) do “Enfim um Líder”, dançando e gritando “LÍDER” loucamente ao som do maracatu. E eu? Bem… O que eu NÃO FAÇO pra continuar ouvindo um macaratu né? Eu simplesmente ignorei eles e continuei curtindo a VIBE do som. Tava legal até, não tinha nenhum tumulto e o pessoalzinho tava curtindo um maraca NUMA NÁICE antes das aulas começarem logo mais às 18h30 até aparecer um ANARCOPUNK pra estragar a festinha. Ao invés de sacar o lance TEATRAL da coisa toda, o SER desagradável e ABJETO, começou a urrar “ANARQUIA”, sozinho.

Eu JURO que não entendo gente desse NAIPE. JU-RO pra vocês.

Ele não tava de brincadeira. Ele gritava com raiva e na cara dos atores. Parecia que estava a um milímetro de ficar agressivo (Eles sempre parecem. Mas só parecem). No mais, os atores ignoravam, continuavam dançando e gritando “líder” em alto e bom tom, mas se divertindo, sempre e em tom convidativo a quem passasse. O pessoal que tocava também gritava. Só nisso já dava entre 10~15 pessoas. E o anarcopunk, sozinho, persistia no urro de ”anarquia”. Observar aquilo foi meio deprimente. I felt really, really sorry for that guy... Porra, na boa: se ainda fosse um moleque de 18 anos, seria compreensível. Mas depois de uma certa idade, sei lá.. Se você já não mora no meio do mato em alguma comunidade alternativa (cof-cof, PRIVADA), pega muito mal ficar PAGANDO de anarco no meio da rua, como se não fosse nada demais..

Quer um conselho amiga? Esse idealismo não te favorece.

E é claro que o cara acabou indo embora depois de uns 15 minutos de PROTESTOS AO LÉU, mesmo prq geral cagou pra ele e pra anarquia dele. Ridículo, muito ridículo. E é claro que a festinha continuou sem ele. E aí eu pergunto: qual o propósito mané? Uma andorinha só não faz verão. Aliás, nesse mundo de 6 bilhões de pessoas (and counting…) um milhão de andorinhas também não fazem verão. Por mim, as pessoas acreditam no que bem querem. Só que é realmente bizarro quando percebemos que um tipo de idealismo que, a priori, deveria ser para um “bem maior” acaba se tornando exatamente aquilo que é contra. Por isso que não sou lá muito à favor de MILITÂNCIA, mesmo em relação às coisas que acredito.

Qualquer MILITÂNCIA é um porre. Mil vezes um porre. Não suporto, não suporto, não suporto! Mando enfiar o panfletinho no cu, na primeira oportunidade que encontro. Um sacooo!!!!!

Sei lá… Todo idealismo tem limite. Até eu tive que aprender isso.

Na marra, mas aprendi. E quando aprendi, caí fora rapidinho. :D