Etiqueta para blogs: isso é realmente necessário?
Eu tenho evitado escrever esse post por uns dois meses, mas cada vez mais eu acho necessário tocar nesse assunto. Em jornais no Brasil todo isso já virou festa… Tem jornais da minha cidade que praticamente sobrevivem de ctrlc+ctrlv de conteúdo da Internet. Até na faculdade mesmo a gente via isso como se fosse a coisa mais normal do mundo, ou ainda, pegar parte de um conteúdo e fazer um artigo/texto/trabalho totalmente frankenstein, com pedaços de textos do virtual aqui e a ali. Claro, acho que inspiração é algo legal e bacana, mas plágio não tem nada a ver com inspiração. Não lembro de ter feito cópia deslavada de nada/ninguém. Geralmente se copio algo de alguém eu assumo na cara de pau mesmo, e ainda aviso a pessoa (tô falando de blogs, não de conteúdo acadêmico). Não é a toa que aqui no meu blog existem as categorias “Dos Outros”, “Coisas que me Traduzem”, “Achados”, etc. E eu boto o link de volta pro endereço onde achei a imagem/texto/idéia, o que for.
Particularmente não gosto de copiar ninguém. Não só acho chato, como também acho desrespeitoso, mas esta sou eu. Outra coisa que acho chato (e por isso a demora em escrever esse post) é ficar cagando regra pros outros. Cheguei a essa conclusão ontem, quando li um post no blog do Felipeta que me fez morrer de rir e concordar com tudo praticamente. Acredito que o mundo virtual é caótico e não são listas de “10 mandamentos” que vão resolver a zona que virou tudo isso. O que as pessoas mais precisam é de bom senso, mas aí já não é problema meu também. Eu só não sei mais o que sentir quando vejo que sou copiada. Tem gente que acha uma merda, que fica irritado e roga praga pra cima do imitador. Tem gente que acha que ser imitado é um elogio, pois significa que as pessoas realmente se identificam com você e gostam do que você faz/pensa. Eu fico exatamente no meio desses dois tipos de pessoas. Ao mesmo tempo que acho uma merda (ninguém gosta de se sentir mais um, de ser descaradamente imitado), não há nada que eu possa fazer pra evitar isso e eu nem quero evitar isso (falando de conteúdo de blogs). Mas enfim, essa é uma questão muito mais delicada e envolve muito mais coisas do que eu posso imaginar.
Deixando tudo simples: envolve dois tipos diferentes de cultura: a real e a virtual. Algumas pessoas dão pouco (ou nenhum) crédito a cultura virtual, mas ainda assim, copiam textos e imagens a torto e a direito e produzem conteúdos reais, gerando lucro. Isso é certo? As coisas ficaram tão fáceis que fica complicado dizer o que é crime e o que não é. É errado piratear, é errado baixar músicas, é errado pegar imagens, copiar textos sem autorização/indicação. Mas isso acontece o tempo todo, no mundo todo.. A rede é muito grande, a gente nunca sabe onde as “nossas coisas” podem parar. A gente nem sabe mais se as “nossas” coisas na verdade são de fato nossas, pois algumas coisas da produção humana não deveriam ser patenteadas (opinião minha). A cultura de massa, industrializada, produto da sociedade moderna é patenteada e não há muito o que se faça sobre isso, mas o conhecimento e o que muita gente chama de ‘alta cultura’¹ (expressão muito controversa no meio acadêmico)… Não deveria ser, pelo menos é isso que eu penso. Tem gente que acha que absolutamente nada deveria ser patenteado, ou ter marca registrada ou coisa do tipo. Mas não penso assim não. Nem tudo é de todos nem para todos. Como eu já tinha dito, bom senso é importante.
Vejamos… Copiar de blog pra blog, ou de site pra blog, isso é uma coisa que acontece, querendo ou não. Por mais que existam leis, a justiça (no Brasil ainda..) é lenta e ainda não parece ser bem definida pra casos de Internet. Agora é que tem gente (esperta, inteligente pra caralho, que não perde tempo nem dinheiro) que tá começando a se especializar nisso. Mas há N diferenças. Um blog que é um diário virtual, ou mesmo um blog pessoal, é diferente de um blog empresarial/artístico etc. Se alguém copiar algo do meu blog, eu (ainda) não acho que é motivo suficiente pra entrar com uma ação judicial e exigir meus direitos e papapá… Acho um exagero e acho estranho. Sei lá. Tanta coisa internet afora que a gente se identifica e às vezes nem sabe como dar crédito, ou indicar… É confuso e bizarro. Vamos pegar um exemplo bem raso: minhas categorias. Onde está escrito que eu tenho “propriedade” sobre a expressão “Chuta que é macumba!” ou “Filosofia de Buteco” ou qual quer uma que seja? Mas isso é um detalhe. Nunca tive uma idéia roubada. Mas isso se deve por que na verdade nunca tive uma idéia brilhante que colocasse em meu blog (ou em lugar algum aparentemente).
Na verdade eu acho que é isso mesmo, eu não tenho tantos motivos pra reclamar de cópia de conteúdo, mesmo porque a maioria das coisas que escrevo aqui são tão pessoais… Mas enfim, isso também não significa que elas não sejam passíveis de plágio. O que me deixa admirada é que eu sou a pessoa mais sem graça do mundo.. Minha vida é tosca. Posso ser formada em jornalismo, mas nem trabalho na área e também não sou especializada em nada… Em suma, sou a pessoa mais perdida que conheço. Sou uma neurótica, histérica, eternamente atormentada por um passado sentimental escroto e sendo que por isso mesmo atualmente tenho uma vida sentimental completamente miserável. Aí eu fico me perguntando e a pergunta também não quer calar: será que existe tanta gente assim com a vida TÃO mais sem graça que a minha ao ponto de copiar vestígios da minha vida medíocre? Credo… Esse mundo tá mais perdido do que eu imagino mesmo…
¹ Certa vez meu professor de Teoria da Comunicação falou sobre “alta cultura” e “baixa cultura” dentro de sala de aula e foi um furdunço só. Ele mesmo defendia que só havia uma cultura, mas nos explicou esses termos pra definir a cultura de massa ou baixa cultura (Beyoncé, Tati Quebra Barraco, Ivete Sangalo, Rebeldes) e a cultura erudita ou alta cultura (Beethoven, Bach, Bizet, Mozart, Vivaldi).
Juntar o útil ao agradável é sempre bom. Eu não lembro exatamente onde eu tropecei no link com o .pdf de como fazer isso, mas enfim, eu achei e salvei. O original encontra-se no site 