“eu pulo tu puxas ele empurra nós caímos vós sorris eles saem” .
“O menino não tinha ossos nos dedos. As coisas caíam das mãos quando ele segurava. Ele chora sempre que isso acontece. Mas ele tem ossos nos pés. Então ele caminha. Porque quem não pode segurar algo por muito tempo sai andando.
Saca?”
.
“Acho que assim como nossos sentidos filtram um pouco de estímulos para acreditarmos que existe uma coisa chamada mundo a nossa mente filtra as informações pra acreditarmos que existe uma coisa chamada personalidade.
Acreditamos nas nossas paranóias e mentiras. Construímos muralhas impenetráveis e escondemos lá dentro um monte de entulhos que já apodreceu. Então dançamos ao redor deles e dizemos: isso é a verdade, a realidade.
Foda-se.
Não passa de um imenso rebanho neurótico tecendo verdades que protejam seus instintos primais. A saída é enlouquecer de vez ou se render. Por enquanto eu me rendo.
Comprei minha ilusão e acredito nela mais do que acredito no palpável.
Agora ela existe. E está viva.”
“Se você parar por alguns segundos irá perceber uns cutucões nos pés.
Corra. São as raízes. Elas querem se fixar. Não deixe.”