Conservadorismo e sexualidade
Estava lendo um post num blog de uma conhecida, quando me lembrei de um episódio que me aconteceu há pouquíssimo tempo. Sobre o post dela, digo que acho engraçadíssimas as conversas que as famílias conservadoras de hoje têm com seus filhos, onde eles tratam de casamento e filhos.
Sério.
Isso tá ficando ridículo já.
Ninguém mais casa e nesse mundo já tem muita gente. Será que eles não percebem esse tipo de coisa?
Sabe o que mais me dá raiva?! O “conservadorismo velado”. É que geralmente quando eu jogo o conservadorismo na cara dos meus pais eles se irritam e até mesmo se ofendem, dizendo que não são conservadores. Ah, sim… Claro. Eles realmente não eram conservadores até eu decidir colocar piercings e cobrir partes do meu corpo com tatuagens… Aí sim, era muito fácil ser “cabeça aberta” e liberal. É uma hipocrisia que (não) dá gosto de ver. Mas enfim…
Sempre falo pros meus familiares que não penso em casar (juntar talvez) e que, com toda a certeza, não penso em ter filhos. Não que isso sejam coisas certas na minha vida, mas não são minhas prioridades e muito menos meus maiores desejos e realizações. De qualquer forma ainda acho engraçado o jeito que as nossas famílias (conservadoras) se preocupam com o fato de nós, mulheres, casarmos, arranjarmos um bom companheiro e termos filhos. Isso tudo é tão demodê. Argh…
De qualquer forma, terminei um namoro em julho desse ano (tinha começado em abril). Meus pais chegaram a conhecê-lo e minha mãe gostou muito dele, mas simplesmente o lance não deu certo. Aí quando encontrei minha mãe novamente agora em novembro, quando fui passear na minha cidade natal, ela me perguntou, seca, se eu era homossexual. Por que, pra ela, “pelo meu visual”, pelas minhas “atitudes” e por eu “estar sozinha” e “estar bem assim”, tudo leva a crer que sim.
Essa foi a segunda vez na vida que ela me perguntou isso. A primeira, eu tinha 13 anos. Fico com dó da minha mãe, pois toda vez ela faz essa pergunta com uma cara de angústia, de boi que tá indo pro matadouro, quando ao mesmo tempo fala “se você for, pode falar pra mim que eu vou entender” o que é, claro, mentira. No dia que eu me disse “atéia” pra ela já foi um afoito, que dizer então “lésbica”? Mas o fato é que, por mais que minha mãe queira essa resposta, eu simplesmente não posso dizer “sim” pra ela, por que eu estaria mentindo. Mulheres não me atraem, em princípio. Não vou dizer que “dessa água nunca beberei”, por que a vida é longa e a gente nunca sabe o que nos espera. Mas, depois de algumas experiências que tive, pude concluir que essa simplesmente não é a minha preferência.
Não é pra elas que eu viro o pescoço na rua. Não gosto das formas, do cheiro,… Nada do que uma mulher linda tenha provoca em mim 1/3 do que um homem de beleza mediana, provoca. Ou seja, não tenho o mínimo interesse, mesmo.
Mas engraçado também como as pessoas se preocupam com isso né? “Fulana parece lésbica”, “Acho que fulano é gay”, “Olha o jeitinho que ele anda”… Entre outros comentários. Acho ridículas essas pessoas que ficam tentando testar o “gaydar” (radar para gays) quando elas poderiam simplesmente chegar até o outro e perguntar. Mas aí o que acontece é que se recebem a resposta contrária do que desejam, tem gente que não se dá por convencida.
Falando por mim mesma: digo que não sou lésbica, mas ao mesmo tempo não sou exatamente a pessoa mais feminina do mundo. Não me preocupo (mais) em ter um namorado, desesperadamente. Não me preocupo em “atrair homens”. Gosto mais quando as coisas acontecem da forma que precisam acontecer, gosto de relacionamentos espontâneos, mesmo que sejam breves. E gosto de homens, claro.. Gosto muito. Mas não sou nenhuma deslumbrada, desesperada e muito menos “caça-marido”. Será que isso é tão errado assim? Será que eu deveria estar com alguém só por estar? Pra provar pra sociedade (podre) que eu tenho alguém que me atura e me suporta 24 horas por dia? Por que eu precisaria disso? Pra provar o que pra quem?
Não tô a fim não. Dispenso.
Eu quero mais é ser feliz. Quero relacionamentos de qualidade e significado, com caras que realmente gostem de mim e onde tudo não vire uma obrigação, uma prisão. Já disse: quero uma vida leve. Começou a complicar demais, me trazer tristeza e dor de cabeça eu pulo fora. Não quero me arrastar nem arrastar uma pessoa na minha vida por puro e simples comodismo. Não quero ser que nem meus pais. Não preciso disso e recuso esse “valor”.
Chamem-me de escrota. Não estou nem aí. Já disse: eu quero é ser feliz.
Minha mãe (conservadora) acredita que piercings, tatuagens, independência da figura masculina e opiniões consistentes fazem de mim uma perfeita lésbica.
Mas será mesmo?
Ela está errando.. E está errando muito feio.
E o gaydar dela é péssimo também.
Será mesmo que tudo que é óbvio nessa vida é realmente tão óbvio assim?