Sobre “ser descolada”..

2007 julho 13
by Dora

Então, como eu ia falando, nesse sábado eu vou numa festa. Mas na verdade eu não quero falar dessa festa primeiro. Quero voltar aos primórdios (ui!) como sempre faço quando estou ansiosa com alguma coisa que está além de mim e que eu preciso passar pra frente. Ok, vamos lá. Eu nunca fui descolada quando eu era criança. Na verdade, a maioria das outras crianças era indiferente em relação a mim. Eu não fedia nem cheirava e por mim tudo bem. Na verdade não era exatamente tudo bem, eu era criança, e eu queria ser a Barbie, loira de olho azul. Meio complicado pra uma menina parda de cabelo preto e enrolado, mas tudo bem. Não cresci complexada não. Com o tempo a vontade foi passando. Aí cheguei na adolescência, periodozinho escroto. Nessa época eu já meio que cagava e andava pra tudo e não queria ser igual a ninguém mesmo. Era adepta do “faça você mesmo” e fazia um monte de coisa escrota. Algumas “patricinhas” que eu conhecia até “achavam legal meu estilo”, mas eu nunca me importei muito com elas.

Aí tem o hoje que é esse troço que eu sou. Não tenho estilo definido, mas me chamam de metaleira, ou alternativa. Não ligo. Cago e ando. Pra mim eu sou ninguém importante, nem tenho nada de especial. A bem da verdade eu me considero bem tosca. Claro, se é pra me arrumar, me arrumo, mas no geral, quesito aparência, eu sou uma verdadeira desleixada. O meu único diferencial é que, mesmo sendo bem burrinha pra algumas coisas, sou uma pessoa bastante comunicativa. Gosto de conversar com pessoas selecionadas e que (ao invés de monologarem) de fato conversam comigo: me ouvem, me lêem e me dão uma resposta de acordo. Prezo muito esse tipo de comunicação. Tanto que já me relacionei com várias pessoas dessa forma. Pessoas boas, pessoas ruins, mas enfim o que valeu foi a experiência. Antigamente eu me enganei muito com essa questão de “amizades”. Era muito carente, cometi muitos erros, perdoei pessoas que não deveria e nunca, NUNCA acreditava na minha intuição (erro gravíssimo).

Hoje em dia eu boto na balança comportamentos que não valem mais a pena. Em um tempo muito curto consegui perdoar três pessoas importantes na minha vida e isso me fez ver a vida e os relacionamentos de uma perspectiva completamente diferente. Justo eu que dizia que não sabia perdoar e não pretendia aprender. Mas felizmente eu aprendi que é possível perdoar sim. Veja bem: perdoar sim, dependendo do histórico e da análise do caso em questão. Agora perdoar a tudo e a todos incondicionalmente, nem a pau.

Algumas pessoas me chamam de “descolada” e eu não entendo o porquê. Eu não sou legal e isso é fato. Sou teimosa pra caralho, tapada, seletiva e mando pra puta que pariu opiniões divergentes das minhas “por que sim”. Isso não é ser descolada, isso é ser escrota. Se bem que os ‘jeitos de ser’ hoje em dia tomaram formas tão bizarras que “ser escrota é ser legal”, ou coisa surreal do tipo. Eu não entendo, mas tem gente que acha que sim,.. fazer o quê. Outro grande diferencial meu é que, de algum tempo pra cá, eu decidi ter relacionamentos significantes com as pessoas e não só pura camaradagem, fofoca, conversinha barata. Isso existe em qualquer esquina, qualquer bêbado te consola, diz que ‘te considera’ e ‘te ama’. Amigo é quem te ajuda quando você tá vômitando ou entrando em coma alcoólico. O resto, é resto.

O fato é que, tá chegando sábado e eu vou nessa festa com o meu namorado e com mais 3 rapazes que conheci aleatóriamente. Dois deles eu nunca vi pessoalmente, mas já conversei bastante pela internet. Conversas longas falando sobre várias coisas, boas e ruins, rasas e profundas e a coisa toda. São poucas pessoas, mas são pessoas bacanas que: ou vieram conversar comigo do nada, ou eu fui atrás, conversando aos poucos, cultivando tudo até chegar nesse sábado. Isso é interessante e as pessoas deveriam prezar mais as conversas em geral. Conversar não é assim tão difícil. Na verdade tudo começa com um simples “oi”.

Resumindo, ser descolado não é aquela porcaria de frase americanizada que dizem na televisão “seja você mesmo” ou aquela pitty escrota berrando no meu ouvido “o importante é ser você mesmo que seja estranho/bizarro”. Se você é estranho e bizarro SUMA DA MINHA FRENTE. Se você estiver sendo você mesmo e eu não gostar do que você é, vou dizer a mesmíssima coisa. Eu só entro em contato com pessoas como eu: igualmente toscas, que pensam parecido comigo, que gostem dos mesmos estilos de música, etc. Se você não gosta de nada disso, só lamentos: não perca seu tempo comigo. Eu não perderei o meu com você.

E descolada é o caralho.
E tenho dito.