“Mas como você sabe disso tudo?”
Uma coisa que eu acho engraçada pra caramba é quando eu conheço pessoalmente uma pessoa a quem eu já venho vasculhando a vida online por algum tempo. Assim,… Não que eu queira ser muito tosca… E nem chego falando pra pessoa tudo o que sei sobre ela, nada, nada disso. Na verdade eu fico quieta, e só digo “sei”, “sim, conheço”, “sei do que você fala” e ainda cito alguns nomes conhecidos/situações que aquela pessoa viveu pra contextualizar a história toda.
Assustador isso? Sinceramente, eu discordo.
Ainda acho engraçado a forma que as pessoas se espantam “Mas como você sabe disso tudo sobre mim? Sobre a minha vida?”. Bem… A internet está aí pra isso. Eu simplesmente não entendo o espanto. Não só não entendo, como também não compreendo. Poxa, não quer que saibam da tua vida? Não publique nada. Nem uma linha. Viva no anonimato pois aí sim você estará “seguro”. Tudo o que é feito, escrito, publicado, colocado por aqui, não tem volta. Eu não consigo entender como as pessoas não tem consciência disso. Mesmo.
O mais engraçado é que, por mais que a gente pense que não, as pessoas lêem sim, vasculham, lêem de novo, procuram mais coisas, fotos, fatos, evidências. Bem, pelo menos um bom stalker faz isso! Eu mesma, não nego, já li blogs, como leio livros: por dias, até ler por completo, até chegar ao post mais recente. Adoro “destrinchar pessoas”, saber tudo sobre elas, das épocas da vida, do passado, de tudo… Ainda mais quando se tratam de pessoas que gosto, ou tenho algum interesse específico. Ué.. Está lá, é público, então, por que não vou ler, buscar me informar, não é mesmo? Não estou violando lei alguma. Não estou fazendo nada de errado. Apenas lendo e observando a vida de uma pessoa qualquer, assim como a minha também é observada.
Já pensei várias vezes sobre “os limites da exposição”, mas chegou um dia que eu simplesmente parei de pensar nisso senão eu ia acabar cagando regra pra um lance que não é tão simples quanto aparenta. É fato que tudo nessa vida tem limite… Mas também é preciso entender que nem só de psicopatas/pervertidos/doentes é feita a internet. Existem as pessoas curiosas, como eu.. Que não se contentam com uma fonte só e buscam tudo o que for possível. Isso é errado até que ponto? Por que hoje em dia deveríamos temer, se fizemos tanta questão de expôr a nossa vida (ou trabalho, contos, whatever..) online?
Pelo menos pra mim é agradável saber que tem gente que sabe como eu ando. Eu sou uma misantropa. Não saio de casa, não falo com ninguém, não entro em contato com muitas pessoas, por que não faz meu tipo. Mas ainda assim tem gente que sabe de mim e que, quando revejo, sabe pelo que estou passando e como estou me sentindo e isso me poupa ter que ficar me comunicando verbalmente (coisa que não gosto muito de fazer, na maior parte do tempo). Então pra que contar a mesma história mil vezes pra mil pessoas diferentes, se é só assinar o feed dessa bagaça aqui? Pra mim é prático. Me poupa e não me assusta, quando alguém já chega sabendo… Pelo contrário: me alivia de ter de dizer tudo de novo.
Mas nem todo mundo pensa assim…