Notas sobre a sociedade moderna

2007 Outubro 31
by Dora
  • Por que passamos nossos dias entre quatro paredes, trabalhando pela gratificação de outros, enquanto a luz do sol e a juventude passam por nós?
  • Por que nos alinhamos em sistemas polares uns contra os outros, para que possamos ser aliados ou inimigos e somos incapazes de alcançar o nível simples de co-existência?
  • Por que apoiamos ataques emocionais em nome da moral, do futuro ou da economia quando todas essas coisas nos ameaçam inividualmente de maneira tão fraca?
  • Por que acreditamos que sexo é uma questão moral e não cármica? Seja uma vadia, lindinha, o problema é seu, não meu; você é a única pessoa que vai ter de aturar quando ficar sozinha.
  • Por que estamos em guerra com nossas próprias fraquezas nas fraquezas alheias?
  • Por que assumimos que nossa estatura seja qualquer outra além dos macacos ambulantes que somos? Por que assumimos que é diferente estar em qualquer outro lugar ou que os outros tem objetivos básicos diferentes dos nossos?
  • Por que vivemos nos alimentando de culpa, para morrer em abnegação e arrependimento, quando poderíamos viver por viver e morrer sem arrependimentos, culpas ou privações?
  • Por que as pessoas mais velhas estão amarradas à existência de seu emprego, identificando a si mesmas por seu trabalho, e acham a si mesmas como sempre insatisfeitas entretanto mais previsíveis, mais padronizadas a um objetivo?
  • Por que condenamos assassinos, nesse mundo de frustração constante e imposições insanas que temos uns sobre os outros?
  • Por que continuamos a produzir e comprar produtos industriais quando cada um de nós vê como produtos industriais envenenam nosso mundo, nos trazendo câncer e nos forçando a trabalhos mecânicos?
  • Por que quando temos cérebro para fazer melhor, todo mundo se faz de coitado e reclama? Por que as pessoas defendem tanto seus empregos e sua prostituição por ele em grande escala, em defesa de um pequeno poder ilusivo que justifica o seu confinamento?
  • Por que nós somos tão pretensiosos em relação à educação ou ambição ou individualismo, quando é óbvio que nós somos gado que gera lucro, do nosso nascimento à nossa morte?
  • Por que permitimos a pretensão de nossa individualidade e permanência individual para ficar a frente da ação coletiva?
  • Por que as pessoas, quando cara a cara com a morte, geralmente escolhem um comportamento evasivo e de desapontamento a longo prazo, em troca de uma confusão a curto-prazo que confortavelmente removerá a questão de sua forma de percepção?

Você pode encontrar facilmente as respostas pra tudo isso numa forte autoridade (governo/religião), objetos materiais (sistema), sedução (sexo), intoxicação (drogas) e entretenimento (internet/tv/música), mas as respostas mais fáceis e indissolúveis nunca são as que resolvem o problema – são apenas as que o escondem.

  • Falta de auto-estima.
  • O peso da tomada de decições vale mais que uma visão esperançosa.
  • Controle social demanda obediência e morte intelectual, ou rebelião e dor constante.
  • Nossas memórias são mais claras para nós por que nós damos valores a elas; a realidade, entretanto, é feita de uma textura melhor e não é ainda tão bem conhecida.
  • Nós perturbamos nossas almas, não por ter visto a feiúra, mas sim por ter corrido de medo dela antes que pudéssemos ver a sua real beleza.
  • Muito do nosso sofrimento é designado para que ganhemos do fardo que nos é imposto como um escudo e uma justificação para inação.

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Traduzido daqui.