Dia fértil

2008 Janeiro 29
by Dora

Ela olha pro mar e brisa.

O vento leva o seu perfume pra longe, pra qualquer outro lugar.

Um lenço branco na cabeça e os ombros nus.

Uma fragilidade pouco ostentada, que fecha os olhos e morde os lábios em memória (dele).

Todos os pensamentos se centralizam e são absorvidos de forma irremediável.

Ela respira e vento. Não se contenta com brisa.

As pessoas e coisas passam por ela, mas ela não caminha.

Não há mais pressa, não há mais objetivo, não há mais linha.

Ela flutua, ela anda a dançar e se intimida com os que percebem seu ritmo ao seu redor.

Sua força agora vem de sua fragilidade.

Flores agora brotam vermelhas no seu crânio e brancas no seu ventre.

Ela é uma deusa de um jardim impetuoso, tempestuoso, intocado, intocável, inatingível.

Ela já não fala mais há um bom tempo. Ela é sozinha. Ela é dona de todas as ausências de sentido.

Apenas sente o que é passível de ser vivente.

Ela, serena, inteira, ensimesmada, ombros, lenço branco e flores por todos os lados.

Que brotam, transbordam, perfumam e suspendem desejos ancestrais.

Um jardim inteiro de primavera, rios em época de cheia…

Que devasta, anuncia, fecunda e trás continuidade.

Ela, sinuosa e colorida. Amada e temida.

Só ela… Só dela.

E vento…………………

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