Meus sonhos são mais divertidos que a minha vida

2008 Março 4
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by Dora

Tinha ido pro Rio (de fato, vou pra lá semana que vem), tinha descido numa rodoviária muito tosca e um amigo meu tava lá me esperando, mas eu não o reconheci. A rodoviária era muito bizarra, bem “anos 30″, mas só que tinha conexão com a internet. E ficava num lugar muito, mas muito afastado mesmo da civilização. Meus primeiros pensamentos ao descer do ônibus foram “Cadê os morros?” e “O que eu tô fazendo aqui?” e ainda “será que é aqui mesmo que desce?”. Aí eu tentei acessar a internet pra ver se eu conseguia ver no googlemaps onde eu tava. Acho que sonhar com o googlemaps é o supra-sumo do nerdismo cara… Puta merda. Mas eu não consegui conectar e nem ver onde estava e eu ficava me culpando “Porra, por que eu não vi isso antes, cacete?”. Odeio não programar as coisas, não ter roteiros, não ter a mínima idéia de onde estou e do que estou fazendo e do que farei. Odeio! Tá certo que tudo não precisa ser minimamente planejado nem nada, mas eu acho SEGURO ter noção das coisas, pra não perder tempo nem dinheiro. Eu acho que até pra você se perder, você no mínimo tem que ter noção de localização. Alguma que seja. Sei lá, não gosto não.

Vendo que eu não ia sair daquela rodoviária tão cedo e continuando sem reconhecer o Fabiano, aluguei um quarto da rodoviária (eles tinham quartos pra alugar lá!). E o quarto era super bizarro, empoeirado, com móveis ultra antigos, sem tevê, mas com um rádio antigo (Anos 30 né?) e algumas outra coisas caindo aos pedaços. Tinha muitas frutas verduras e legumes (???) lá dentro também que eu lembro. Tinha um frigobar com produtos já usados, e com umas 2 garrafas de champagne. E eu lembro de nesse quarto ter visto um inseto, bizarríssimo, com antenas que pareciam uns gravetos e era um bicho enorme, com olhos horrorosos, umas patas horríveis. Era praticamente um inseto alienígena. Muito tosco. Não sei como, no meio do sonho tomei banho e, ao mesmo tempo, ficava tentando fugir desse inseto dentro do quarto, deixava a porta aberta e tentava tirá-lo de lá. Eu não tinha medo do bicho, só tinha asco mesmo, não queria que ele encostasse em mim. Aí me irritei, peguei minhas coisas, roubei um quadro do quarto (pra dar de presente pro Fabiano) e roubei uns DVDs que tinha lá também. E ele tava lá fora me esperando o tempo todo, mas tava irreconhecível. Mendigo-style: todo de preto, barbudo, com o cabelo grande (Grande, não comprido: em estado de crescimento avançado. É bem diferente.) e com cara de quem tava muito puto (com o meu atraso), sendo que eu nunca na vida me lembro de tê-lo visto com cara de muito puto com algo.

Enfim… Quando fui sair do quarto eu o reconheci, mas fingi que não (!) (Escrota! Ou será que eu tava com vergonha pelo meu atraso? Eu não entendo por que que em sonhos eu tenho comportamentos bizarros!). Daí eu saí do quarto correndo, passei por ele e continuei correndo (eu tava de mochila), corri pra fora da rodoviária, corri, corri, corri até chegar no mar. Numa prainha sem ondas, com a água bem cinza e com “areia de pedra”. Vi uns 2 rapazes brincando na água rasa, dois amigos. Aí me dei conta de que eu não sabia o que estava fazendo ali. E também me dei conta de que ali podia ser qualquer lugar, menos o Rio de Janeiro. Aí eu comecei a ficar meio que desesperada. Tentei procurar o quadro que ia dar pra ele na minha bolsa e não achava. Comecei a ficar com raiva e a pensar que ele já devia ter me abandonado. De repente ele aparece dizendo “Eu gostei do presente”, com o quadro na mão e com uma cara de quem ainda tava muito puto. Aí eu lembrei “Ok, isso é sonho pois nesse horário ele deveria estar trabalhando”. Aí ele falou “Era pra eu estar trabalhando mas preferi vir te buscar por que achei que fosse ser rápido”. Puto, putíssimo, me olhando de rabo de olho. Barbudo, com aquela cara de irmão mais velho, querendo me matar. Foi surreal cara. Aí o sonho virou outra coisa, ou acabou.. Não sei. Bizarro.

Eu dei tanta risada desse sonho por que ele demonstrou todos os meus medos e coisas que não gosto: a dependência, o medo de “dar trabalho” ou “incômodo” pros outros, o medo de me sentir perdida numa cidade grande, esse “design” escrotíssimo de querer “encaixar o velho no novo” (e vice-versa), e claro, o medo de insetos grandes, toscos e alienígenas, com antenas de gravetos, patas asquerosas e olhos nojentos. Yuk!