A primeira vez

2008 Fevereiro 4
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by Dora

Não nego que me sentir amada, querida e desejada foi muito importante. Não por amigos, não pelos meus pais, mas por ele mesmo. E não foi o “ele da minha vida” mesmo por que eu já tinha tido outros e também não acredito nessas coisas. Mas foi o ele da hora, do momento mesmo, mas que, definitivamente não foi “mais um”. Esse “ele” foi O um. Se não fosse, talvez eu não tivesse me importado… Nem mudado. Mas enfim… Depois, aprofundando os sentimentos e enxergando o que realmente restava quando o amor / paixão / amizade não eram o bastante, acredito que me sentir respeitada (enquanto pessoa, enquanto mulher e amiga) foi o melhor de tudo. Sem exagero nenhum, acho que foi uma das coisas mais lindas que aconteceram na minha vida. Reconhecer isso me emocionou demais da conta… Eu simplesmente não conseguia acreditar! Como diria a música: “nunca ninguém me tentou assim, tão bonito e tão ruim”. Mesmo com toda delicadeza e sensibilidade, de qualquer forma, eu estava preparada pro que fosse. E não houve queda. Não houve decepção. Não houve sentimento de perda de nada, mesmo por que não houve nada. E nesse grande nada, TUDO se deu. Eu ganhei mais tempo pra pensar na vida e fazer de mim, outra. Só isso. Agora, sim, sei que tenho todo o tempo do mundo pra ser quem eu sou de verdade. Foi um verdadeiro reencontro.

Tentei ficar me culpando por um tempo. Dizendo que fui “precipitada demais”, que “não devia ter sido tão impulsiva e ter apressado tanto as coisas”, mas enfim… A verdade mesmo é que, de fato, não podemos adiar a felicidade (sempre acreditei nisso). E eu não a adiei. Fiz o que pensei que devia fazer, o que estava de acordo com meus sentimentos e minhas vontades na época. Quando cheguei, até que me senti confortável e confiante a princípio. Eu queria muito aquilo. E eu estava feliz. Ou pensava que estava. Mas quando a coisa foi ficando séria eu me vi forçada a dizer “Por favor, apague a luz. Eu tenho vergonha”. E esse foi o momento mais vergonhoso e humilhante de toda a minha vida. Eu nunca tinha pedido aquilo a ninguém. Juro. E essa foi a primeira vez que eu senti vergonha, de verdade, em toda a minha vida. Juntamente com um medo absurdo e uma sensação de impotência inabalável. Foi horrível…

Acho que nem se eu tivesse entalado numa catraca dentro do ônibus eu não sentiria tanta vergonha. Por dentro eu dizia pra mim mesma, gritava, esperneava, louca, desesperada “Mas você não tem vergonha… Nunca teve! De nada! De ninguém! Mas o que é isso menina?! O que tá acontecendo? Por que isso?!”. Eu fiquei completamente desconcertada mesmo, como nunca antes na minha vida. Mas naquela hora foi diferente, de qualquer forma. E ele nem ligou e apagou a luz… Claro, homens nunca ligam muito pra essas coisas, ainda mais quando querem o que querem. Mas eu liguei. Na hora fingi que não, mas depois fiquei pensando. E muito. E pensei “Porra, mas que merda! Não precisava ser assim! Eu não sou assim! Eu sei que podia ser melhor. Eu sei que podia! Eu sou muito melhor que isso!”. Acho impossível expressar o grau de indignação que fiquei comigo mesma, sem parecer repetitiva. Acho que nunca passei por uma frustração tão brutal comigo mesma em toda a minha vida (e isso não é exagero). Então não foi uma vergonhazinha a toa: foi a vergonha da minha vida.

E, de quebra, eu ainda estava apaixonada por ele. Apaixonadáça…. Hahahaha.. Cara, isso é MUITO tragicômico. Só podia acontecer comigo mesma… Juro pra vocês. E poxa, coitado do cara… Foi ele que ficou com o estigma de “causador” de tudo o que aconteceu comigo em seguida.. Mas a bem da verdade não foi ele, foi eu mesma: senti vergonha de mim mesma, não dele. Hoje eu dou risada, mas na hora, nos dias que se passaram depois daquilo, foi um puta de um drama do caralho! E eu não queria ser boa, nem boazinha. Eu queria ser a melhor. E não fui, claro. Nem de longe! Aquilo lá não era, nunca, o melhor de mim. Nunca foi, nunca será. Que vergonha… Que vergonha de mim mesma eu tive! Quis me encolher, quis sumir, e exagerando até quis morrer um pouquinho! E nunca tinha sentido essas coisas antes na minha vida, com ninguém, por ninguém, por nada. O que me deixou apreensiva foi que eu nunca tive vergonha nessas situações, por mais apaixonada que estivesse. Nunca. Essa foi a primeira vez. E demorou alguns dias, mas consegui reavaliar e vi que eu precisava mudar a minha vida, se eu quisesse ser melhor. Aliás, se eu quisesse ser a melhor.

Não vou dizer que hoje sou melhor, por que não sou. Ainda. É inegável que estou, sim, bem melhor do que estava na época do acontecido. Mas já tô com meio caminho andado… Eu ainda tenho um longo caminho pela frente e não gosto de resolver nada a curto prazo. Então vou levando.

Tô bem.