Continuidade..
Em qualquer relacionamento, essa sensação que algumas pessoas têm – e muitas vezes não conseguem detectar, nem se tocar – de que “perderam” é muito estranha. Em um dos meus casos, por exemplo, a minha mãe me perdeu pra vida. Poderia ser pro meu marido, ou pra qualquer outra situação pior, como a própria morte. Mas ela não se conforma. Sei como ela se sente, por que eu já senti (na verdade acho até que sinto ainda) o mesmo, só que numa outra situação.
Mas, de qualquer forma, acredito ter me conformado bem com a situação (ou talvez eu esteja no meio desse processo, ainda não sei bem. Maldita mania de precisar ser posta a prova toda vez). Uma coisa é certa, em todos os relacionamentos: é preciso saber perder as pessoas, é preciso reconhecer que o relacionamento está perdido, ou então que mudou bruscamente e que nunca mais será o mesmo, não importa o que aconteça.
Isso chama-se amadurecimento, palavra que uma pá de gente desconhece (eu inclusa). E quem percebe essas coisas e trata de agir logo, comportando-se de maneira (não-)conformista sobre o que acontece, é uma pessoa sábia. Às vezes não é nem questão de conformismo, mas sim de continuidade… De saber lidar com a situação da melhor forma possível. As coisas continuam, as pessoas continuam… Mas os sentimentos se transformam no que? Como podemos reaproveitá-los, sem perder a nossa vida, auto-estima, amor-próprio? Sem viver com dor?
Não estou falando de nada dessa porra de pensamento ridículo que é “pega a senha, que a fila anda”. Mas sim algo muito mais profundo e elaborado que isso, é um lance holístico-existencialista mesmo, que faz uma ruptura em todas as convenções sociais existentes. Como isso é possível não sei… Mas não duvido que seja possível de fato. Acho que isso é uma coisa que só eu penso e que só eu entendo. Devo ser louca. Prova disso é a minha total incapacidade de deixar esse meu pensamento isso ainda mais claro pra outras pessoas, pois isso é praticamente impossível.
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Escrito em 11/03/2007