Tropa de Elite, o filme

2007 outubro 5
by Dora

Ontem eu estava tuítando quando vejo uma mensagem do Ian Enloucrescendo com o link pro filme Tropa de Elite. Fiquei meio ressabiada de assistir, mas porra, se já tá aí mesmo, todo mundo já viu, então por que não né? Não consegui resistir antes de chegar ao cinema e assisti aqui em casa (numa péssima qualidade confesso), pelo Google Vídeo. Acho que isso de “péssima qualidade” é coisa minha, pois pra mim nenhuma qualidade é superior a uma grande tela de cinema. E não tô falando isso por que visto a camisa do “sou contra a pirataria” ou ainda a camisa do “apoio o cinema nacional”, mas por que é uma coisa minha mesmo.

Já tinha sacado pela internet alguns lances que tinham a ver com o filme lá no Silveira, na Folha eu cheguei a ver que o filme teve a estréia adiantada em Sampa e no Rio pra hoje, até eu tropeçar não lembro aonde com o blog do Capitão Nascimento. Acabei de ver também a matéria promocional que o Fantástico fez sobre o filme no YouTube. Como se ainda precisasse. Acabei de saber através de um amigo no msn, que o filme tem final diferente no cinema. Melhor ainda, fiquei com mais curiosidade ainda de rever. Mas acho que já rola fazer um post comentando as primeiras impressões que tive, depois de assistir o filme duas vezes.

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Wagner Moura, como Capitão Nascimento no filme Tropa de Elite

Aviso prévio: os textos abaixo podem conter cenas do filme (SPOILERS). Se você ainda não viu o Tropa de Elite, o que é pouco provável, por favor não leia. Não reclame, você foi avisado.

Impressões rasas:

  • A cena dos estudantes fumando maconha na ONG ficou forçada além da conta,… Caricata mesmo. Não sei se essa foi a intenção do diretor, mas aquilo ficou bem surreal na minha opinião. Na boa, ninguém aperta um beck daquele tamanho no meio de uma tarefa de sociologia, porra! Podem apertar antes, depois, mas durante..? Sei lá, me pareceu muito exagerado, mas… Melhor nem duvidar que aconteça, de fato..
  • Wagner Moura foi in-crí-vel! Eu consegui sentir bem todos os momentos de stress e grande angústia do Capitão Nascimento. Não dá pra acreditar nesse personagem incrível que intercalava momentos de tensão máxima, com momentos de ternura ao saber do filho que estava pra nascer. Acho que é isso o que fez com que esse personagem fosse tão carismático. Muito bom.
  • Achei interessante o ritual de iniciação do BOPE, queria comprar o livro pra entender em mais detalhes. Mas uma coisa que não entendi direito, foi o personagem Matias (André Ramiro) fazendo treinamento e as missões do BOPE de óculos. Porra.. Pode isso?! Róla fazer treinamento de óculos? Por que não botou lente? Sei lá, ficou estranho isso, achei que não pudesse…
  • Não rola dizer que o sotaque baiano do Wagner Moura é evidente hoje em dia, por que de fato não é mais. O engraçado é que ele tentou não demonstrar o sotaque baiano, mas uma coisa é lei – e eu já vi isso em várias situações da minha vida – não sei por que acontece, mas nos momentos de raiva (ou de grande emoção) a pessoa que tem um determinado sotaque, nunca consegue disfarçar. E na raiva o sotaque sempre se exterioriza muito mais. O “nojinhu” na “hora do almoço” deixou claro isso. Sempre escapa… Mas foi bacana.
  • O Neto (Caio Junqueira) também foi impressionante… Ele tinha uma puta cara de banana no início do filme e no final ficou com cara de bad motherfucker, careca com aquela cara de “do mal”. Nunca tive atração por homem de farda, nem nada do tipo… Mas ele, se me olhasse daquele jeito eu pegava.. Hahah..

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Caio Junqueira no papel de Neto ‘Bad Motherfucker’… Aoooo lá em casa hein…

Impressões levemente elucidativas:

  • A impressão que o filme dá é que, pra ser um oficial do BOPE, muito além de ter um caráter honrado e ser um puta de um cara durão, você precisa ser um “revoltado de nascença” ou no mínimo um “revoltado por dentro”. Passividade o caralho, o cara tem que ser “cába hômi”, em todos os sentidos. Carregar a revolta consigo e querer fazer algo pra mudar a partir disso, ter a revolta como engrenagem principal das suas ações, mas ao mesmo tempo com muita serenidade. Isso dá pra notar quando o Capitão Nascimento diz, no final do filme que ele queria o ‘coração’ do Matias.
  • Uma das cenas que mais gostei foi a de Matias durante a “passeata pela paz”. Aquilo foi muito impactante e vai ser ainda mais pro bando de afetados, hippies, pacifistas cínicos, pró-direitos humanos que forem assistir. Mas ainda acredito que essa cena lavou a alma de muita gente. Sempre assisti a essas passeatas e movimentos pela paz com a maior desconfiança do mundo. Acho que tem mais é que meter “Polícia” mesmo no meio desse bando de “Shinny Happy People All the Time“…
  • Ao longo do filme, é possível também ouvir o que eu chamo de “desculpas”: “Mas eu sou estudante” ou ainda “Eu sou pai de família”, como se fossem os únicos do mundo. Bem, eu sou uma estudante que não mexo e evito andar com quem mexe com coisa ilícita, por isso não me fodo (nem sozinha e nem por tabela). Meu pai, é um pai de família que também não coloca a si mesmo, nem à minha família em risco. Quem se põe em risco, não tem do que se desculpar. “Ser alguma coisa” não é desculpa pra safadeza, desonestidade e maracutaia.
  • No final do filme que eu vi, achei um tanto quanto estranho… Bem no finalzinho, Matias parece hesitar em atirar na cara do Baiano. A gente ouve o tiro, mas não vê a cena. Fica tudo meio que subentendido… Será que no cinema vai ser diferente disso?
  • Não reclamarei das quantidades de tapas na cara dados nesse filme e nem das cenas de tortura e violência exagerada. Aprendi na faculdade e ainda é uma das únicas coisas que lembro com frescor: o homem, independente de que país ele estiver, só é capaz de entender três línguas: a do conhecimento (escrever, ler o idioma nativo), a do dinheiro (ou a de dar valor a uma coisa em específico) e a da porrada (tortura, agressão física, tapa na cara). Ou seja, as coisas “no sistema” funcionam de acordo com a língua que eles priorizam ou deixam de priorizar. Falar educadamente ou pedir com jeitinho (conhecimento) muitas vezes não funciona com pessoas que só se limitam a entender as línguas “dinheiro” e/ou “porrada”. Será que me fiz entender? Acho que isso resume bem a minha opinião.

Algumas frases que gostei:

“Pra mim estratégia só tem lógica quando a operação tem sentido” – Eu sei disso por que às vezes me pego fazendo estratégias e maquinando lógicas pra coisas que não fazem sentido algum! Ou seja, frase de grande valia. Mas se as coisas não são pra fazer sentido mesmo… Aí são outros 500..
“Se x fosse = y, a minha vida seria bem mais fácil. Mas quem disse que a vida é fácil?” – Verdade dolorida…
“Tá fora de área (o celular)”.. “Deixa recado capitão, deixa recado” – Haha.. No meio do tiroteio imagina o cara mandando sms… É mole?
“Eu só vou dizer se você me prometer que não vão fazer mal pra ela..” – Que demonstra o quanto a classe média é de fato, ingênua mesmo..
“Pede pra ir embora, seu merda!” – Tem gente que não pede pra ir embora nunca…
“Bota na conta do Papa” – Essa vai ser fixa agora no meu vocabulário..