A ausência e o coração

Me disseram que “a ausência faz o coração se apaixonar”. Eu acho que isso pode ser verdade. Na maior parte do tempo, pelo menos na minha experiência, depois que um relacionamento amadurece, é fácil ser complacente. Tirar vantagem das pessoas à nossa volta pode ser tão natural por que nos acomodamos em nós mesmo e rumamos em torno do egoísmo.
Às vezes é o bastante querer jogar a toalha na coisa toda. Mas de novo, quem não gosta daquela sensação de saber que o seu parceiro, amigo ou amante está vindo pra casa, ou melhor ainda, vindo só pra vê-lo. É o bastante pra fazer até mesmo cínicos sorrirem, mesmo que por um minuto. Não há nada como aquele primeiro beijo, abraço ou sorriso depois que aquele com quem você se importa se foi. Não é maravilhoso?
Então por que eles nos deixam loucos quando estão por perto???
Como isso pode fazer parte dos desentendimentos de homens e mulheres um com outro?
Bem.. Às vezes você não sabe o que você tem até que se acabe. Pessoalmente, eu prefiro não ir através de uma perda devastadora pra saber que eu tenho pessoas na minha vida que vale a pena valorizar, mas enfim,… Algumas pessoas não sabem que fornos são quentes.
São as coisas pequenas na vida que fazem o mundo girar. E são as coisas pequenas que podem fazer e destruir um relacionamento… Ou assim parece.
Mas eu não acho que esse é necessariamente o caso. Quando você está brigando com o seu parceiro sobre deixar a toalha no chão do banheiro, ou deixar a bolsa na mesa da cozinha, não é de fato sobre essas coisas pequenas. Existem outras coisas borbulhando que não foram resolvidas. Essas questões reais são o que vocês realmente estão lutando; elas só estão se manifestando em horas diferentes.
São as pequenas coisas nas quais nos focamos, por que são as coisas pequenas que nos afetam no momento. Mesmo que seja importante lembrar que o momento termina, e como o tempo continua, essas coisas pequenas não parecem tão importantes. Quando pensamos de novo nas coisas terríveis que falamos e fazemos um com o outro, elas não parecem tão importantes quando você descobre que o seu parceiro está doente, machucado, morrendo ou precisando de conforto.
Então eu tento não esquecer que o tempo junto é essencial para saber como se comunicar efetivamente. Eu já vi muita gente (eu inclusa) pular numa situação sem entender por que elas não tinham a habilidade de comunicar o que elas precisavam e até mesmo queriam.
Ultimamente no entanto, não há nada errado com um tempinho separado. Algum cara num filme disse: “Eu odeio te ver partir, mas adoro te ver indo embora.” -
Escrito em 12 de fevereiro de 2006, no blog Not the Game.