Muito barulho por nada..
O clichê que é o título desse post já demonstra a minha infinita preguiça de escrevê-lo, mas já que comecei vou até o fim. Passeando pela blogosfera dia desses, não lembro onde achei o banner com link pra campanha “Usura Não“, promovida pelo Treta. Suspeito ter conhecido o Treta, pelo Eu Podia Tá Matando, mas ainda não tenho certeza, enfim… A única certeza que tenho é que estou acompanhando o twitter do Treta faz algum tempo já. O blog, confesso, nem tanto. Mas voltando ao “Usura Não“, ao ver o banner saquei que tinha alguma coisa a ver com troca de links, etc. Ok.
Eis que hoje estava fuçando no twitter quando me deparo com a seguinte chamada “Cutucando o kibe com vara curta… Antônio Tabet Facts no TRETA“. Ok.. Fui ver o post e achei engraçado até. Aí me lembrei da campanha e busquei pelo post. Me esforcei pra lê-lo na íntegra e incrívelmente, apesar da dislexia causada pela sonolência e falta de interesse latentes, eu consegui! Não há absolutamente algum mérito nisso, mas tudo bem. De qualquer forma o post limita-se a reclamar da falta de reciprocidade “na rede” e, de quebra, apontar o Kibe Loco e o “jornalismo” online de sites como o Terra, como exemplos claros disso. Cara.. Isso tudo dá muito pano pra manga… Mas vamos por partes, devagar e sempre..
Acho até interessante a campanha “Usura Não”, mas prefiro não fazer parte dela. Acredito que nessa questão é preciso separar o joio do trigo. Pra mim, existem duas formas de linkagem: a do blogroll e a citação da fonte.
Sobre a linkagem blogroll: Não quero ser obrigada a linkar blogs que não são do meu interesse. Se alguém com um blog desinteressante me linka, não me sinto na obrigação de linká-lo de volta, mesmo. Tá certo que o meu blog não é grande coisa, mas enfim.. De qualquer forma, não me incomodo com amigos blogueiros que tenho e não me linkam em seus respectivos blogs.. Eu simplesmente não me importo, mesmo.
Sobre a citação de fonte: Se eu acho o conteúdo de alguém interessante e o republico, faz parte da minha educação retribuir com um link, citando a fonte. Mas, enfim.. Nem todo mundo é obrigado a pensar como eu e a ter isso que chamam de “etiqueta de blog”..
Agora a bomba: … entretanto, os que não pensam assim estão automaticamente fora da blogosfera.
Ou seja, o lance não é dar atenção pra esses caras, mas justamente excluí-los e marginalizá-los. E não haverá nada de errado nisso, pois o sentimento estará sendo recíproco. É pensamento de tribo: eles não fazem mais parte da nossa. Simples assim.
Desenho:
A blogosfera é um ambiente feito de pessoas para pessoas, certo? Quando um dos aspectos desse ambiente é falho – no caso o aspecto da reciprocidade – ela já reduz, drasticamente o seu potencial comunicativo-interativo… Não? Pois então. Já não é mais “blogosfera”… É outra coisa pra qual ainda não inventaram um nome. Acredito que quando um blog limita-se a se comportar como uma televisão ou como o “jornalismo” online atual, ele automaticamente deixa de ser blog e torna-se [insira neologismo aqui]. Se o blogueiro em questão não se permite usar boa parte das possibilidades que a plataforma e o ambiente dispõem, é por que o propósito inicial já foi mudado… Então pra mim, pessoalmente, já não é mais blog. Aliás, é qualquer coisa, menos blog. E o blogueiro, já não é mais blogueiro também… É publicitário, apresentador de TV, qualquer coisa, etc. Ele está fora da comunidade Creative Commons e dentro da Indústria Cultural e da Cultura de Massa (eu sabia que estudar teoria da comunicação ainda ia prestar pra alguma coisa nessa vida…)
Enxergam a diferença? É um outro mundo. Não “nos” pertence mais. Está fora. É marginalizado justamente por ser über-mainstream. Não é questão de “mão de vaquice”, simplesmente é o que é: conteúdo feito pra gado. Não que o produtor seja um gado, mas enfim… Não se façam de desentendidos, vocês entenderam!
Outro fato que a maioria das pessoas (blogueiros?) precisam entender é que hoje em dia “As pessoas da “internet” que estão por aí socializam-se através de televisões com teclados“. Ou seja, tudo depende da forma que você encara esse veículo. É uma escolha pessoal. Se pra você a internet e as possibilidades da grande rede limitam-se a uma imitação barata de televisão, tudo bem, seja feliz com isso. O curioso é que, apesar de eu considerar isso totalmente antiquado e um verdadeiro atraso, é o que as pessoas mais fazem pelos mais variados motivos, sendo que o mais freqüente é o desconhecimento das ferramentas online. E como podemos dizer que o comportamento da Massa amorfa de milhões de pessoas é certo ou é errado? Não podemos julgar. Ela é muito maior e muito mais poderosa que qualquer minoria. Vejam bem: não estou falando que ela é “certa” ou que é “melhor”… Estou falando que ela, a Massa, inegavelmente tem poder e isso não é passível de discussão.
A bem da verdade, não há certo, nem errado aqui na blogosfera. São muitas pessoas, muitas vozes ao mesmo tempo e cada uma com um discurso. Cada um defendendo o seu cada qual. Ninguém aqui está no direito de ser justiceiro ou se sentir injustiçado: só o faz se assim o quiser (seja lá por qual motivo escuso for). A única coisa que, nós blogueiros, temos de igual mesmo, é a plataforma. Fora isso, cada um segue por caminhos diferentes: uns se dão bem e outros não. Eu prefiro valorizar o que é seleto, ao invés de valorizar o que é da massa. [ironia]Eu só valorizaria o que é bom pra massa se eu quisesse dinheiro, muito dinheiro, dinheiro pra caralho! Mas não.. Não por enquanto (haha!)[/ironia]. “Blogs” como o do Kibe Loco, eu simplesmente desconsidero não só enquanto blog, mas também como entretenimento por que não faz o meu tipo (justamente por se assemelhar demais com a TV). Meu humor é outro.
Acho que a linkagem deveria ser muito mais uma questão de educação e de cultura, do que uma questão de mendicância. E a cultura quem faz são as pessoas, são grupos, sociedades, etc. Ou seja, alguns precisam dar o exemplo: que sejamos nós então. Tudo gira em torno de comunidades e nichos hoje em dia e, aparentemente, tem muita gente (profissional, ainda por cima) que não está sabendo aproveitar isso como deve. Estão insatisfeitos com a cultura blogueira atual? Criem uma nova cultura, uma anti-cultura ou uma contra-cultura (Exemplos: underblogs, harsh blogging, jornalismo gonzo,.. Tem vários sabores, é só escolher. Como? Usa a criatividade..)! Nada mais justo do que subverter a “ordem” ainda mais quando o ambiente é propício e as pessoas que aqui estão permitem isso! Ou façam que nem o Tabet e se apeguem a uma cultura pré-existente, fiquem ultra-famosos e dêem-se por satisfeitos. Postar bobagens, fazer milhares de brasileiros bobos rirem da própria desgraça e ainda se dar bem com isso, realmente, é pra poucos. Aliás, é pra um só, aparentemente.
E eu não quero ser advogada do diabo nem nada mas eu tenho uma pergunta: até agora alguém já se preocupou em escrever um “Código de Ética para blogs”? Algo que fosse mínimamente oficial? Não?! Bem… Se isso não aconteceu, então é possível se fazer de (quase) tudo por aqui ainda, inclusive não colocar links de volta no seu “blog”, se você assim o quiser. E pode de fato até não ser ciúmes o motivo do post do Treta, mas infelizmente, pra mim é o que aparenta. A diferença é que eu e a Massa vemos isso de perspectivas completamente diferentes. E pra finalizar, por que esse post já tá extenso demais pra um blog, eu cito um dos caras que eu mais admiro “Idiots are fun – no wonder every village wants one…” Dr. Gregory House M. D.
Resumindo: só se faz de idiota quem tá muito a fim..
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Carai, acho que esse foi o post mais irritantemente neutro que eu já escrevi na minha vida. Eu tenho que parar de ler Umberto Eco.