Crônicas Atípicas

nihil verum nisi mors

Month: julho, 2007

Etiqueta para blogs: isso é realmente necessário?

Eu tenho evitado escrever esse post por uns dois meses, mas cada vez mais eu acho necessário tocar nesse assunto. Em jornais no Brasil todo isso já virou festa… Tem jornais da minha cidade que praticamente sobrevivem de ctrlc+ctrlv de conteúdo da Internet. Até na faculdade mesmo a gente via isso como se fosse a coisa mais normal do mundo, ou ainda, pegar parte de um conteúdo e fazer um artigo/texto/trabalho totalmente frankenstein, com pedaços de textos do virtual aqui e a ali. Claro, acho que inspiração é algo legal e bacana, mas plágio não tem nada a ver com inspiração. Não lembro de ter feito cópia deslavada de nada/ninguém. Geralmente se copio algo de alguém eu assumo na cara de pau mesmo, e ainda aviso a pessoa (tô falando de blogs, não de conteúdo acadêmico). Não é a toa que aqui no meu blog existem as categorias “Dos Outros”, “Coisas que me Traduzem”, “Achados”, etc. E eu boto o link de volta pro endereço onde achei a imagem/texto/idéia, o que for.

Particularmente não gosto de copiar ninguém. Não só acho chato, como também acho desrespeitoso, mas esta sou eu. Outra coisa que acho chato (e por isso a demora em escrever esse post) é ficar cagando regra pros outros. Cheguei a essa conclusão ontem, quando li um post no blog do Felipeta que me fez morrer de rir e concordar com tudo praticamente. Acredito que o mundo virtual é caótico e não são listas de “10 mandamentos” que vão resolver a zona que virou tudo isso. O que as pessoas mais precisam é de bom senso, mas aí já não é problema meu também. Eu só não sei mais o que sentir quando vejo que sou copiada. Tem gente que acha uma merda, que fica irritado e roga praga pra cima do imitador. Tem gente que acha que ser imitado é um elogio, pois significa que as pessoas realmente se identificam com você e gostam do que você faz/pensa. Eu fico exatamente no meio desses dois tipos de pessoas. Ao mesmo tempo que acho uma merda (ninguém gosta de se sentir mais um, de ser descaradamente imitado), não há nada que eu possa fazer pra evitar isso e eu nem quero evitar isso (falando de conteúdo de blogs). Mas enfim, essa é uma questão muito mais delicada e envolve muito mais coisas do que eu posso imaginar.

Deixando tudo simples: envolve dois tipos diferentes de cultura: a real e a virtual. Algumas pessoas dão pouco (ou nenhum) crédito a cultura virtual, mas ainda assim, copiam textos e imagens a torto e a direito e produzem conteúdos reais, gerando lucro. Isso é certo? As coisas ficaram tão fáceis que fica complicado dizer o que é crime e o que não é. É errado piratear, é errado baixar músicas, é errado pegar imagens, copiar textos sem autorização/indicação. Mas isso acontece o tempo todo, no mundo todo.. A rede é muito grande, a gente nunca sabe onde as “nossas coisas” podem parar. A gente nem sabe mais se as “nossas” coisas na verdade são de fato nossas, pois algumas coisas da produção humana não deveriam ser patenteadas (opinião minha). A cultura de massa, industrializada, produto da sociedade moderna é patenteada e não há muito o que se faça sobre isso, mas o conhecimento e o que muita gente chama de ‘alta cultura’¹ (expressão muito controversa no meio acadêmico)… Não deveria ser, pelo menos é isso que eu penso. Tem gente que acha que absolutamente nada deveria ser patenteado, ou ter marca registrada ou coisa do tipo. Mas não penso assim não. Nem tudo é de todos nem para todos. Como eu já tinha dito, bom senso é importante.

Vejamos… Copiar de blog pra blog, ou de site pra blog, isso é uma coisa que acontece, querendo ou não. Por mais que existam leis, a justiça (no Brasil ainda..) é lenta e ainda não parece ser bem definida pra casos de Internet. Agora é que tem gente (esperta, inteligente pra caralho, que não perde tempo nem dinheiro) que tá começando a se especializar nisso. Mas há N diferenças. Um blog que é um diário virtual, ou mesmo um blog pessoal, é diferente de um blog empresarial/artístico etc. Se alguém copiar algo do meu blog, eu (ainda) não acho que é motivo suficiente pra entrar com uma ação judicial e exigir meus direitos e papapá… Acho um exagero e acho estranho. Sei lá. Tanta coisa internet afora que a gente se identifica e às vezes nem sabe como dar crédito, ou indicar… É confuso e bizarro. Vamos pegar um exemplo bem raso: minhas categorias. Onde está escrito que eu tenho “propriedade” sobre a expressão “Chuta que é macumba!” ou “Filosofia de Buteco” ou qual quer uma que seja? Mas isso é um detalhe. Nunca tive uma idéia roubada. Mas isso se deve por que na verdade nunca tive uma idéia brilhante que colocasse em meu blog (ou em lugar algum aparentemente).

Na verdade eu acho que é isso mesmo, eu não tenho tantos motivos pra reclamar de cópia de conteúdo, mesmo porque a maioria das coisas que escrevo aqui são tão pessoais… Mas enfim, isso também não significa que elas não sejam passíveis de plágio. O que me deixa admirada é que eu sou a pessoa mais sem graça do mundo.. Minha vida é tosca. Posso ser formada em jornalismo, mas nem trabalho na área e também não sou especializada em nada… Em suma, sou a pessoa mais perdida que conheço. Sou uma neurótica, histérica, eternamente atormentada por um passado sentimental escroto e sendo que por isso mesmo atualmente tenho uma vida sentimental completamente miserável. Aí eu fico me perguntando e a pergunta também não quer calar: será que existe tanta gente assim com a vida TÃO mais sem graça que a minha ao ponto de copiar vestígios da minha vida medíocre? Credo… Esse mundo tá mais perdido do que eu imagino mesmo

¹ Certa vez meu professor de Teoria da Comunicação falou sobre “alta cultura” e “baixa cultura” dentro de sala de aula e foi um furdunço só. Ele mesmo defendia que só havia uma cultura, mas nos explicou esses termos pra definir a cultura de massa ou baixa cultura (Beyoncé, Tati Quebra Barraco, Ivete Sangalo, Rebeldes) e a cultura erudita ou alta cultura (Beethoven, Bach, Bizet, Mozart, Vivaldi).

Como fazer camisetas usando stêncil?

stencil-camiseta003.jpgJuntar o útil ao agradável é sempre bom. Eu não lembro exatamente onde eu tropecei no link com o .pdf de como fazer isso, mas enfim, eu achei e salvei. O original encontra-se no site Esquadrão Atari – e dúvidas posteriores podem ser resolvidas em camisetas@esquadraoatari.com.

Acho que fazer stêncil de rua, daqueles que a gente encontra por aí, é mais difícil e requer muita criatividade. No meu caso, eu só gosto de letras e simbolos geométricos mesmo, coisas mais simples, mas que fiquem atraentes. Acho que algum dia vou encarar fazer isso só por diversão mesmo, pois tenho várias idéias em mente. Cada um faz stêncil de um jeito diferente, mas o que importa é o resultado: algo que seja original e autêntico.

Basicamente o texto que segue é um ultra-resumo do .pdf que eu encontrei. Acho legal deixar registrado aqui no blog não só pra que mais gente encontre isso, mas pra que eu também consiga encontrar um dia, pois vivo perdendo arquivos, excluindo coisas sem querer, etc.

Material básico:

01 Camiseta velha
01 Pode de tinta especial para tecido
01 Pincel de cerda dura, tipo “trincha”
01 Caderno de jornal velho
01 Folha de acetato, fotolito, radiografia, ou qualquer plástico grosso
01 Estilete bem afiado
01 Fita crepe

Como fazer:

1. Escolher uma boa imagem, simples e direta, com um contraste bastante alto. (eu que adoro letras e imagens geométricas, vou me jogar..)
2. Medir o desenho no corpo, sobre a camiseta, pra se ter uma noção mais exata possível de onde o desenho irá ficar.
3. Antes de pintar, colocar muitos jornais velhos na parte interna da camiseta, na área do desenho, para que a pintura não “sangre” e manche o outro lado da camisa. A fita crepe ajuda a manter a estabilidade tanto da camisa quanto do stêncil.
4. Aplicar a tinta especial para tecido sem diluí-la, com movimentos curtos, de cima pra baixo.
5. Esperar a tinta secar, de acordo com as instrução do pote.

Dicas do Danielectro:

* Normalmente a tinta seca ao toque em 1 hora, e a camiseta pode ser lavada na máquina depois de 3 dias. É bom evitar usá-la nesse período, pois o suor e outros líquidos podem estragar a tinta.
* Caso queira aplicar uma tinta clara em um tecido escuro, convém aplicar duas demãos de tinta. Espere até que a primeira seque ao toque, e aplique a segunda.

Imagem retirada do blog Aleatório, do Vitor Hugo…

Jeito Isadora de viver a vida…

Os homens não gostam de mulheres viris. Não gostam por que têm medo delas e também por que tendem a se apaixonar por elas. E por mulher viril eu não falo das vagabundas em geral, que não podem ver um par de calças que já saem se esfregando que nem cadelas no cio. Essas não são viris, são só vagabas mesmo. Falo das mulheres verdadeiramente viris e às vezes até canalhas mesmo (e essas sim, são muito mais perigosas que as piriguetes ou vadias em geral). Falo da mulher com espírito masculino. Aquela que pisa, que desdenha, que faz o cara de besta, de gato e sapato, que goza pensando em outro, que olha pros outros na rua na maior cara de pau, que elogia amigo/conhecido também na maior cara de pau. Mas nada de indiretas não. Nada de “bonitinho”, “lindinho”, “inteligente” e/ou “educado” não. Ou outros “inhos”. Geralmente chegam falando a real mesmo: “cara tu é gato”, “pensei em você ontem”, etc e tal.

Quando sei que faço algo que é errado, fico com um peso deveras desconfortável na consciência. Ou talvez não precisa nem ser errado, mas desde que eu considere o lance errado, pra mim já é terrível. Tem algumas coisas que não dá pra aguentar e eu chuto mesmo o pau da barraca e foda-se. Mas ontem eu me esforcei pra me comportar até o último segundo. Mesmo. De verdade. Aí no último segundo eu pensei “ah, é assim? Beleza” e não deixei barato. Fiz algo silencioso, horrível e novo pra mim mesma e… Gostei. Viril eu já tinha me sentido antes, mas canalha ontem foi a primeira vez. E, mulheres que me lêem, eu vos digo: ser uma mulher canalha nos dá uma sensação/sentimento de ‘vingança’ (mesmo que rasa) de todo homem canalha/filho da puta que você já possa ter conhecido. Toda mulher deveria experimentar canalhice explícita pelo menos uma vez na vida. É delicioso. E você se sente poderosa, mesmo que não seja. Ou talvez até seja e não saiba, enfim.. Passou e hoje foi um novo dia. Sem canalhices, though.

Acordei umas mil vezes durante o sono. Não consegui dormir bem. Sério. Não cabem duas pessoas relativamente grandes numa cama de solteiro. Isso é física e é de fato impossível. Acordei de péssimo humor por que tive um sonho escroto demais da conta. Acordei com ódio, querendo matar as pessoas do sonho na vida real. Mas isso nunca vai acontecer. E essas pessoas também, (in)felizmente, vão demorar muito pra morrer também. Mandei ele embora. Minto. Na verdade ele disse que queria ir embora por que já era dia. Botei uma calça, levei-o até o portão, vento frio da manhã na cara, dei tchau sem-sal mesmo e voltei pra debaixo do edredom. Tinha o espaço todo só pra mim agora. Virei pra um lado. Virei pro outro. E as imagens escrotas daquele sonho escroto insistiam em me perturbar. Decidi levantar. Eram 8h30 da manhã. Queria morrer. Queria matar!

Fiz uns ovos com cheiro verde, comi com pão e refrigerante de laranja. Acho que lavei a louça com água bem gelada. Acho que escrevi uma crônica. Acho que troquei de roupa algumas vezes. Acho que modifiquei algumas roupas antigas e novas. Não lembro bem o que fiz. Só sei que não eram nem 11 horas e eu já tava comendo o fettucini que a minha mãe fez ontem. Coloquei cheiro verde nele também. Recolhi o lixo. Me arrumei e fui pra uma lan house. Fazia três dias que não tinha internet aqui em casa. A lan house fechou meio dia e só reabriria às 14. Peguei um ônibus, fui pro TICEN. Peguei outro ônibus fui pro TIRIO. No TIRIO o próximo ônibus que sairía pro Campeche ia demorar uma meia hora. Comprei um Gudang (maço) e um isqueiro. Fumei vagarosamente, num frio de lascar. Depois da segunda tragada, eu já sentia a minha mente longe e o meu corpo todo pesar, de repente. Foi um relaxamento quase que instantâneo. Eu sentia o frio mais frio, ele doía mais doído, o que pesava ficava mais pesado, tudo eu sentia de forma diferente. Fazia muito tempo que eu não fumava. Comprei um halls de menta.

Peguei outro ônibus fui pra Campeche. Parei não sei onde, na avenida Campeche. Um amigo me falou uma vez que não tinha nada em Campeche. Duvidei dele e paguei pra ver. Não é que não tinha mesmo? Mas foi ótimo, eu tava precisando. Me embrenhei no meio de um mato que dava acesso à praia. Cheguei ao mar. Eram 14h, ventava muito e o sol ainda brilhava forte. O dia estava muito, muito bonito. Dava de ver a Ilha do Campeche e outras ilhas menores. Vi o mar, senti o vento bem forte. O mar tava tenso. A praia estava completamente deserta. Realmente não tinha nada/ninguém lá. Nem um barzinho. Nem mesmo um telefone público, nada. Fiquei de pé lá olhando pro mar e pro céu e pro vento e pra tudo. Ouvindo Mournful Congregation. Esvaziei minha mente. Aí depois de um tempo comecei a chorar. Chorei bastante. Acho que perdi a noção do tempo, naquele lugar o tempo parecia não existir, de qualquer forma. Não sei por quanto tempo, só sei que chorei tudo o que tinha pra chorar, tudo o que podia ser chorado. Ninguém tava me olhando mesmo. Se eu soluçasse, ninguém ia ouvir mesmo. Então aproveitei o momento, pra chorar e reclamar pro vento, sem receber de volta compaixão ou sermão. Sem receber nada em troca. Foi bom me sentir sozinha (e bem) dessa vez.

Depois que passeei bastante pela praia, catei algumas conchinhas e vi uma gaivota em decomposição, resolvi procurar um telefone público pra ligar pra ele. Liguei e disseram que ele estava no banho. Liguei duas vezes mais e ninguém atendeu. Não insisti. Resolvi parar numa lan house qualquer e dei um oi pra ele no msn. Ele tava indo pro centro, eu também, então já era. Acho que fiquei esperando a noiva uns 30 minutos no TIRIO. Ele ia encontrar uma garota and her name could almost rhyme with mine. Nem pá, só queria dar um oi mesmo, não sabia o que ia fazer depois, hoje foi um dia completamente sem rumo. Só que foi difícil. Eu não o olho nos olhos. Não consigo. Mas não consigo não por timidez, mas por medo de “olhar errado” ou de “olhar demais”, enfim, de ser descarada. Não gosto. É feio. Mas aqueles olhos, ai. Não olhei demais. Pelo menos não muito. Não tanto quanto deveria. Não o suficiente, apesar de parecer que “o suficiente” inexiste quando se olha pra eles. Bem, já estou falando demais, eu sempre falo demais. Mas é tudo verdade. Aqueles olhos verdes, imensos, puros. Apesar da vida inteira, há algo de obscenamente puro nele, nele todo, que eu não consigo, nunca vou conseguir decifrar. E nem pretendo. Talvez se decifrasse perderia toda a graça. Enfim… Está ótimo como está.

Demos tchau. Era umas 16h quando eu estava caminhando pela Avenida Beira Mar, em direção ao Shopping Beira Mar. Foi boa a caminhada, foi bonito, o sol me aquecia bastante. A única coisa chata foi um show gospel que estava tendo bem ali no trapiche. Na hora pensei “putz, que merda.. isso deve ter zuado o encontro do garoto”. Eu pelo menos acharia (achei!) broxante, mesmo estando sozinha e aquela não sendo uma tarde particularmente romântica pra mim. Resolvi sentar num banco há uns 500 metros do Shopping e fiquei ali sentada até o sol se pôr por completo. Ouvindo Mournful, ainda. Tinha um monte de gente em volta. Fiquei pensando em várias coisas da vida, no que ia fazer.. Afinal, já estava entardecendo e esfriando muito (marcava nove graus) e eu tinha que ir pra casa. Comprei algumas coisinhas ali no Supermercado Imperatriz do shopping e peguei o primeiro ônibus pra casa. Pensei em sair, mas acabei achando melhor me enfurnar debaixo do edredom e escrever essas besteiragens todas. Está muito frio e se eu sair posso pegar friagem e acabar doente. E felizmente a internet voltou aqui em casa. Estava sem desde quarta feira, se não me engano.. Agora parece ter voltado ao normal.

Estou com frio e sozinha em casa. Não preparei nada pra comer por que estou mais com preguiça do que com fome. Preguiça não, cansaço mesmo! Hoje eu posso chamar de cansaço por que passei o dia todo fora de casa, vivendo a vida de uma forma que estou pouquíssimo acostumada. E foi ótimo. Tenho que fazer isso mais vezes. Isso de “jeito Isadora de viver a vida” foi uma amiga minha que me disse, agora a pouco, por orkut. Disse que eu deveria escrever um livro com esse título. Livro eu não escrevo pois não tenho competência, nem talento pra isso, mas como post de blog até que ficou bem jeitosinho.. Blogs sempre foram diários. Hoje em dia viraram ‘n’ coisas, mas querendo ou não, é aqui que me sinto confortável pra escrever as besteiras que acontecem nos meus dias… E é… Acho que isso não irá mudar tão cedo..

blackout.jpg

Me sinto exatamente assim esses dias…

Conselho é comigo mesmo. But for friends, only.

Ele: Hey Dora: eu pareço galinha? Eu pareço escandalosamente mulherengo?

Dora: Aparently not, huney. Você tem uma vozinha muito calma, um jeito muito manso.. tu não é nem um pouco predador. Pelo menos não aparenta. A não ser que eu esteja completamente enganada..

Ele: Porra e eu nem sou. Sério tipo, eu tô solteiro caraio, eu falo do jeito que eu quiser, com quem eu quiser, na hora que eu quiser, confere? Deixa eu te contar o drama: tenho essa amiga que eu fiquei uma vez e ela não sentiu mais vontade de ficar comigo por causa dos meus scraps com outras garotas… daí tipo, ela diz que não tá com ciúmes e que não me proíbe de nada mas diz que não sente vontade de ficar com alguém que fala “daquele jeito” com menininhas por ortkut. She’s calling my close female friends ‘menininhas’ anyway… So.. Eu gosto dela, mas não vou mudar não. But then tell me Dora: is that a closed mind or something or do I really look like some sort of sex maniac or something else?

Dora: Ah que gracinha… Ela não quer competir.

Ele: Hmm

Dora: It’s not you huney, it’s her. Veja bem.. Tu é um cara bonito [bonito pra caralho]. Period.

Ele: Why thank you..

Dora: Tu, de facto, tem 30984290348203 amigas no orkut. E tu conversa com elas do jeito que bem entender, o que, leva essa menina aí a crer que, talvez ela não seja a única na sua “lista”.. Sim! Por que na cabeça dela, tendo em vista que você é um cara legal e bonito, vc TEM uma lista (independente dessa lista existir de fato ou não).

Ele: Hmm
Dora: E listas incluem preferências. E ela não quer arriscar deixar algo mais sério ocorrer, tendo que competir com sei lá quem.

Ele: Hmm

Dora: Então, ela tá se defendendo como pode…

Ele: Cara, você é boa nisso.. Sério, sério.. Valeu mesmo pelo esclarecimento. Salvou meu dia.

Dora: Sou boa em muito mais coisas, meu amor… hahahahaha! Sou macaca velha… Não meto (mais) mão em cumbuca. Só às vezes… De nada, anyways.

Ele: Posso usar você como conselheira pessoal em relacionamentos? Vai ficar sabendo de um monte de fofoca…

Dora: Pode me usar para o que quiser!!!! Hahahahaha… que biscate!!!!

Ele: Falando nisso cara.. Eu tenho que ficar esperto com um amigo meu, que é gay. Acho que ele tá tentando me levar pro outro time.

Dora: Ih, tem mesmo. Um perigo.

Ele: Sério?

Dora: Vou te falar: mostrei teu perfil uma vez pra um amigo gay meu,.. Nossa… O guri pirou. Aí eu falei “tira o olho que eu vi primeiro!!! É hétero!!!!”.. Hahahaha… Mas o guri foi à loucura! É pq pra alguns gays, eles pensam da seguinte forma: se vc não parece totalmente homofóbico pitbicha, você AUTOMATICAMENTE é simpatizante. E se vc parece simpatizante e É GATO… Tem que tomar cuidado. Tem que deixar bem claro que não é o lance, senão eles se aproveitam mesmo! Sapatona pensa igualzinho…

Ele: Oh! Ah, quem sabe eu não fico com ele pra saber como é …

Dora: Uia… Aberto à novas experiências huney?

Ele: Nada cara. Eu tô muito carente. Tô deixando 20 scraps pra garotas diferentes por dia..

Dora: Óin fófis.. Fica carêntchi não :* … Dá até uma dor no coração ler isso. Hahaha… Que brega!

Ele: Brega total. But i’m trying you know… Derrepente deu essa vontade de arrumar um significant other..

Dora: Sim, quando tu falou isso eu achei até estranho… haha.. Comigo tá estranho: tava conversando com uma amiga minha esses dias e ela disse que eu quero um namorado dentro de casa e um amigo fora de casa… Sei não… Na verdade não sei de mais nada. Legal isso né? Sei resolver o problema dos outros, mas os meus que é bom… rs

Por que a Dora não tem mais amigas mulheres?

Ela: Então… Tava falando com a minha irmã hoje lá.

Dora: Ahm, eae?

Ela: Aí ela voltou pra casa e acessou o orkut e foi na página de uma das gurias que tão ‘pagando pau’ pra ela e papapá… E essa menina falou pra minha irmã do cara que ela gosta e tal, que ele era “perfeito” pra ela mas que brigavam muito. Daí a minha irmã INOCENTEMENTE contou que ela estudou e saiu com um cara da banda que tava tocando na ocasião, mas que ele era mto galinha. Não é que a vadia foi atrás dele? Daí minha irmã foi comentar isso com outro amigo dela, e o cara falou que quem errada estava ela, de ter “FEITO PROPAGANDA”. Mas que porra é essa? Agora o mulherio tá tão sem caráter que até apontar pra um cara é “fazer propaganda”? Por isso que eu não confio em mulher!

Dora: Nem eu. E você sabe muito bem porquê. Tudo filha da puta.

Ela: Piranhas!

Dora: Não dá pra falar nem o nome do infeliz. Filha das puta MEEESMO. Não tenho mais amiga mulher nem a caralho! Você é uma exceção, o resto, foda-se: tudo vadia.

Ela: Concordo! Não, assim: eu nunca me dei muito mal com mulher pq sempre SEMPRE fui chatinha com amizades.

Dora: Ser chatinha não é defeito de caráter… é defeito de personalidade, apenas. Ser BISCATE, pra mim (e hoje felizmente consigo ver e aceitar isso) é defeito de caráter SIM! E tem gente que ainda acha que “tudo bem, não dá nada”.. Eu quero é estar VIVA pra ver essa gente se fodendo com esse pensamento. Juro que quero.

Ela: Antes der uma personalidade ruim do que ser sem caráter. E você tá como eu. Eu SALIVO pelo dia que certas pessoas vierem com aquelas palavras que eu SEI que vou ouvir. Mas não quero que seja agora pq ainda to mto sensível! Eu preciso voltar pro topo antes.

Dora: HELL YEAH! Idem.

[ Resposta curta: por que Clodovil Hernandez, tem TODA a razão e eu o apoio totalmente. E tenho dito. ]

Sobre “ser descolada”..

Então, como eu ia falando, nesse sábado eu vou numa festa. Mas na verdade eu não quero falar dessa festa primeiro. Quero voltar aos primórdios (ui!) como sempre faço quando estou ansiosa com alguma coisa que está além de mim e que eu preciso passar pra frente. Ok, vamos lá. Eu nunca fui descolada quando eu era criança. Na verdade, a maioria das outras crianças era indiferente em relação a mim. Eu não fedia nem cheirava e por mim tudo bem. Na verdade não era exatamente tudo bem, eu era criança, e eu queria ser a Barbie, loira de olho azul. Meio complicado pra uma menina parda de cabelo preto e enrolado, mas tudo bem. Não cresci complexada não. Com o tempo a vontade foi passando. Aí cheguei na adolescência, periodozinho escroto. Nessa época eu já meio que cagava e andava pra tudo e não queria ser igual a ninguém mesmo. Era adepta do “faça você mesmo” e fazia um monte de coisa escrota. Algumas “patricinhas” que eu conhecia até “achavam legal meu estilo”, mas eu nunca me importei muito com elas.

Aí tem o hoje que é esse troço que eu sou. Não tenho estilo definido, mas me chamam de metaleira, ou alternativa. Não ligo. Cago e ando. Pra mim eu sou ninguém importante, nem tenho nada de especial. A bem da verdade eu me considero bem tosca. Claro, se é pra me arrumar, me arrumo, mas no geral, quesito aparência, eu sou uma verdadeira desleixada. O meu único diferencial é que, mesmo sendo bem burrinha pra algumas coisas, sou uma pessoa bastante comunicativa. Gosto de conversar com pessoas selecionadas e que (ao invés de monologarem) de fato conversam comigo: me ouvem, me lêem e me dão uma resposta de acordo. Prezo muito esse tipo de comunicação. Tanto que já me relacionei com várias pessoas dessa forma. Pessoas boas, pessoas ruins, mas enfim o que valeu foi a experiência. Antigamente eu me enganei muito com essa questão de “amizades”. Era muito carente, cometi muitos erros, perdoei pessoas que não deveria e nunca, NUNCA acreditava na minha intuição (erro gravíssimo).

Hoje em dia eu boto na balança comportamentos que não valem mais a pena. Em um tempo muito curto consegui perdoar três pessoas importantes na minha vida e isso me fez ver a vida e os relacionamentos de uma perspectiva completamente diferente. Justo eu que dizia que não sabia perdoar e não pretendia aprender. Mas felizmente eu aprendi que é possível perdoar sim. Veja bem: perdoar sim, dependendo do histórico e da análise do caso em questão. Agora perdoar a tudo e a todos incondicionalmente, nem a pau.

Algumas pessoas me chamam de “descolada” e eu não entendo o porquê. Eu não sou legal e isso é fato. Sou teimosa pra caralho, tapada, seletiva e mando pra puta que pariu opiniões divergentes das minhas “por que sim”. Isso não é ser descolada, isso é ser escrota. Se bem que os ‘jeitos de ser’ hoje em dia tomaram formas tão bizarras que “ser escrota é ser legal”, ou coisa surreal do tipo. Eu não entendo, mas tem gente que acha que sim,.. fazer o quê. Outro grande diferencial meu é que, de algum tempo pra cá, eu decidi ter relacionamentos significantes com as pessoas e não só pura camaradagem, fofoca, conversinha barata. Isso existe em qualquer esquina, qualquer bêbado te consola, diz que ‘te considera’ e ‘te ama’. Amigo é quem te ajuda quando você tá vômitando ou entrando em coma alcoólico. O resto, é resto.

O fato é que, tá chegando sábado e eu vou nessa festa com o meu namorado e com mais 3 rapazes que conheci aleatóriamente. Dois deles eu nunca vi pessoalmente, mas já conversei bastante pela internet. Conversas longas falando sobre várias coisas, boas e ruins, rasas e profundas e a coisa toda. São poucas pessoas, mas são pessoas bacanas que: ou vieram conversar comigo do nada, ou eu fui atrás, conversando aos poucos, cultivando tudo até chegar nesse sábado. Isso é interessante e as pessoas deveriam prezar mais as conversas em geral. Conversar não é assim tão difícil. Na verdade tudo começa com um simples “oi”.

Resumindo, ser descolado não é aquela porcaria de frase americanizada que dizem na televisão “seja você mesmo” ou aquela pitty escrota berrando no meu ouvido “o importante é ser você mesmo que seja estranho/bizarro”. Se você é estranho e bizarro SUMA DA MINHA FRENTE. Se você estiver sendo você mesmo e eu não gostar do que você é, vou dizer a mesmíssima coisa. Eu só entro em contato com pessoas como eu: igualmente toscas, que pensam parecido comigo, que gostem dos mesmos estilos de música, etc. Se você não gosta de nada disso, só lamentos: não perca seu tempo comigo. Eu não perderei o meu com você.

E descolada é o caralho.
E tenho dito.

O melhor pra quem?

Esses dias é que eu parei pra pensar seriamente sobre algumas coisas e vi que na minha vida tem um monte de coisa errada. Ok, isso não é novidade nenhuma pra muita gente, mas pra mim é. Eu me dei conta do quão tosca eu sou. Todo mundo me chama de pedra preciosa em estado bruto, mas eu não quero mais ser reconhecida dessa forma. Encheu o saco que eu não tenho. Não acho que julgar os outros seja errado, mas porra… Agora que eu me vejo na mesma situação de quem eu julgava é que eu percebo que a rapadura é doce mas não é mole não. Estou perdida e assumo isso. Não com orgulho, mas assumo, pelo menos pra que eu esteja a par da minha própria perdição.

Na verdade eu não sei nem o que pensar, mas tenho chegado à algumas conclusões assustadoras sobre mim mesma e sobre a minha vida, coisas que eu nem desconfiava que estivessem em mim e que derepente me toquei, explodiram na minha cara. Mas acho que a vida é assim mesmo. Descobri que quero levar uma vida mais leve em muitos sentidos e isso é muito bom. Muito bom mesmo. O problema é como, mas isso está a caminho de ser solucionado. A vontade já existe e isso é importante. Ano passado, na verdade há uns 4 anos atrás, o que eu mais queria fazer na vida era biblioteconomia. Sabia que queria fazer isso, entretanto, queria fazê-lo por motivos errados como “não ter que trabalhar com pessoas”, “ficar em contato direto com livros”, “trabalho mecanizado”, etc. Até que, felizmente, entrou uma pessoa na minha vida e me mostrou por que biblioteconomia é considerada HUMANAS e não exatas/administração, apenas. Mas só fui descobrir isso muito recentemente, ano passado.

O procedimento técnico em biblioteconomia é o meio (qualquer macaco ensinado faz), mas o fim, de verdade, são as pessoas e a forma com que elas se relacionam, se comunicam na busca da informação em si – mas muita gente que considera prestar vestibular pra biblioteconomia não sabe disso. Na verdade não faz idéia. Tem gente que presta vestibular pra biblioteconomia simplesmente por que os concursos pra essa área pagam bem. Tem gente que presta por que não sabe bem o que quer fazer da vida. Eu ia prestar pra me isolar, mas vi que não é nada disso e dei com os burros n’água. Não quero fazer um trabalho onde eu possa ser substituída por tecnologias em pouco tempo. Minha área é humanas e é nela que devo ficar, trabalhar, explorar, permanecer. Tenho que fazer coisas em que sou boa, para que com a experiência eu possa ser a melhor. E fazer a mesma coisa pro resto da vida até que uma máquina me substitua não está nos meus planos, definitivamente. Tá certo que eu não preciso ser essencial/insubstituível (ao contrário do que a auto-ajuda diz, acredito que TUDO nessa vida é plenamente substituível), mas também não quero ser obsoleta. Ok, chega de histerismo.

O fato é que, depois de passada a agitação de fazer biblioteconomia, a primeira coisa que me veio em mente foi fazer letras/tradução. Sou formada pela Cultura Inglesa de Campo Grande e papapá… Já viajei pra fora também e papapá.. e desde maio de 2006, faço traduções freelance pra um site com o qual me identifico pra caramba. Claro, nem todas as minhas idéias batem com as deles, mas me identifico com muita coisa, mesmo. Posso dizer, seguramente, que esse site me fez pensar diferente em vários aspectos da minha vida, como ninguém/nada jamais fez, mas não vou ficar falando de mim nesse post, mas sim das minhas escolhas. Mas acredito que a tradução vá um pouco mais além do que eu imagino que ela seja hoje. É complicado. Por mais que existam explicações internet afora, que eu fale com profissionais, busque livros, guias de vestibular e tudo o mais, é sempre diferente quando você está inserido no contexto do curso, de fato. Então ao mesmo tempo que eu acredito que gostaria muito desse curso, também penso que me sentiria um peixe fora d’água.

Não que o curso não seja pra mim, pois eu sei que sou capacitada o suficiente para encará-lo. Mas talvez não seja o momento, nem a hora, talvez não seja nunca, não sei, não sei mesmo. Talvez eu deva continuar fazendo isso apenas como freelance mesmo, ou partir pra uma pós alguma outra hora da minha vida (afinal, já sou graduada em jornalismo mesmo). Jornalismo foi uma experiência bizarra na minha vida, tive uma relação de amor e ódio com esse curso e foi difícil pra mim terminá-lo. Não gostava de algumas aulas de jeito nenhum, elas simplesmente não me “desciam”. Entendia que os professores buscavam – na maior parte das vezes, quando não estavam perdidos em rixas internas – o que era melhor pros alunos em termos de qualidade não só das aulas, mas também de comunicação mesmo, disponibilidade e tudo o mais. Não posso dizer que “esperava mais” do meu curso de jornalismo, mesmo por que, pra começar, eu nem estava animada a fazê-lo.

Fiz de burra e ingênua que eu era na época do meu ensino médio. Fiz um teste vocacional tosco, onde a psicóloga disse que eu devia fazer jornalismo. Já tinha falado pros meus pais que eu queria biblioteconomia, mas depois do teste vocacional, falei pra minha mãe que “deu jornalismo” e ela “achou lindo” (palavras dela) o curso. E lá foi a Isadorinha fazer jornalismo, completamente sem noção de nada. E deu no que deu, fiz um curso que, no começo até estava motivada, mas depois da metade foi só desmotivação, uma atrás da outra. Que fique claro: desmotivações não com o curso, mas com algumas coisas referentes a própria profissão de jornalista, com o mercado, com a forma que as pessoas trabalham, etc. Mas essas desmotivações também ocorreram por N fatores que dizem respeito à minha vida pessoal, mas aí é mais pano pra manga ainda, não vou chegar aí.

Entretanto, não posso deixar de lembrar que, claro, como em todo curso tem sempre uma disciplina específica que acaba valendo a pena pelo curso inteiro. E, de verdade, o que salvou o meu curso foram as aulas que tive de Teoria da Comunicação. De fato, o professor não só deu aula, como também transformou a vida e os costumes de vários alunos. Até arrisco dizer que foram essas aulas que me ensinaram a ler e a escrever, de verdade. Digo isso não por que ele me ensinou de fato a escrever e ler, nunca fui do tipo analfabeta-funcional mas ele conseguiu fazer o que todos os professores que passaram por mim na minha vida até o momento não fizeram: atribuiu significado aos atos de ler e escrever. Logo, isso fez com que eu visse TUDO na minha vida sobre diferentes perspectivas e teve um impacto imenso não só na minha vida acadêmica, como na dos alunos também. Estas aulas somatizaram muitas coisas: o gosto pela leitura, a alegria de saber e o mais importante de tudo: a recuperação completa do que eu poderia seguramente chamar de “baixa auto-estima acadêmica/intelectual”.

Eis que, esses dias, conversando com alguns amigos, reconsiderei a possibilidade de fazer filosofia. Por que não? Não é um curso caro (vou gastar mais com livros). Tem noturno e diurno na UFSC. Acredito que esse curso vai ser bastante estimulante pra mim, ao mesmo tempo que será uma faca de dois gumes: posso me centrar totalmente na minha vida e redescobrir muitas coisas boas recolocando isso pra um lado positivo, como também posso me descentralizar e me perder novamente com tantas possibilidades e novas idéias. Isso soa um tanto quanto assustador, mas curiosamente, não tenho medo. As pessoas que conheci até hoje que fazem/fizeram filosofia podiam até ser bem malucas – algumas até demais – mas com todas era possível desenvolver uma conversa com conteúdo, se perder e se encontrar mil vezes. Por fim, estou considerando prestar vestibular no final desse ano pra filosofia. Não sei se essa é uma decisão burra, acho que não. Sou formada em jornalismo, tenho interesse em comunicação em geral, mas eu queria, de verdade, entender como as coisas funcionam. Não busco por um “sentido” nem nada, mas queria me aprofundar, quem sabe suprir o recalque de nunca ter estudado como deveria no ensino médio.

Por enquanto a idéia é essa. Segundo o site oficial do vestibular da UFSC 2007, as incrições começam agora em 9 de outubro, pela internet. Vou tentar. Meu plano é faculdade pela manhã e trabalhar no período tarde/noite. Vamos ver se dá pé. Mas dessa vez não estou mais com baixa auto estima, pedindo “por favor” à vida não, nem cabisbaixa, nem nada. Estou confiante de que tudo dará certo e de que mais uma vez algo vai funcionar pra mim como deve.. Estou bastante animada. Vamos ver o que acontece.

Mas como vai você?

Assim como eu… Uma pessoa comum, mas um filho de deus.. E papapá como diria a tal da música. Eu diria que eu estou numa época estranha da minha vida, mas tudo bem. É realmente muito bom ver tudo de uma outra perspectiva: de longe. A verdade é que eu estou gostando e se estou gostando, está tudo bem.

Essa semana pra mim vai ser bem corrida, várias coisas pra mudar, inclusive em relação à trabalho. Mas eu não vou falar sobre isso. Não aqui e em nenhum outro lugar. Prefiro ser reservada em relação à isso do que ter que ficar dando satisfações quando não estou a fim.

Outra coisa que também vai acontecer: minha família chega amanhã. Vou vê-los depois de quase seis meses. Vou ficar feliz por ver meus pais de novo, apenas. Minha irmã, nem tanto. Não tô a fim de ficar de babá de ninguém e nem de ouvir novidades fúteis de pessoas que não me dizem mais respeito. Estou mais ansiosa do que emocionada, mas acredito que no geral vai ser bom sim.

Não sei quando vou sair aqui do apartamento da Ana Lúcia, se amanhã (segunda) ou terça… Só sei que até esse final de semana, até sábado eu já vou estar definitivamente “mudada”, pra um lugar pequeno, mas só meu. E isso vai ser importante/interessante não apenas pelo fato de eu estar morando sozinha mas também por que sábado é dia de festa.

A minha animação com esse evento está sendo tanta que já até sonhei com ele essa noite que passou. Vou reencontrar pessoas pouco conhecidas, conhecer pessoas com quem já falo há muito tempo online e conhecer novas, fazer novos amigos e contatos, o que é muito bom. Estou realmente muito animada e não tenho idéia de como tudo isso vai ser. Só sei que vou dançar até morrer.

Quanto ao que eu fiz pra me preparar pra essa semana, em termos de organização? Nada. E não sinto um pingo de culpa em relação a isso. Mandei tudo pra puta que pariu mesmo (“não vou arrumar nada, não vou fazer nada” desânimo geral mesmo) e não vou dizer que fiquei feliz com isso, mas neutralizou bastante a minha raiva diante dos acontecimentos recentes. Eu sei, “burrice”, “quem se prejudica sou eu mesma e papapa”, mas eu me senti melhor com isso na realidade.

Ontem foi um dia ruim (com toda a aura de dia ruim que o dia 7/7 particularmente tem pra mim) então hoje também não foi um dia muito bom. Na verdade foi um dia em branco, não fiz porra nenhuma vezes nada. Um dia completamente recluso, que passei em casa, sem contato humano com ninguém, nem por telefone, nada. Deveria fazer isso mais vezes.

Eu mesma pensei “como estou amargurada”, mas não era amargura não. É ficar sozinha mesmo. É bom às vezes. Eu sei que é estranho eu dizer isso, pois passei 5 anos sozinha mas enfim… Às vezes tudo o que a gente precisa é de espaço e tempo pra pensar e repensar nas coisas que nos acontecem. E é aí que mora o perigo… Mas eu já combinei comigo mesma que nunca mais (cof, cof..) vou tomar uma atitude precipitada. Eu sei. Podem rir. Mas eu juro que vou me esforçar pra isso.

Pensar demais estraga a vida da gente.

A borboleta recalcada

Ele: Fala alguma coisa aí, hahaha…

Dora: Ah.. eu sou – sempre fui – péssima consoladora. O meu máximo de compaixão que consigo demonstrar é “putz, que merda” e resto, silêncio e abraço apenas. Ah.. Acho que é assim que deve ser toda vez que algo morre, independende do que tiver morrido..

Ele: Ah! Não, não estou pedindo isso. Estou falando pra vc falar de outra coisa..

Dora: Sim eu sei… Mas foi algo que me ocorreu.. rs

Ele: Sim, não tem jeito..

Dora: Eu sou muito truculenta com algumas coisas… É feio até.. mas não sei ser de outro jeito… Tipo uma vez, um ficante de uma amiga minha morreu, de um jeito muito estúpido.. Aí liguei pra essa minha amiga e só disse 2 coisas: 1. eu tenho uma má notícia; 2. o Fulano morreu. Ela achou que eu estivesse brincando. Outra coisa que eu não entendo.. É que as pessoas nunca acham que eu estou falando sério. Mas acho que isso é uma culpa inteiramente minha.

Ele: Bizarro. Não sei. Acho que vc fala sério.

Dora: Então. Acho que as pessoas que me conhecem a mais tempo (5 anos) me pegaram na época retardada/palhaça da minha vida. Você me pegou numa época escrota da minha vida.. Escrota no sentido de sem piadinhas, sem gracinhas o tempo todo… etc.

Ele: Sim. Mas não te acho escrota… longe disso e bem ao contrário

Dora: É que em 2005 me aconteceu muita, mas *muita* merda… mesmo. Aí eu virei outra pessoa por causa disso. Até 2005 eu era bem bestinha. Estressava por qualquer coisa, mas depois de 2005, depois desse ano de merda, eu tirei tudo de letra.

Ele: Hehehe.. Sim.

Dora: Eu tava com o exú… Tudo que podia dar errado, não só deu errado, como deu MUITO errado… Hoje em dia as coisas parecem ter melhorado.. mas ainda tô cabreira. E tem algumas coisas que eu quero mudar em mim, mas não sei se consigo. É tão difícil.

Ele: Mudança é sempre difícil. Vejo isso diariamente neste momento em que tenho que me adaptar rapidamente o tempo todo a novas exigências, novos prazos… Meus relacionamentos estão todos mudando..

Dora: Sim.. mas tem algumas coisas que estão na superfície que são mais fácil. O foda é quando vc tem que se reestruturar inteiro novamente… mudar por dentro.

Ele: É muito difícil..

Dora: É assustador.

Ele: Mas é disso mesmo que estou falando. Tudo isso tem que gerar uma resposta interior. Por exemplo: sempre fui super autocrítico e isso sempre me fudeu; Não conseguia fazer as coisas por causa disto, não conseguia lidar com prazos, etc… Agora estou numa situação em que, se eu não entregar no prazo, estou FODIDO. Isso exige uma mudança de atitude muito profunda diante da vida mesmo. E é uma mudança que não consigo ainda manter o tempo todo.. E é quando rolam aqueles pânicos que eu te mencionei, quando eu recaio numa atitude ultrapassada e que não serve mais pra minha vida de hoje. Você até consegue efetuar uma mudança mas manter essa mudança é incrivelmente difícil..

Dora: Sim!!! Exatamente. É isso mesmo. O que mais me indigna é que eu já efetuei essa mudança algumas vezes.. e tive resultados bem favoráveis… Mas não sei se conseguiria de novo. Por exemplo: perdoar. Eu sempre tive pra mim mesma que perdoar não é algo bom por que eu poderia me ferrar de novo.. Aí, do ano passado pra cá, consegui perdoar três pessoas, genuinamente… E não me ferrei de jeito nenhum, muito pelo contrário. Ganhei muito.

Ele: Mas, Dora, tudo se origina nesse tipo de sentimento. Todas as merdas de ficções que a gente cria… “Ah… se eu fizer isso vou me fuder”… Comigo é o mesmo. Às vezes vc precisa se confrontar com algo que te force a agir ao inverso o invés de “se eu NÃO fizer isso vou me fuder”..

Dora: Que raiva. Como a gente é idiota! Pqp..

Ele: Isso não quer dizer que daqui pra diante você vai virar uma boa samaritana e oferecer a outra face, mas que ocorreu uma flexibilização. Você sabe que não é sempre que vc perdoa alguém que vc se fode. Há situações em que isso acontece e é a melhor coisa que vc poderia fazer. O que antes vc talvez não reconhecesse, por estar engessada em uma atitude só.

Dora: Sim.. exato.

Ele: No meu caso: agora eu consigo terminar algo e esse algo não precisa ser absolutamente perfeito, coisa mais maravilhosa da face da terra, mas esse algo em a sua cara, o seu modo de ser, é melhor feito do que não feito e isso muda tudo.

Dora: Meu caso é esse mesmo. Eu tenho que repensar isso melhor. E aceitar isso de fato. Perdoar é tão difícil que pra mim, das vezes que aconteceu, foram completamente espontâneas.. Na verdade eu só fui perceber uns três meses depois que aceitei o fato.. Aí eu vi que tudo estava bem e que era assim mesmo. E que era bom.. então tudo estava bem de novo. Não gosto dessas ficções. Não gosto dessa mania de querer complicar tudo. Mas a impressão que fica é que, se não for complicado, eu vou fazer papel de idiota ou algo do tipo e isso é ilusão. Que ódio.

Ele: Hahahahaha… É o medo que gera essas ficções. No seu caso, medo de “fazer papel de idiota”..

Dora: O engraçado é que nós estamos falando de coisas completamente diferentes.. Mas que são feitas do mesmo material. acho que têm a mesma estrutura emocional.

Ele: Chama-se “recalque”.. Hahahahaha.. Estamos falando de recalques, somos recalcados..

Dora: HAHAHAHahahahaha … Sim! Totalmente recalcada. que merda. A gente acha que é só com a gente.

Ele: Mas todo mundo é. Mesmo as pessoas perfeitinhas, que parecem funcionar muito bem. Por que “funcionar bem” é sintoma como qualquer outro. De onde vem esse “funcionar bem”? Funciona bem agora, em outra situação pode ser uma merda..

Dora: Sim.. Por que eu não nasci borboleta? Droga.

Ele: Hahaha.. Borboleta tem recalque… hahahaha. Estou zuando. É que tem uma corrente psicanalítica de um cara brasileiro, MD Magno, que tenta generalizar estas noções a tudo. Por exemplo: reclaque é qualquer bloqueio, qualquer coisa sólida e engessada. Uma borboleta está presa a ser uma borboleta, eu estou preso a ser eu e assim por diante. O mundo todo pode ser visto por este viés. Tudo é “formação”, uma formação de diferentes tipos. Meus recalques são um tipo de formação, eu inteiro sou outra formação, você, a borboleta e assim por diante.. hahaha.. Por isso que zuei: “a borboleta é um recalque”.

Dora: Essa formação é o que pega. Também dizer que a gente não tem culpa de ser quem somos não resolve nada… Eu já fiz isso por muito tempo também.. rs

Ele: Não sei se é caso de culpa. Eu colocaria assim: vc não tem culpa de ser quem vc é, mas certamente tem culpa de continuar a ser quem vc é. Isso significa que ficamos na merda porque queremos e disso temos culpa.. Não temos culpa de nascermos uma merda, mas sim de continuarmos a ser uma merda. Resumindo é isso.

Dora: Acho escroto o jeito que a gente fantasia sobre as pessoas. Sim.. mas “n” fatores nos levam a continuarmos a mesma merda.

Ele: Sim, mas aí começam a desculpas..

Dora: Desculpas, ilusões… auto-comiseração…

Ele: Sim. Tudo isso são maneiras de manter o recalque e evitar a mudança. Pq mudar é difícil pra caralho mesmo..

Dora: Mas o mais escroto é fazer com que sintam pena de nós.. Eu vivia sentindo pena de mim mesma. É muito vergonhoso. mas no começo desse ano isso mudou bastante. Aliás muita coisa mudou.. Mas a prova dos 7 vem agora quando eu ver meus pais de novo. Eles sim vão poder me dizer se estou mudada ou não. rs

Ele: Hahaha.. Vc vai pra campo grande?

Dora diz (14:35): Eles vem pra cá. Se eu precisar nunca mais pôr os pés naquele estado, melhor.

Ele: Hahahaha! Olha o recalque!

Dora diz (14:35): AHAhAHAHAHAHAHa.. Mas é pô!!! Mora lá pra vc ver o que é bom!!!

Das pessoas que te botam pra baixo

Algumas pessoas se apegam a alguns comportamentos tão toscos que, depois de algum tempo, acabam achando que eles são completamente “normais” e quem é neurótico, são os outros. Acredito que ironia e sarcasmo têm limites. Ainda mais quando se trata de um amigo(a) seu que está passando por um momento difícil na vida (nunca se sabe). Então, é preciso ter cuidado. Não que eu seja a pessoa menos irônica e mais sem sal do mundo. Quem me conhece, sabe que não sou assim, então não vou nem ficar me explicando. A coisa é que, ficar ouvindo ironiazinha idiota de quem você 1. não espera 2. não está a fim, é um saco.

Chato também é quando você compartilha alguma coisa com alguém e a pessoa simplesmente joga pra cima de você argumentos completamente conformistas e se você diz pra ela de volta “poxa… eu acho que não é bem por aí”, a pessoa te acha uma louca neurótica, te manda pra um psicólogo e volta pra cima de você com 7 pedras. Porra… Será que eu tô (aliás, estava) cercada de gente imbecil ou é impressão minha? Na verdade eu descobri faz pouco tempo que amigos não são aqueles que te mandam procurar um psicólogo na primeira fraquejada que você dá, mas são aquelas pessoas que estão ali te apoiando seja com um silêncio completo ou com um “que merda, cara” de compaixão.

Mas não é nada disso de misery loves company… São coisas bem diferentes. Você não é obrigado a ficar na merda pelo seu amigo, apenas compreender o estado dele e não ficar feliz com isso. Não precisa propôr soluções, se você não tem nada bom em mente, mas apenas esteja lá e compreenda o que ele(a) passa. O resto, meus caros, é perfumaria. Não são amigos de verdade, só pessoas aleatórias que aparecem vez e outra pra te encher o saco e te botar pra baixo pra se sentirem melhores consigo mesmas.

*suspiro*

Isso que eu vou dizer não é novidade nenhuma mas… Os seres humanos *sabem* como ser detestáveis.

Ô racinha.

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