Dia fértil
Ela olha pro mar e brisa.
O vento leva o seu perfume pra longe, pra qualquer outro lugar.
Um lenço branco na cabeça e os ombros nus.
Uma fragilidade pouco ostentada, que fecha os olhos e morde os lábios em memória (dele).
Todos os pensamentos se centralizam e são absorvidos de forma irremediável.
Ela respira e vento. Não se contenta com brisa.
As pessoas e coisas passam por ela, mas ela não caminha.
Não há mais pressa, não há mais objetivo, não há mais linha.
Ela flutua, ela anda a dançar e se intimida com os que percebem seu ritmo ao seu redor.
Sua força agora vem de sua fragilidade.
Flores agora brotam vermelhas no seu crânio e brancas no seu ventre.
Ela é uma deusa de um jardim impetuoso, tempestuoso, intocado, intocável, inatingível.
Ela já não fala mais há um bom tempo. Ela é sozinha. Ela é dona de todas as ausências de sentido.
Apenas sente o que é passível de ser vivente.
Ela, serena, inteira, ensimesmada, ombros, lenço branco e flores por todos os lados.
Que brotam, transbordam, perfumam e suspendem desejos ancestrais.
Um jardim inteiro de primavera, rios em época de cheia…
Que devasta, anuncia, fecunda e trás continuidade.
Ela, sinuosa e colorida. Amada e temida.
Só ela… Só dela.
E vento…………………
………
……………………………………
………………
…………………………………………………….
………..
…..
…
.
..
..