Cupido venha!

É sempre assim. Muros altos, grades e espinhos de ferro por fora, um jardim de primavera e puro frescor por dentro. Quem não me conhece que não (sic) me compre… Costumo dizer que as coisas que eu sinto são jardins secretos dentro de mim. Nunca sei o que eu posso encontrar, mas quando encontro é sempre muito lindo e agradável. E é engraçado por que não é todo mundo que consegue entrar nesse jardim.. E na verdade nem eu sei direito quais são os requisitos, a verdadeira chave, pra fazer essa grade se abrir. Reciprocidade talvez… Mas também nem é só isso, mas muito mais coisas que eu não consigo imaginar agora.
A coisa é: o que a gente faz quando a nossa vida nos prega peças? É engraçado isso… Até hoje eu não entendi a paixão, como ela funciona. Pretensiosa pra caralho né? Pois é.. Acho que a paixão foi feita pra não se entender mesmo, pois ela é uma coisa maluca.. Que nos faz agir como doidos, e que nos enlouquece. No meu atual estado, sou suspeita pra falar disso, mas falarei sem medo nem vergonha, pois já não sei mais de nada mesmo. Acho bizarra a minha mudança de comportamento. Num momento sou extremamente fria e cética.. E quando menos percebo já estou comprando a minha passagem pro inferno e achando a coisa mais linda do mundo! Parece instabilidade né? Pois é. Mas é aí que você se engana e não. A paixão (coisa que sinto nesse exato momento), ao que tudo indica, de acordo com as minhas vivências, é de natureza instável mesmo. Você age sem perguntar por quê. Simplesmente age.
Porém.. Quando lidamos com relacionamentos razoávelmente mais estáveis (e surpreendentemente mais delicados), por assim dizer… Ou quando temos um pouco mais de entendimento claro das conseqüências, a coisa muda de figura. Ou toma-se uma decisão, ou se é feita de besta por muito, muito tempo. Não obrigada. Existe muito homem no mundo pra eu ser feita de otária por um só a vida toda. Se for pra esculachar, que seja esculachada por geral. Nada disso de “Meu amor eu te amo e seremos felizes juntos para o resto da eternidade, enterrados lado a lado..”. Adquiri nojo profundo por esse tipo de pensamento esse ano mesmo. Pieguice extrema tem limite. Tudo tem limite nessa vida, inclusive a minha paciência. Tem artista que diz que quando tá apaixonado perde a criatividade. Acho que deveria ser o contrário. Justamente o contrário. Se a paixão não causa incômodo e desconcerto, então olhe de novo: pois não deve ser nada, mesmo. Sei que vou soar repetitiva, mas não custa: não suporto gente que não sabe identificar o que sente. E também não suporto gente que não sente as coisas mexicanamente, no sentido de ‘intensamente’, não no sentido de ‘cafonamente’.. nesse caso.
Foda mesmo é a paixão que beira à loucura e falta de bom senso, aquela coisa eternamente adolescente e inconsequente, Romeu e Julieta, de querer se ver o tempo todo, de querer transar o tempo todo, de sentir tesão só de olhar pro outro, por mais que ele não esteja fazendo nada demais. Isso é vida, cara… O resto é brincadeira. Fala sério: não existe NADA melhor do que se sentir com 16 anos, de novo e de novo. E é essa vontade, essa paixão louca, coisa inexplicável, sorrateira e repentina é que faz tudo na vida valer a pena. E falo que a vida é sacana por que justamente quando termino de dizer mil vezes pra mim mesma que “nunca mais terei arroubos de loucura”, “nunca mais irei me comportar desregradamente”, “vou morrer seca“, é que me aparece uma pessoa. Exatamente na hora em que concluo e assino embaixo, ele aparece, rasga o meu discurso e ainda diz “Deixa de bobageira que isso não serve pra nada menina!”. Invade a minha vida e me desconcerta por inteira. Me desconstrói, pra construir outra eu… A nova eu. Fico besta, sem reação, desarmada. E gosto. Gosto pra caramba.
Vira pra mim e diz “Ei, nós somos parecidos”.. “Ei, garota… Por que não?”. E eu até que me esforço relativamente… Pra achar que tem motivos pra não ser “nada disso que eu estou pensando” e pra “não dar certo”. Esboço algumas desconfianças, tento achar pontos negativos. Mas não consigo manter a guarda alta por muito tempo, por que é tudo muito transparente e verdadeiro. Na verdade, não consegui manter a guarda alta por tempo nenhum. Eu sei que lutar contra essas coisas é pura perda de tempo e juventude… A quem estou querendo enganar? O acolhi em mim e nos meus sentimentos como se acolhesse a mim mesma, como “se fosse pra ser” como dizem nos filmes e nas músicas. Não senti medo no início, mas agora que a coisa tomou uma outra dimensão, eu acho que sinto. Mas é mais insegurança e ansiedade naturais do que medo propriamente dito. E o mais contraditório e louco de tudo é que é uma insegurança completamente segura de si. Posso não saber onde estou pisando, mas sigo em frente.. Uma rosa na mão e afagos na outra e acho que nada pode me parar a essa altura…
Bem… Escrevi tudo isso só pra dizer que vou fazer um mini tour por aí. De 16/10 a 20/10 estarei em Porto Alegre/RS e terei os dias mais belos, apaixonantes e intensos que uma pessoa de 23 anos pode ter. E de 21/10 26/10 a 07/11 em Campo Grande/MS, primeiramente pra ficar com o meu pai no aniversário dele (sinto muito a falta dele) e pra rever todas as pessoas que dizem sentir a minha falta… Enfim… É isso.
Imagens: Mademoiselle Personne’s dementia @ flickr & Annes Grove.
P.s.: Esse post foi escrito sem o mínimo medo de soar piegas ou de não fazer sentido nenhum.