Ética, princípios e honestidade

2007 Setembro 28
by Dora

Existem certas coisas que, não importa o quê, eu simplesmente não faço. Independente do que as pessoas forem pensar ou julgar. Aliás, não gosto daquelas pessoas pobres e vazias que vem com o papinho muquirana de “Não me julgue, você não me conhece, não paga minhas contas e blábláblá!”. E daí que eu não te conheço? Se você me prova por meio de ações ser um tipo de pessoa, eu não preciso pagar suas contas pra poder te criticar. Eu critico mesmo, até que se prove o contrário. Esse papinho muquirana de que “você não me conhece” pra mim, em primeiro lugar, é coisa de gente que não se garante com porra nenhuma.

Enfim se acho que algo não é legal, não faz meu estilo, não faço. Na verdade nem considero. E olha que eu sou bastante liberal pra maioria das coisas. Mas existem exemplos de comportamentos que eu não adotaria nem por dinheiro e nem por ‘diversão’. Tem coisas que são perigosas, nunca sabemos o que pode acontecer. E como a minha imagem e o meu nome é tudo o que eu tenho, independente do que for, eu nunca me arrisco. Não gosto de botar a minha dignidade em jogo, nunca. Por mais que prometam mil coisas de que “tudo vai dar certo no final”, não dá pra ter certeza de nada, nunca, nessa vida. E eu sei, entendo que a intenção pode até ser das melhores mas… É a tal da coisa… Gato escaldado… Pra bom entendedor…

Se você gosta de “dar um jeitinho” pra tudo e acha muito normal botar a cara a tapa em qualquer situação que tenha uma possibilidade (mesmo que ínfima, improvável de) te causar constrangimento/problemas futuros, problema seu. Vá em frente e seja feliz. Só não me peça pra concordar com você e de achar o que você faz bonito, por que eu não vou fazer isso. Isso me lembra da Gretchen falando, na maior cara de pau, como se fosse a coisa mais bonita e honesta do universo: “Fiz isso (filme pornô) por dinheiro, mas foi contra os meus princípios“. Com a Íris Stefanelli (Siri, do BBB) foi a mesma coisa, dizendo que se não fosse pelo dinheiro, não posaria nua. Porra, mas que putaria é essa? Que mundo é esse que eu tô vivendo caralho? Por que será que os políticos – igualmente safados – desse país que eu vivo não se assumem desse jeito também? Seria interessante ouvir da boca de um corrupto “Fiz desvio de dinheiro público por que eu precisava mesmo, mas foi contra meus princípios, eu juro!”. Vou te contar viu… É brincadeira…

Tenho muito mais simpatia por justificativas legítimas do tipo “fiz merda mesmo e daí?” ou “fiz merda mesmo agora vou consertar/pagar por isso”, do que por hipocrisias descabidas como o tal do “jeitinho”, ou o “deixa disso”, ou ainda “deixa isso pra lá, o que que há, o que que tem?”. O dia em que as pessoas começar a assumir suas putices o mundo vai ser outro. Mas o que irrita na verdade não é tanto o “jeitinho” em si, mas as pessoas que criam essa cultura burra de achar que quem justifica seus motivos (apenas pelo ato de se justificar) está sendo “honesto” consigo mesmo e com os outros. Honestidade porra nenhuma! Acho surreal como a maioria das pessoas esse tipo de comportamento (de se justificar) absolutamente normal e, ao mesmo tempo, condenam as pessoas que assumem seus atos, mesmo que sejam errados, julgando-os de “frios e calculistas”. É… Tem coisas que eu simplesmente não entendo nas pessoas. E acho que nunca vou entender.

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Escrito em 25/05/2007
Última edição em 28/09/2007