Sad, but true my friend.

2008 Fevereiro 26
by Dora

Ontem não lembro direito o que estava fazendo quando decidi ver umas fotos minhas antigas, umas fotos de 2006. Aí achei uma foto minha de corpo inteiro. Não consigo descrever ao certo o quanto fiquei chocada. Eu estou me esforçando pra não virar uma escrota completa, mas está bem difícil. O pensamento exato não foi de dó ou pena, mas raiva mesmo, algo como “Como pude perder tanto tempo da minha vida/juventude desse jeito?”. É.. Mas os anos não vão voltar. E aliás, nada vai voltar a ser como antes de qualquer forma…

Sad, but true.

Conversei com uma amiga nostálgica também. Devo dizer com antecedência, que nostalgia pra mim tem limites. Ela ficava se lembrando de quando tínhamos 18 anos, e de como tudo era muito mais divertido, e de como ‘fazíamos sucesso’, etc. Ela também não consegue se esquecer de um amigo (pra mim, conhecido apenas) que faleceu naquela época, e por algum tempo eu consegui levar esse papo numa boa, mas acho que já vai fazer 3 ou 4 anos que ele faleceu, então o papo de “Se fulano estivesse vivo, tudo seria diferente” eu já não aguento mais. Sinceramente, não tolero mesmo, não tenho paciência e deixo isso claro. Não gosto. A vida é nossa pra ser vivida e pra ser levada pra frente. Ficar estagnada, desenterrando gente todo o tempo é simplesmente um atraso. E dos grandes. Ele morreu, se foi, já era, não vai voltar mais…

Sad, sad… But true.

Na verdade não sei nem por que falei disso agora. Acho que é pra correlacionar de alguma forma, o tempo que perdi na minha época de baixa auto-estima, depressão e obesidade, com o tempo que essa minha amiga perde, pensando em gente morta e em tempos que não voltam mais. É… Pra mim ao menos, faz todo o sentido. Mas eu não fico me culpando e nem querendo que o tempo volte, nem que minha juventude volta. Agora eu vou escrever outra história mais bonita e as coisas começam a ficar mais divertidas e interessantes do que antes na verdade. Eu era muito bobinha… Muito ingênua. Eu acreditava nas pessoas, acreditava, de verdade, que todas as pessoas podiam ser boas. Hoje as coisas são diferentes. Faço outras coisas, mas me divirto ainda: agora eu quero ser uma pessoa melhor, mesmo.

Esses dias li na Folha Online, que um advogado da Preta Gil tava ameaçando de processar o Google, por causa da bombshell onde as palavras “atriz gorda” também resultavam em “Preta Gil”.

Ok. Eu entendo mesmo que tenha sido “uma grande sacanagem” por parte dos usuários Google que odeiam a Preta Gil. Mas daí ela querer que todo mundo simplesmente NEGUE que ela é, de fato, gorda… Já é um pouco demais, né? Ok. Também entendo que há uma pequena diferença entre reconhecer que ela é gorda, e tirar sarro disso discaradamente… Mas… Cada pessoa se comporta da maneira que a convém né? Se a Preta Gil acha que pode se comportar como bem quiser e entender, boa sorte pra ela. Eu já prefiro acreditar que as pessoas são preconceituosas e não terão dó nem misericórdia ao me zoarem, ou a simplesmente me rejeitarem mesmo. As pessoas são assim.

A vida inteira quando me chamavam de “cheinha”, “forte” (horrível) ou até mesmo “gorda/gordinha”, eu não respondia nada, por que era simplesmente verdade. Eu ia fazer o quê? O máximo que eu poderia fazer pra reverter a situação era emagrecer, mas eu nunca tive vontade disso… Nunca se passou pela minha cabeça. Nunca quis. Então aguentava os preconceitos quase que “numa boa”. Hoje, eu até que estou emagrecendo, mas ainda tenho tutano pra aguentar outros preconceitos por ser uma mulher (provisóriamente) careca e (permanentemente) tatuada.

“Não irei mais aturar piadas que tenham como intenção me diminuir pelo fato de não fazer parte dos padrões de beleza impostos pela mídia de consumo”, Preta Gil disse, segundo a Folha Online. Na boa? Essa foi a frase mais derrotista que eu li em muito tempo. Se ela é tão superior assim aos “padrões de beleza impostos pela mídia de consumo dos porcos capitalistas”, ela não deveria estar se importando com isso, em primeiríssimo lugar. Se ela se importa, ela dá total razão e respaldo aos “padrões de beleza”. Ou seja, Preta Gil se importa sim. Ela só não quer admitir isso pra ela mesma.

Sad,… but true.

Ontem também conversava com a Cíntia sobre homens gordos. Homens gordos me revoltam prq eles tem (muito) mais facilidade de emagrecer do que nós mulheres. Nós somos loucas, todas tortas, cheias de períodos, fases, TPMs, retenções de líquidos que não nos deixam emagrecer, vontades loucas de doces, vontades loucas de matar os outros, vontades loucas de morrer e todas essas coisas singelas que, querendo ou não, influenciam em qualquer dieta. Homem não. É só fechar a boca, malhar bonitinho que tá beleza, emagrece em dois tempos. Dá uma raiva irracional.

Emagrecer, pras mulheres, tem um significado completamente diferente do que pra homens, por que a “sensação de poder” que a gente sente é muito, muito, infinitamente maior. Na verdade, homem não precisa emagrecer. Eles podem ficar gordos o quanto quiserem (e serem feios também), desde que tenham a tal da lábia, levam qualquer uma por aí. Mulher é tudo idiota, cai fácil sempre. Agora nós, mulheres, não podemos nos dar o luxo de permanecermos gordas ou corremos o risco de sermos tratadas por absolutamente QUALQUER homem decente como se fossemos lixo tóxico (excetuando os pedreiros, tarados e pervertidos de plantão). Nenhum homem respeita mulher gorda, nem meu pai (eu já vi isso). É sério isso. É verdade. Podemos ser lindas, uns doces, inteligentes, parceiras, companheiras, o que for… Se formos gordas, sem chance.

Sad, sad, so sad… But still: true.