Tô blogando isso!

Será que uma versão tabajara e tupiniquim dessa camiseta ficaria legal? Algo como “tô blogando isso” ou “vou blogar isso”… Enfim.. Acho que a moda não ia pegar não, tendo em vista que existem poucos blogueiros hardcore aqui no Brasil (que escrevem sobre fatos da vida, coisas que acontecem com eles de fato, etc). Não que o conteúdo dos outros blogs não me seja interessante, longe disso. É que a maioria fala sobre um tema específico, ou são escritores ou jornalistas frustrados (meu caso) ou fala só sobre assuntos da internet que só existem nesse mundo virtual, ou tenta, sei lá… Soar ou parecer profissional, de alguma forma. Acho chatinho, mas gosto é gosto.
Não acho errado escrever sobre o que quiser, mesmo por que as pessoas blogam sobre o que bem entendem e da forma que mais gostam. O lance é que, ainda, pra maioria das pessoas – medianas/normais (ah, você sabe do que eu estou falando!) – ter um blog é algo “digno de nota”, por assim dizer. Aí elas se distanciam do negócio por achar que “não são dignas”. Eu mesma já achei isso várias vezes. Mas também já ouvi muita gente dando desculpas como “eu não sei escrever”, “eu não saberia sobre o que escrever”, “eu não tenho talento” e deixam uma vida toda passar pela frente, sem ao menos escrever uma linha sobre isso. Pra mim, sei lá, parece um desperdício… Mas esse é só um sentimento que eu tenho. Não acho (mais) também que “todo mundo deva ter um blog”. Achava isso semana passada, hoje não acho mais. Só de observar o conteúdo de alguns (muitos) blogs, eu já desisti dessa idéia. De fato, nem todo mundo nasceu pra escrever.. Sobre o que for.
Não acho que exista uma elite (cof, cof, cof) de blogs. Pro-blogger pra mim é alguém que consegue tirar uns trocados com o blog, independente do conteúdo ser bom ou não. Existem sim, de fato, blogs muito bons e muito conhecidos e papapa… Mas na internet me parece não existir esse tipo de categoria, “elite versus ralé”.. Aqui tá todo mundo no mesmo barco e todo esse papo de “verdade”, ou “o que é bom” ou, como os jornais gostam que seja dito, “é digno de credibilidade” se tornam infinitamente mais subjetivos do que na vida real. Existe o que as pessoas buscam e eventualmente acabam achando, por acaso ou não, seja certo, errado ou copiado. A grande sacada é que aqui são as pessoas é quem decidem se vão dar crédito ou não. Elas têm esse poder, tendo também o poder de resposta (comentários). Em jornal isso não existe: as notícias são feitas e enfiadas goela abaixo no leitor e ele que se contente com aquilo. E geralmente se contenta, passivamente. A maioria. Outros não. Aí eles vêm pra internet e fazem algo sobre isso. E é aí que o bicho pega…
As pessoas de uma forma geral (empresas, também) ficam muito confusas com essa “terra de ninguém”. Tem gente que se destaca por que é criativa, por mais que nem tudo que se escreva tenha utilidade. Tem gente que se destaca pelo óbvio, que seria, por exemplo, falar sobre putaria (todo mundo adora putaria). E tem gente que se destaca por que escreve conteúdo útil mesmo – o que é difícil achar, mas quando se acha, é sempre muito bom. E ainda tem gente que dá conta de se destacar por tudo isso ao mesmo tempo, o que, eu considero uma proeza e tanto. Os blogs que contém miguxês, erros gramaticais, contra-informações, anti-informações se destacam com gente burra e idiota e sinceramente, eu não tenho culpa de existir gente burra e idiota no mundo, mas elas existem e têm uma cultura só delas. Bom pra elas! Que sejam felizes e morram na ignorância. Os únicos capazes de mudar a cultura deles são eles mesmo então eu não vou cagar regra e dizer o que é certo ou errado justamente por que fazer isso aqui é impossível. “A web é uma bagunça, é um caos e é também um dos exemplos mais bem sucedidos de organização na história da humanidade” e falou e disse.
Ou seja, puta papinho bunda querer julgar blogs em “bons” e “ruins”. Na blogosfera não existe “lado negro da força”, o que existe é uma grandiosa massa amorfa e cinza. O que são bons ou ruins são as pessoas! Os blogs (a plataforma, o meio) nada tem a ver com isso, então generalizar é de um risco altíssimo. Eu juro que fico me perguntando como, enquanto ‘profissionais da comunicação’ (blé!), não pensaram nisso. Escroto pra caralho também querer fazer publicidade/marketing em de um lance delicado como esse (por que é claro que alguém está lucrando com isso tudo!). Mesmo por que, pode até ter chamado atenção, mas chamou de forma negativa, forçando polêmica e abrindo uma discussão que já devia ter sido colocada em pauta (nas universidades, nos blogs, na vida) há muito tempo. Mas, por incrível que pareça, pouquíssimas pessoas querem falar sobre isso, seja na vida, nos blogs e, principalmente, nas universidades. Só quando alguém taca fogo no cabaré mesmo, como foi o caso agora..
Acho que, sem querer querendo, quem me inspirou a escrever esse texto foi o Silveira, pelo segundo post dele sobre o lance lá do Estadão. Eu ia só postar a camiseta, mas as palavras simplesmente me vieram na cabeça e eu não consegui segurar, não consegui não escrevê-las. E eu ainda prometi pra mim mesma que não ia escrever sobre isso… Tsc, tsc. Eu não tomo jeito.
Poxa, valeu pela referência. :_)
Tem uma blusa sobre blog que eu gosto (http://www.eupodiatamatando.com/wp-content/uploads/2007/08/blog.jpg). É bem sobre blogueiros que ficam enxendo o saco para você ver eles ou mendigando comentários. Também é bem despretensiosa, podia ser “Eu tenho um Blog e ninguém liga”.
Blogs (não só blogs) são uma mídia muito nova, tem gente curtindo, tem gente ganhando dinheiro, tem gente tentando, tem gente fazendo bom trabalho, tem gente fazendo besteira e também tem gente tentando entender tudo isso e de outro lado tem gente muito assustada com tudo isso. :D
[]’s
Nem sabia que a nova campanha do Estadão tinha dado esse rebuliço todo (acho que cheguei a ver o comercial, mas a ficha não caiu… rs). Enfim, concordo com você quando você diz que mais pessoas deveriam ter blogs para falar do dia-a-dia. Quem não gostar que não leia, afinal, essa é uma das grandes vantagens da Internet – te dá opções para você escolher o quer ler, ver, etc., quando quiser, etc. E nossa mídia tradicional é realmente patética: lembra do buraco do metrô aqui de sampa? Pois bem, foi a pouquíssimos metros de distância do prédio da Ed. Abril (onde ficam as redações de todas as revistas) e nenhum fotógrafo/repórter tinha uma câmera/celular para filmar? (houve uma seqüência de fotos, mas não foi grande coisa) Um rapaz de um escritório em um prédio próximo filmou com o celular dele e pôs na Internet. Ou seja, se a mídia tradicional perde espaço, é por imbecilidade própria. E ainda não se deram conta disso!!!
Beijo,
Se você “passear” um pouco por aí, vai ver que existe um monte de blogs sem conteúdo – literalmente. Ou estão em teste ou o dono ainda não sabe sobre o que escrever. Ainda têm aqueles que estão loucos pra ganhar dinheiro e ainda não sabem como (só lamento).
O jeito é dar um tempo e esperar a coisa amadurecer. Enquanto isso, vamos blogando.