É tudo culpa da lucidez
A dor de querer ser aquilo que não pode.
Não acredito em respostas fáceis.
Me falta o ânimo pras difíceis.
O beijo de duas línguas frias.
Antes, a vaidade de imaginar-se vista.
Hoje, a cegueira de ver-se imaginada.
A lucidez então se faz bonita.
Mas se perde na leveza do gracejo.
O que se tem como alegria?
O que se tem como garantia, quando a lucidez é fantasia?

Nunca me explicaram o vazio.
O amor não se explica mas se entende, num sorriso escapado, num bilhete escondido, num tropeço disfarçado.
O vazio carece de solidariedade.
Carece de provas, pois não pisa, nem geme.
Carece de solidão, pois se faz constante.
Carece de afeto, pois abraça sem braços.
O vazio se sente, mas não me sinto tão só.
E hoje o dia se solidarizou e finalmente nasceu.
Cinza.
Imagem retirada do flickr /assortedstuff