Domingo: “A vida e o tempo”

2008 Abril 22

00h00: provavelmente eu estava no Casarão ouvindo alguma banda de grindcore berrar no meu ouvido. até esse horário era só 5 reais então eu provavelmente já tava lá mesmo.

01h00: bebendo, rindo e não conseguindo ouvir nada que todo mundo me dizia.

02h00: Cla, Carol, Zé de Sampa, Mabel, Pam e mais algumas pessoas que não vou lembrar o nome por nada desse mundo.

03h00: fumei demais, bebi de menos. começava a ficar de saco cheio. ultimamente fico de saco cheio muito rápido nas baladas, sejam elas quais forem.

04h00: de saco cheio dos seguranças do casarão. e dos bêbados que pegavam mulé feia também.

05h50: depois de ter tomado um caldo na rua, estava em casa (lugar de onde nunca deveria ter saído em primeiro lugar) tomando um banho quente e me preparando para ir dormir.

6h00: turn off. asleep.

13h10: synthroid 100mcg. água. enrolei um tempo.

14h00: leite com café e adoçante e queijo quente.

15h00: cozinhando: molho de cachorro quente e lentilha com calabreza. sim, em panelas diferentes que eu não sou louca, por favor. deu vontade, só isso.

15h30: chuva e lan house.

16h30: rumo ao titri, a pé, na chuva, cantando Regina Spektor e Marisa Monte.

17h30: chegada no Titri (”MERDA! Perdi tudo já quando é assim…”)

17h53: saíndo do Titri.

18h08: com os pés no Tilag.

18h15: Cheguei e o Bernhard Gal já tava tocando. A sala estava escura e felizmente não tropecei e nem caí, pra evitar um estrago maior. Não sei se ele tinha recém começado ou não. Mesmo atrasada me senti bem vinda naquelas cores vermelho e roxo onde era possível ouvir cada respirar mais profundo e o mais leve ajeitar-se das pessoas nas cadeiras. O som de piano era baixo, repetitivo mas não chegava a ser perturbador, na verdade em mim causou um efeito relaxante, como se a música fizesse parte do ambiente mesmo. Tinha um barulho de disco riscado bem insistente mas depois vieram os passarinhos e eu sorri. Adoro esse som. Só não sei dizer se aqueles eram passarinhos produzidos ou gravados mesmo. De qualquer forma, pareciam naturais. Daí rolou um grilo também, bem no fundo da cabeça. A forma que eu percebi aquele som foi surreal, pois ele parece realmente estar chegando de uma outra sala, de uma slaa de trás do auditório onde a gente estava. E teve uma hora que eu juro que ouvi muito brevemente pessoas conversando num dialeto meio caribenho-africano. Será? Às vezes eu me sentia no meio de uma floresta. Foram várias as sensações estranhas. Outras vezes me sentia como se ouvisse ondas do mar ao longe. E por cima de tudo isso persistia o erro, o disco furado, ora evidente, ora quase inaudível.

Depois que acabou, Peter chamou Diogo de Haro e Pedro (Como assim Pedro sem barba?! Era ele mesmo?) para uma última improvisação. Ainda havia algum tempo, pois logo após essa apresentação passaria um filme no auditório. Essa foi uma apresentação mais para ser observada e ouvida, do que ser sentida. O piano e o pedal duplo foram usados de formas nada ortodoxas e não sei se foi piração da minha cabeça mas simplesmente houve uma hora em que Bernhard não tocou nada. Foi divertido. Sempre é. A parte que eu mais curto de todos os eventos de música livre que eu vou são as improvisações finais. Depois que tudo acabou fui lá fora e acendi um cigarro. Como tinha chegado atrasada e estava com vergonha, não fui falar com ninguém. <ironia>Acho uma puta falta de respeito os eventos começarem na hora, uma puta falta de consideração com os que se atrasam. </ironia>

21h30: Cheguei em casa. Não lembro o que fiz direito. Devo ter lido um livro, comido alguma coisa, sei lá, simplesmente não me lembro. Só sei que minha mãe me ligou num momento. E perguntou como eu estava. E perguntou como eu conseguia ficar tanto tempo sozinha. Não sei o que respondi à ela. Ela me disse que a solidão não é algo bom e que eu tenho que me cuidar pra não me tornar uma pessoa amargurada demais por isso. Fiz pouco caso do que ela disse. Não sei se devo continuar fazendo pouco caso do que ela diz. Não sinto que a solidão me amargura e sei que posso estar errada quanto a isso. Conversamos sobre mais algumas coisas, trivialidades, coisas de família e depois de um tempo ela desligou. Continuei com a minha solidão e continuo com ela. Acho que é uma questão de escolha. Minha mãe diz que eu preciso de “um bom companheiro” ou ainda “um homem bom” pra mim. Não sei por que mas, todo mundo pode me falar isso numa boa só que ao ouvir isso dela,… Não sei… Me soa tão antiquado. Antes sozinha do que com um banana. E as coisas não são tão fáceis assim hoje em dia… Como se arrumar um homem fosse fator decisivo pra minha felicidade. Até hoje pelo que vivi, tem se mostrado muito pelo contrário, uma desgraça. Então não tenho pressa. Nem pra relacionamentos de amizade, nem pra relacionamentos amorosos. Deixo as coisas como estão. Se tiver de ser, será. Se não, vou morrer seca. Simples assim.

3 Responses
  1. 2008 Abril 23
    peter permalink

    que coragem que tu tem de escrever o que tua mae diz.
    se eu escrevesse assim…xiii…pra ela eu ainda tenho 10 anos soh apronto e nao limpo o prato…custa admitir que a tendencia das coisas eh melhorar com o tempo…ou nao! ehhehe!!

    o festival foi demais !!
    pessoas, como tu, entravam no auditorio, sentavam e imediatamente jah estavam empapadas da musica. os pequenos ruidos, provocados pela plateia, foram os mais belos movimentos involuntarios que jah ouvi. quando isso acontece, imediatamente vem na mente: quem sera que se mexeu? que esta tussindo? eu me mexi? sera que quando eu me mexo eu sou assim? em fim…neste festival aprendi a ser mais silencioso. isso eh respeitar e admirar o ambiente em que estamos… as pessoas e seus ruidos…por que nao?

    cruza os dedos!! se der certo, o proximo festival, em junho, trara uma lenda viva!!

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