Música silenciosa
Gosto mais de acreditar nos homens que não me dizem nada, ou daqueles que não me dão garantias abertamente, do que aqueles que me dizem estar apaixonados, aí quando vamos ver, três dias depois (por assim dizer), a “paixão” simplesmente desaparece. Tipo “Ops… Mal aí, colega! Foi engano! Às vezes o meu coração bobo se confunde mesmo, mas não foi por querer, eu juro!”. E aí simplesmente desaparecem como se nada nunca tivesse existido. Depois ainda me perguntam por que eu sou cínica..
Não gosto de promessas.
Uma promessa é o princípio de algo que está por NÃO se concretizar, sempre.
Hoje existe esse cara que não me diz absolutamente nada. Na verdade, eu sempre soube que as brincadeirinhas que ele fazia, as ironias, os sarcasmos eram apenas formas de tentar despistar o que ele sentia/queria comigo. Cada vez mais eu fico esperta com tipos assim e logo que percebo isso, entro no jogo deles. Foi um flerte às avessas, no caso dele. Ele queria ver até onde eu ia. E eu sacava isso, e me fazia de besta, mas adorava, no fundo. Acho que ele simpatizou com a minha paciência e jogo de cintura.
Nos damos relativamente bem. Gostamos de conversar trivialidades e coisas sérias, quase todos os dias. Eu aprendo com ele, querendo ou não. Me sinto atraída por ele, em vários sentidos. Temos uma convivência muito sutil, que me agrada por que não é dependente por demais. De nenhum dos lados. O afeto existe, é bem óbvio e é mútuo, no sentido mais extremo da palavra. Incrívelmente, esse afeto é mútuo no mesmo nível. Ninguém sente mais falta de ninguém, ninguém sente mais carinho por ninguém. O que sentimos um pelo outro tem a mesma intensidade, chega até a ser estranho. É como se fosse uma música silenciosa. E longa.
E é muito bom por que eu não fico mais com o sintoma da coisa toda. Ele me poupa de tudo isso, sempre poupou. Não fico me sentindo idiota, não sinto borboletas no estômago, não fico com cara de otária o dia inteiro. Não há esperança, nem expectativa, nem ansiedade de nenhum dos lados. Não existe paixão, loucura, palavras bregas, coisas cafonas, como é “quando a gente sente amor”.
Existe nós, apenas.
E esse talvez, seja um cara que realmente se importa comigo.
Ele não exige muito de mim, não me dá lição de moral, nem de vida. Também não exijo nada dele. Não fico apostando fichas na “evolução” desse relacionamento, mesmo por que não espero nada dele. Mesmo. Amanhã pode ser tudo diferente, continentes diferentes, outros planos, outras pessoas, outra época. Eu pisquei e tudo já mudou, então por que eu deveria me preocupar? Cada um tem sua vida, seu jeito, seus planos, suas metas, seus afazeres e uma vida completamente distante um do outro. Não há o que ser imaginado, projetado, nem nada. Não há fantasia, não há ilusão.
Existe nós. Aqui, agora. Sempre. Quando for. O melhor.