PoA – V/V
Sábado de manhã e minhas coisas ainda não estavam arrumadas. Peguei o que estava em cima do sofá e fui colocando displicentemente dentro da minha mochila. Não foi a toa que esqueci algumas coisas e trouxe outras comigo. Já eram umas 10 horas da manhã quando pegamos um táxi e fomos pra rodoviária. Eu ainda nem tinha comprado minha passagem de volta, mas comprei uma convencional pela Santo Anjo. Achei estranho quando entrei no ônibus e vi que ele era novinho em folha. Achei mais estranho ainda quando o ônibus começou a viagem e eu me toquei que ele tava indo direto, sem parar em cidade nenhuma, o que foi uma bênção. Mas enfim, vamos por partes.
Pedi uma torrada (misto-quente, pro resto do país) antes de subir no ônibus, mesmo por que não gosto muito de descer em postos e essas coisas a não ser que eu realmente precise. Depois conversamos sobre biblioteconomia, sobre a academia, a profissão e coisas a fins. Também conversamos sobre viagens pelo mundo e sobre onde pensamos em ir, o que fazer, onde visitar, por quanto tempo ficar, etc. Foi bacana, mas sempre de olho no tempo pra não perder a hora. Meio dia eu iria embora. E assim foi. E aí eu fui embora, né? O que mais posso dizer? A vida é assim mesmo sempre: ou eu acabo deixando as coisas, ou são elas que me deixam. A solidão é sempre inevitável.
Eu sempre disse o que sempre digo pra quem quer que me hospede: “Obrigada por tudo”. E sempre falo isso do fundo do meu coração, de verdade mesmo. Acredito piamente que a maioria das pessoas esquece de agraceder às outras por qualquer coisa… Tento não cometer esse deslize. A bem da verdade é que detesto despedidas. Acho que alguma vez eu já escrevi sobre isso. Não gosto. Elas parecem falsas. São teatrais demais e também não gosto disso. Tento ser o mais tranquila possível, por que geralmente esse é um momento bem desagradável mesmo. Dessa vez, como sempre, tentei dar uma de durona… De deixar por isso mesmo. Um tchau, um beijo, um até mais ver, sem muita demora. Talvez um tchauzinho de longe, num último olhar… E é isso o que mata.
Ok. Entrei dentro do ônibus, fundão. Sentei. Suspirei. Peguei o iPod e foi eu começar a ouvir as músicas. Aí sim a única coisa que eu sabia fazer era chorar e chorar. Por um tempo. Mas depois passou. Depois dormi e a viagem foi rápida. Cerca de 8 horas mais tarde desembarcava em Floripa, onde o céu ameaçava chover o tempo todo e eu me preocupava de chegar enxarcada em casa. Mas isso não aconteceu. Cheguei em casa e ela tava aquela zona na qual a deixei. Pronto: já estava de volta na minha vida. Suspirei. Não de alívio, não de cansaço. Acho que foi o suspiro mais indiferente que dei na minha vida. E a vida é isso aí.. Talvez eu precise de mais suspiros como esses.
trimassa. relatos “estrangeiros” sobre porto alegre são interessantes. só porque são de fora, enfim..