Sensação de perda
Dora: Então… Acho que lá pelo dia 12 de outubro vou estar em Campo Grande. Aí aproveito o embalo e quando você entrar de férias a gente desce juntas aqui pra Floripa. Minha mãe me quer debaixo da asa dela por uns dias, minha madrinha quer me ver, minha tia já tá achando que eu a odeio e meus amigos idem..
Marlany: Mas você quer ficar só uma semana em Campo Grande?
Dora: Sim. Já é mais do que suficiente pra fazer tudo o que tenho que fazer e ver todos que tenho que ver.
Marlany: Poxa… Sua desnaturada! Hahaha…
Dora: Ué, desnaturada pq?
Marlany: Sei lá.. Hahaha.. Você nem vai curtir sua madrinha?
Dora: Não quero gastar meu tempo lá. Não quero correr o risco de ver pessoas desagradáveis (você sabe de quem falo) na rua. Ficarei uma semana, vou onde tenho que ir, faço o que tenho que fazer e vou embora.
Marlany: Não se abale por eles. Vc é uma DIVA.
Dora: Sou merda nenhuma. E eu não me abalo, mas é escroto. Não faço questão mesmo de ver a cara deles. Pra mim seria um desastre..
Marlany: É sim. A cidade é sua. Eles são meros marionetes. Bah! Mané desastre. Você está bem! A melhor vingança é viver bem..
Dora: Sei não. Ah, então.. Eu tô bem pq to longe, mas sei lá… Nunca sei o que poderia rolar caso eu me deparasse com o abismo de novo e isso é uma merda.
Marlany: Qualquer coisa eu vou estar lá, a gente bebe e vê filme podre no Telecine. Aí antecipamos a ida pra Floripa…
Dora: É… Não vou querer ficar dando o ar da graça não..
Marlany : Você é mto mais popular que eles. Você chamaria a atenção e eles ficariam largados pra 2° plano.
Dora: Ah.. Vc só fala isso pra cheer me up.. E mesmo que eles não sejam populares, ainda assim são pessoas que me arrasam.
Marlany: Você os arrasa tb. Use isso a seu favor.
Dora: Duvido.. Num boto fé não.. Mas também nem é essa a questão cara…
Marlany: Não duvide. Meu.. Lógico que eles “não choram um rio”, mas tb não ficam 100% indiferentes à sua presença.
Dora: Sim.. da mesma forma que eu também não fico. Tipo.. Não é nem pq eu os odeio nem fique mal nem nada do tipo… Mas é escroto pensar a forma que as coisas terminaram, saca? Eu fico pensando ‘porra.. podia ter sido diferente’.. E é esse tipo de pensamento q me deprime.
Marlany: Diferente como?
Dora: Diferente do tipo “não precisava ter sido daquele jeito”. Sei lá.. é uma nóia da minha cabeça que eu preciso analisar direito e melhor.
Marlany: Como asim? Tô zureta de tanto sono…
Dora: Então.. Tipo.. Não consigo explicar nem pra mim mesma ainda, então pra você vai ser difícil, mas eu vou fazer um esforço. Seria algo do tipo.. aconteceu merda X, que nem no nosso caso. Aí tá.. ficamos dois anos sem nos falar.. até que um dia vc veio falar comigo de novo como se nada tivesse acontecido. Não achei escroto e não te tratei mal. Rolou os mea culpa e fim de papo. Mas eu sei que coisa do tipo nunca vai acontecer com eles. E eu fico mal por que querendo eu ou não, são pessoas que eram importantes pra mim de certa forma.. E eu as perdi de forma muito mais do que escrota. E essa sensação de perda é que é uma merda é o que arrasa comigo de verdade.. É devastador mesmo. Acho que o lance não é nem mais ficar remoendo raiva ódio e essas coisas, é mais um lance triste, melancólico mesmo.. Do tipo “Que merda! Essas pessoas eram legais e importantes pra mim e tudo terminou como terminou..”, me sinto mal entende? De verdade.
Marlany: Entendi.
Dora: Então.. é foda. Enfim.. Nem sei pq tô te torrando com isso.
Marlany: Ah sei lá… Quando a gente tava brigada eu pensava nisso sempre. Era ruim. Enfim… A vida é uma bosta.
Dora: Hm. Acho que agora vc entendeu o espírito de porco da coisa..
Marlany: É.. Só ficou tudo bem quando acertamos as coisas. No seu caso é foda pq as pessoas em questão nem se arrependem da merda que fizeram… Aliás, são tão toscas que nem acham que fizeram nada de errado.
Dora: Exato. Bom… Pelo menos, ao não se pronunciarem a respeito e nem mudaram comportamento nenhum.. Tudo leva a crer que não tão nem aí mesmo e foda-se.. Fazer o que né? Acho chato.. mas nem vou esquentar a cabeça. Mas esse é o “não esquentar de cabeça” mais paradoxal do mundo, pois eu só não esquento quando não os vejo. O que os olhos não vêem.. *sigh*