Sobre os homens que me inundam
Pra início de conversa, não pensem besteira, por favor. Tá certo que esse não é exatamente um blog “de família” mas pelo menos nesse post eu não estou falando de putaria e nem de sexo, mas de relacionamentos mesmo. Relacionamentos meus, que tive.
Eu vivo dizendo que “vou morrer seca”, como se eu fosse um rio. Mas a verdade mesmo é que eu cheguei à conclusão de que eu acho que sou exatamente isso: um rio, que tem épocas de cheias e de seca.
Uma vez que fiz uma lista sobre o “par perfeito” tinha um item que dizia assim “alguém que me faça ser melhor pra mim mesma e pros outros”. Mas acho que é nisso que se resumem todos os relacionamentos. Felizmente eu tive a sorte de ter tido dois homens assim na minha vida. E o mais emocionante e interessante disso tudo, é que eles não fazem idéia (talvez façam) do impacto que tiveram na minha vida.
Mas interessante mesmo é entender e perceber que nenhum deles me deu “lição de moral” ou “lição de vida”, em nenhum momento. Pelo contrário: simplesmente foram pessoas que passaram pela minha vida. E tudo ficou por isso mesmo.
Nenhum deles me disse o que fazer em nenhum momento. Nem me recomendaram pílulas ou disseram pra procurar ajuda psicológica.
Mas eles transformaram a minha vida pelo simples fato de existirem e serem quem são.
Ambos relacionamento leves. Não houve cobrança, não houve parte ruim. Só houve o que foi necessário e verdadeiro: verdadeiras trocas e verdadeiras entregas.
Homens que eu realmente parei pra observar em algum aspecto, longamente. Observei suas vidas, rotinas, trejeitos, disabores e amores. Quis ser como eles em alguns momentos. E fiz a inveja boa se tornar em coisas boas pra minha vida. Eles me fizeram, sem querer, sem notar, nem saber, uma pessoa melhor pra mim mesma. E consequentemente, pros outros.
Impossível achar isso num homem só. Como digo ultimamente, sou uma amadora. Cada um muda em mim uma coisa diferente. Arrasta um móvel na minha casa interna. Faz uma reforma. Na verdade tudo isso é muito pouco, muito pequeno: eles abalam mesmo a minha estrutura, de vida e emocional. Felicidade é pouca coisa, perto do que eles me proporcionaram e proporcionam.
Ah, esses homens que chegam sem querer nas nossas vidas… Geniais e pessoas completamente simples. Contraditórios e bem humorados. Você não dá cinquenta centavos por eles na rua, mas eu acredito que todo o tesouro do mundo não chegue aos pés das coisas que eles são capazes de incitar. Em mim, ao menos.
*suspiro*
Mas eu prefiro mesmo dizer, com gosto, que esses são os homens que me inundam, só pelo fato de eu poder lembrar que eles existem e estão aí. Inundam meus pensamentos, fazendo da minha vida algo realmente vivo, fértil. Me iluminam o rosto e me trazem vida nova. Tudo isso por terem me preenchido homeopáticamente com momentos cheios de significados silenciosos, que só eu entendo, me fazendo enxergar o que está velado, sem me dizer, nem me insinuarem nada. Despertando em mim os melhores desejos, vontades e sensações. E me fazendo ver que eu sempre posso ser melhor.
A eles eu nem consigo ser grata, pois não sei se existe gratidão pra essas pessoas, nem pra essas coisas.
As palavras faltam quando é preciso descrever gratidão e afetuosidade, pra eles.
Tudo que é humano, parece desprovido de significado.
Tudo que é divino, também não é suficiente pra descrever o que sinto.
Então nada digo. Às vezes é melhor, bem melhor, assim.
There are things that are better left unsaid.
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