Primeiro amor
Esses dias por aqui (Campo Grande/MS) tem sido bem agitados. Raramente fico em casa, mas acho que isso é bom mesmo. Ontem foi finados e não vou em cemitérios. Minha mãe foi por causa do meu avô. Eu ia almoçar na casa da minha madrinha, mas cheguei lá pra descobrir que o almoço na verdade é amanhã. Só aí me toquei que hoje era sexta e não sábado. Às vezes sou desatenta demais pro meu próprio gosto, mas enfim…
Fui ao shopping com minha irmã. Conversamos sobre homens. Tem sido divertido conversar sobre isso com ela. Falei com ela sobre um amigo antigo que tinha, antes mesmo do meu primeiro namorado. Aí também pensei em como será que poderia estar a minha vida caso estivéssemos namorando, ou tendo algo, hoje. Na verdade era pra gente estar namorando, não estamos por que na época, nenhum dos dois teve atitude alguma.
Era complicado pra mim, uma vez que, na verdade, eu gostava – sempre gostei – do melhor amigo dele. Heh. Por isso não ficava com ele nunca, apesar de também gostar dele. Mas enfim, achava que não estaria sendo justa com meus sentimentos (que na época eram bem – muito mais – confusos) caso ficasse com ele. Oh, well… Mas talvez isso até tenha sido bom. Mas nem me aprofundei no pensamento, não vale a pena.
Só lembrei-me dele por uns instantes. E foi legal imaginar em possibilidades que nunca existiram e nunca irão existir.
De tarde saí com uns amigos, revi umas pessoas, bebi, fumei, não comi do churrasco. Senti saudades. Fiquei na minha de novo. Me contive. Voltei pra casa e, não sei exatamente por que, fiquei meio triste. Só não sabia direito com o quê, mas acho que foi comigo mesma. Depois escrevo sobre isso, não quero perder o foco agora. A coisa é que ouvi umas músicas pra ver se melhorava. Música sempre cura tudo, dessa vez não foi diferente.
Aí, agora a pouco estava eu fuçando no orkut do menino do segundo parágrafo quando me deparo com uma foto recente do primeiro menino que eu gostei de verdade na minha vida, o melhor amigo dele. Foi um choque. Caí da cadeira. Fiquei passada mesmo. Afinal, fazem quase 7 anos que eu não o via/sabia nada da vida dele. “Como ele tá diferente”, “Como ele engordou” entre outras exclamações do tipo “puta que pariu”, “meu deus” e “caraca”.
Aí fiquei meio que contemplativa por um tempo. E depois de um tempo veio uma risada doentia incontrolável, que não parava. Não sei se de nervoso, ou do quê. Acho que de perplexidade mesmo. Nem sabia o que tava sentindo, ainda não sei. Acho que era um estranhamento mesmo, pois ele tava outra pessoa, de fato. Mas creio que a personalidade não deva ter mudado muito não. Não sei, não consegui me aprofundar em imaginar isso.
Só consegui olhar fixamente praquele rosto e lembrar um pouco do meu passado. Entrei em contato com os meus 14 anos de novo. Ele deve ter a minha idade hoje também. Mas enfim, foi estranho e foi legal revê-lo também. Não sei como seria pessoalmente, provavelmente não nos reconheceríamos na rua, ou ainda nos ignoraríamos mutuamente. Uma das duas opções. Mas ah, também não quero pensar nisso agora.
Vida esquisita.