É normal perder amigos com o tempo?
Ontem alguém achou o feed de uma das minha milhares de tags com essa pergunta. Me chamou a atenção por que a pergunta me pareceu muito ingênua de início, mas quando tentei responder ela a mim mesma é que vi que me enrolei toda e me estendi demais.. Aí senti a necessidade de um novo post.

Nunca tive muitos amigos, mesmo. Na minha época mais nova era difícil achar gente com gostos parecidos com o meu na minha cidade, então eu ficava na minha. Só quando fui fazer 16 é que eu tive alguns amigos.. A bem da verdade é que, depois disso, eu só me ferrei com amizades, a vida toda. Mesmo. Me ferrei tanto, mas tanto que hoje, sozinha, ou apenas com amizades superficiais, me sinto relativamente melhor. Eu sei, é chato, é triste, mas ao menos é seguro. E pelo menos eu reconheço e assumo isso. Engraçado mesmo são pessoas que são completamente sozinhas (ou seja, cercadas de pessoas com pouco ou sem significado algum pra sua vida) e não se dão conta disso..
No meu caso, constatei que depois que você se afasta de fato das pessoas e vira meio que loba solitária por um tempo, é possível enxergar as coisas, as pessoas e as situações de uma outra forma.. E isso é muito positivo.
Hoje eu diria que perder amigos não só é inevitável, como essencial. Não adianta.. Você pode até querer ser o mesmo a vida inteira e/ou ser amigo de todo mundo, mas isso é humanamente impossível, da mesma forma que é impossível agradar a gregos e a troianos ao mesmo tempo. “Quem é amigo de todo mundo, não é amigo de ninguém” e assim vai… Amigos vem e vão e quando não são as circunstâncias cotidianas que os levam, é a própria morte.. Ou seja, não existem muitas alternativas. Mais cedo ou mais tarde as diferenças se revelam e resta apenas o que é importante, ou não resta nada.

Fato: se a amizade não perdura, é por que ela, de fato, não era tão importante assim.. É ilusão achar que teve um grande amigo sendo que a amizade acabou por desententimentos óbvios. Só se perde um grande amigo, de verdade, quando ele morre. Fora isso, é ilusão achar que o que aconteceu foi amizade. O que aconteceu, na verdade, foi um grande equívoco, apenas.
Mas não esquento mais a cabeça com isso não. Hoje em dia eu gosto da maioria das pessoas que estão a minha volta e gosto de interagir com elas, mesmo. Mas não vai muito além disso. Hoje em dia me considero drasticamente reclusa e reservada. Pode não parecer pela “exposição” que tenho aqui no blog e em outros lugares virtuais, mas eu lhes digo com toda certeza: não ponho minha alma – por assim dizer – aqui. As palavras que escrevo não são etéreas, quase tudo aqui é efêmero… Então não tenho por que me preocupar. Acho bem ridículo essas pessoas que se expõem até os ossos e depois de um tempo reclamam da falta de privacidade. Quanta bobagem..
Enfim… Em relação a amizades, eu acredito que tudo faz parte de um grande processo contínuo do que somos, do que queremos, do que fazemos e do que vivemos. Pessoas mudam: pra pior, pra melhor.. Mas pessoalmente, eu prefiro exercitar a minha frustração sempre, assim não tenho surpresas desagradáveis ao longo do caminho. É certo que alguns sentimentos perduram, mas é preciso cuidar para que eles não se demonstrem doentios, viciados e degenerados. Por vezes nos curamos, por outras não, é uma questão pessoal.. E eu nem sempre escolho o que me convém, pois nem sempre o que queremos a curto prazo é o melhor.. Na verdade isso é bem raro..
Com images do blog Catedral.