Kommbo Express – 9 de julho

2009 Julho 2
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Dentes

2009 Julho 1
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by Dora

Esses dias pensei em fazer esse post por que o Felipe tinha feito um post sobre banhos. Ou melhor, sobre “o banho”, o ato de banhar-se. Mas esse meu post seria sobre um outro hábito: o escovar de dentes. Mas pra falar disso eu tenho que lembrar de coisas que vieram antes. Ao que tudo indica, a saúde bucal da minha mãe não foi das melhores na juventude dela. Então, ao longo da vida dela ela tentou incutir a paranóia “escovar os dentes 3 vezes ao dia é muito importante” em mim.

Ao contrário dela talvez, desde que fui pra escolinha aprendi a escovar os dentes e desde pequena minha mãe me levava na dentista e eu gostava. Mas gostava normal, nunca fui obcecada pelos meus dentes e nem por manter eles limpos o tempo todo. Quando pequena eu devia comer doces normalmente, como qualquer criança come. Mas a minha vida inteira a encheção de saco da minha mãe por escovar os dentes 3 vezes ao dia meio que me  irritava. Não entendo essa convenção de ter de escovar os dentes 3 vezes ao dia até hoje.

Tive que usar aparelho uma vez, o móvel. Não lembro qual era a minha idade na época, mas tive que usar por uns 2 anos. Depois disso, a dentista disse que meus dentes estavam perfeitos e que tudo estava bem. Nunca tive uma cárie sequer e só quebrei (lasquei) um dente uma vez por causa do piercing na língua. Também tenho amígdalas porosas, mas morro de preguiça de fazer a cirurgia pra retirá-las, mesmo por que, acho que não vai adiantar nada. Nunca fui de escovar meus dentes doentemente durante 3 vezes ao dia, mas também nunca tive problema nenhum com a minha boca/dentes, a não ser umas eventuais aftas vez e outra.

Meus dentes não são exatamente brancos, são de cor de areia, acho. Sei lá, acredito que seria bizarro ter dentes muito muito brancos, que nem nas propagandas… Não me parece muito… humano. Também nunca mandei clarear meus dentes e nem mandaria. E meus dentes só não são “brancos” pq eu não os escovo direto e também por causa da quantidade de chás que tomo. Nunca tomei muito café (só tomo com leite) e nunca fumei o suficiente pra deixar os meus dentes amarelo-doente. E pra mim esse lance de dente branco, branquíssimo é meio que lenda.. E se eu ver alguém com dente realmente assim algum dia, acharei bizarro.

Enfim… Não escovo os dentes três vezes ao dia e nem por isso sou uma pessoa menos digna.

Não tenho mau hálito então, sei lá.. Whatever. Não como quilos de doces diariamente a ponto de deixar meus dentes podres de cariados, então não tem por quê eu ficar escovando direto a não ser que eu coma coisas que tenham muitos ‘fiapos’ (certos tipos de carne e frutas). E pra todos os casos, acho que escovar eles no fim do dia é o suficiente.

I Want You, But I Don’t Need You

2009 Junho 30
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I like you, and I’d like you to like me to like you
But I don’t need you
Don’t need you to want me to like you
Because if you didn’t like me
I would still like you, you see

La la la
La la la

I lick you, I like you to like me to lick you
But I don’t need you
Don’t need you to like me to lick you
If your pleasure turned into pain
I would still lick for my personal gain

La la la
La la la

I fuck you, and I love you to love me to fuck you
But I don’t fucking need you
Don’t need you to need me to fuck you
If you need me to need you to fuck
That fucks everything up

La la la
La la la

I want you, and I want you to want me to want you
But I don’t need you
Don’t need you to need me to need you
That’s just me
So take me or leave me
But please don’t need me
Don’t need me to need you to need me

Cos we’re here one minute, the next we’re dead
So love me and leave me
But try not to need me
Enough said

I want you, but I don’t need you

La la la
La la la

I love you, and I love how you love how I love you
But I don’t need you
Don’t need you to love me to love you
If your love changed into hate
Would my love have been a mistake?

La la la
La la la

So I’m gonna leave you, and I’d like you to leave me to leave you
But lover believe me, it isn’t because I don’t need you (you know I don’t need you)
All I wanted was to be wanted
But you’re drowning me deep in your need to be needed

La la la
La la la la la la la la la

I want you, and I want you to want me to want you
But I don’t need you
Don’t need you to need me to need you
That’s just me
So take me or leave me
But please don’t need me
Don’t need me to need you to need me
Cos we’re here one minute, the next we’re dead
So love me and leave me
But try not to need me
Enough said
I want you, but I don’t need you

[Momus - I Want You But I Don't Need You]

Minhas condolências

2009 Junho 29
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by Dora

Marlany: Dora…
Dora: Fala, flor.
Marlany: Me ajuda a escrever uma mensagem de pêsames em inglês? Acabei de descobrir que uma pessoa querida morreu e queria deixar uma mensagem pro esposo dela.
Dora: Putz Lany… Tu pediu pra mim algo muito difícil.
Marlany: Tá ocupada? Se tiver nem estressa..
Dora: Eu mal sei dar condolências em português… Sou uma insensível pra isso. Imagina em inglês.. Sério.
Marlany: Eu também sou insensível mas quem sabe se juntarmos nossos projetos de sensibilidade, dá uma sensibilidade completa? HSAUSHAUSHAUS (maldade :P)
Dora: Huahauhau.. Meu.. A última vez que tive que dar notícia de morte pra alguém, eu só liguei pra casa de fulana e disse na lata: “Ele morreu”. Ela achou que eu tivesse brincando, mas depois que viu que era sério ficou mal. Sou uma negação pra essas coisas, mesmo.
Marlany: Comecei assim: “It has been a long time since we last spoke. I just knew about Ly and I’m still shocked“.
Dora: Ah cara.. só fique no “my condolences” mesmo. Ou não diga nada. “I feel sorry for your loss“. Meu realmente… Sou péssima, PÉSSIMA. Nunca sei o que dizer.
Marlany: haha.. Só preciso de uma frase final, algo tipo “keep walking“…
Dora: Keep walking, Johnnie… Hahaha, meu.. desisto.. Eu sou muito filha da puta. Não róla.

Senhores

2009 Junho 28
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by Dora

Me sinto levemente desconfortável por entender que causo indignação, mas não me martirizo (mais) por isso. Mas senhores, não se indignem: a arte serve como justificativa pra quase qualquer coisa. Acreditem. Não em mim, mas no estado das coisas. Senhores: corpo é apenas corpo e nossa mente nos mente, então pra que iludir-vos em questionamentos que não lhes levarão a lugar algum que não seja a mesmice do “mais além”? Mais além este que mal chega na pretensa esquina de qualquer caminho mental que vocês nem sequer conseguem imaginar que exista.

O que houve foi sonho, foi vago, superficial. Foi pra debaixo da minha pele, mexeu com as minhas endorfinas, perpassou entre meus nervos e torneou alguns de meus músculos, o que fez tudo PARECER real. Mas foi com muito bom grado que me deixei levar, participar e atuar em alguma parte relevante – talvez nem tanto – de vossas existências. Algo que pra mim é muito claro, mas que, ao que parece, é preciso relembrá-los sempre: senhores: vocês são mais do que o que vivenciam. Sempre foram. Só precisam acreditar nisso, pra que isso seja possível.

Eu acredito. Não em vocês, nem em mim. Mas nas possibilidades dos sonhos e das interpretações e de como tudo pode ser transformado e transformável, mesmo quando não se faz absolutamente nada pra isso. Ou ainda quando se parece HOSTIL. Ou ainda quando se parece MAGOADA. Ou ainda quando se diz ATRAÍDA. São cenas, sonhos, confusões, detalhes… E eu guardo todos os detalhes que constam, bons e ruins. O contra-regra é sempre a favor da regra, e sempre está ALÉM dos atores, atuações, cenas, cenários.

Portanto senhores selo meus lábios nos vossos. Agradeço pelas coisas que não aconteceram. Agradeço pelo vácuo, pelas histórias que não participei. Tenho (e tive) todos os senhores dentro de mim e poderei reassistir as mesmas cenas quantas vezes eu desejar. Atores mudam, cenas idênticas, não vou saber o que é real e o que é fictício, vou me envolver, vou me perder, me reencontrar, me APAVORAR e aí, como num passe de mágica, num corte de câmera, numa outra tomada, tudo ficará BEM novamente. E com vocês também, senhores.

O cenário mudará. A língua, costumes também. Mas o teatro sempre pode ser cinema e cinema é sempre vida, vivencia, detalhes e não experiência. Não há como fugir disso e se se foge disso ainda assim, retorna-se e cria-se algo similar a isso, mesmo por que são padrões que se repetem. Não é difícil entender isso. Mas as histórias são sempre as mesmas, só que se refazem e então parecerão outras, sempre. Se não comigo senhores: com outras. E outras. E outras. Até o dia em que lhes direi adeus pela última vez.

A vida é LONGA

2009 Junho 25
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As pessoas dizem que a vida é curta e que
você pode ser atropelado por um ônibus a qualquer
momento e que você tem que viver cada dia
como se fosse seu último

MENTIRA

A VIDA É LONGA

E você provavelmente não vai ser atropelado por
um ônibus e você terá que viver com as escolhas
que você faz pelos próximos cinquenta anos
.

-

Beijos.

Sonho simbólico

2009 Junho 25
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by Dora

Era manhã. Eu estava num jardim, que também tinha um campo, e ao fundo tinha um rio. Não era uma manhã fria, mas sim, aconchegante. O tempo passava e eu sentia, não tinha relógios, apenas o sentia passando por mim. Pareciam ser seis horas e parecia ser o começo de tudo. Eu estava bonita, cabelos bem compridos, e também estava sozinha. O tempo foi passando rapidamente aí veio o sol, devia ser umas 9 horas. De repente senti que minha barriga começou a crescer e ficou bem grande: eu estava esperando uma criança. Uma menina, eu sabia que era uma menina. Molhei meus pés na água do rio e esperei mais um pouco. O sol estava forte, mas eu me sentia confortável. Quando vi, era meio dia e o bebê já estava em meus braços. Fui pra debaixo de uma árvore por que fiquei com medo do sol machucar muito a criança, apesar dela crescer rápido.

A amamentei durante um período da tarde e ela foi crescendo muito rápido. Acho que lá pelas três da tarde, ela já corria, sorria, cantava, falava comigo e colocava flores no meu cabelo. Era uma criança muito doce e inteligente. Era uma tarde bem quente de verão, mas a essa hora a temperatura começava a ficar morna e o sol preparava pra se pôr. Eu estava sentada em algum lugar daquele bosque bonito quando a criança se afastou de mim e foi em direção a uma mesa, que estava próxima do rio. Uma mesa cheia de papéis, onde estava um homem, sentado, preocupado, escrevendo e fazendo anotações. Ainda assim, ele estava de bom humor e parou o que estava fazendo pra pegar a flor que a criança ofereceu pra ele. O reconheci imediatamente e meu coração se encheu de alegria. Ele conversou com a menina, ensinou algumas coisas a ela e brincou com ela. Fiquei de longe observando. Era um fim de tarde morno e o céu estava de um laranja muito acolhedor..

Acordei.

Chorei efusivamente.

Foi um dos sonhos mais bonitos que já tive.

Banho: o tabu

2009 Junho 22
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Perguntadas, as pessoas afirmam que tomam banho diariamente. Quem admite que não toma banho todos os dias é tido como “ousado”, é aquele “que não tá nem aí para o que os outros pensam”, para simultaneamente ser taxado de porco. É como admitir que peida. Todos peidam, sabem que peidam. “Eeeu? Nunca!”. Mas é proibido pela convenção social ADMITIR uma coisa dessas. E nem estou falando de trazer à tona o assunto “flatulência” numa situação social, que aí seria BAIXARIA DO MAIS ALTO GRAU, algo só aceito em mesa de bar, com todo mundo bêbado. Falo simplesmente de admitir – para si, que seja – que solta um bafo intestinal de vez em quando, e que até sente o cheiro. Coisa triste, as amarras sociais.

Se você não caiu no lixo, não se cagou nem se mijou, não correu uma maratona nem jogou uma partida de futebol, não come alho em profusão todos os dias, não tem problemas glandulares que causem muito suor e cheiro ruim, provavelmente você não precise tomar banho hoje. Admita e aceite. Não é vergonha nem nojento ficar um dia sem tomar banho. Ou dois, ou quem sabe três dias, dependendo das circunstâncias.

Lavar o cabelo não é banho. Quem tem caspa ou cabelo oleoso teoricamente “não pode” deixar de lavar as melenas. Ponto pacífico, mas nada a ver com banho. Se você não consegue lavar a cabeça sem ficar nu debaixo de um chuveiro, o problema não é mais meu, amigo.

Não interessa aqui, tampouco, a ESCOLHA de tomar banho diariamente, nem o prazer que a pessoa que toma até mais de um banho por dia sente, menos ainda o fator relaxante do banho. Cada um na sua. Meu negócio é a suposta NECESSIDADE de tomar banho todos os dias e, especialmente, o NOJO gerado nas pessoas ao saberem que alguém não faz isso.

“Saberem”. Palavra-chave: SABER. O pecado original, pai da frescura. Para começo de conversa, e já poderia ser também o fim dela: olha na minha cara e diz que você é capaz de saber se a pessoa atravessando a rua – aquela pessoa comum, sem fedor, sem uma craca pelo corpo – tomou banho ou não, só de olhar. É claro que você não é capaz, não minta. Você não sabe se alguém tomou banho ou não até que a pessoa diga. Ninguém em condições normais fede por passar um dia sem banho. É ao SABER que a pessoa não tomou banho, pelo menos até aquele momento (vai que ela está indo para casa tomar um; terá seu banho diário em breve), que você vai acabar enxergando ou sentindo alguma coisa que “denunciaria”. Ou nem vai sacar nada, vai só julgar: suja, porca. Ou absorverá um factual e singelo porém acusatório “ela não tomou banho”. Mesmo a pessoa não estando suja.

Uma hora vão inventar, tirar de algum “estudo científico”, que O CORRETO é tomar banho 2 vezes ao dia: uma vez ao acordar e outra à noite, depois de um dia cheio. Mas é óbvio! Imagina parte de uma manhã e uma tarde inteirinha – talvez, ainda, um pouco de noite! – sem um banho. Imagina o fedor e a crosta de sujeira do indivíduo! Precisa de um banho antes de ir deitar, claro. E no dia seguinte acorda já FEDENDO (A SONO), aquele cheirão insuportável de cama que não vai sumir depois de uma arejada na rua. Vai pro trabalho assim, irmão?

Pouco me importam os benefícios “científicos” da higiene do corpo, ou os “prejuízos” da falta de banho. Saúde se faz na alimentação, e nem precisa lavar as mãos antes de comer, sério; nos exercícios físicos, na meditação, no bom convívio com os que nos cercam, no trabalho que dá prazer. E mesmo assim, nada é garantido.

Aí o mais engraçadinho já vem ignorar o texto e me chamar de porco. “Rá! Escreveu um texto para legitimar a própria porquice, ein! Malandrão!”. Hilariante, meu bom. Veja só, eu sou feio e barbudo, desalinhado, mal vestido e manco nas habilidades sociais; gosto de pensar que sou um cara educado, para contar algo a meu favor. Por mais banhos que eu tomasse, por NUNCA QUE EU TIVESE ESCRITO esse texto, a pessoa que me vê na rua tem muita probabilidade de não me tomar por alguém “limpo”. Numa fila de gente, tipo identificação de suspeitos na delegacia, entre indivíduos sem banho e com banho, não me sentiria injustiçado se, mesmo de banho recém tomado, fosse apontado como um dos que não viu o chuveiro naquele dia. Porque as pessoas são como são, e se você é agradável, não é por causa dos banhos que você toma todos os dias, minha filha, e assim por diante.

E se o cara vai passar o fim-de-semana em casa, vendo tevê ou sentado na frente do computador, por que diabos vai tomar banho todo dia? Banho o cara toma quando a situação está em estágio avançado, de modo que pode incomodar os outros ou causar problemas para si, como no ambiente de trabalho ou algo do tipo. Banho, como tantas outras coisas, é para os outros, não para a gente.

-
O texto original é do Felipeta, mas os grifos são meus.
Pertinente demais pra passar batido, de novo.

Conversando com minha mãe

2009 Junho 21
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De uns tempos pra cá meus pais estão aprendendo a ser pessoas modernas e hoje eu tive minha primeira conversa com a minha família (mãe, pai, irmã) pelo Skype. Pessoalmente, ainda não consigo chamar o Skype de Skype, me refiro a ele como telefone mesmo. Pois bem. Conversamos por algum tempo e minha mãe me falou várias coisas e me perguntou várias coisas também. Achei legal até, uma conversa pausada, sem pressa de desligar. Ela me perguntou se eu estava namorando. Disse que não e que não estava exatamente preocupada com isso.

Minha mãe ainda acha que eu tenho que arrumar “um companheiro” (heh). Eu também acho, mas a coisa toda não é tão simples quanto parece.  Pois bem, o que me levou a escrever esse post foi que minha mãe ligou pra minha avó paterna esses dias. Short long story: tenho 2 pais, um da carteira de identidade (Paulo) e outro que me criou (Stenio), que é meu pai mesmo. Os pais do Stenio já faleceram, mas a minha avó, mãe do Paulo, ainda está viva. Na verdade minha mãe me disse que ligou pra ela esses dias, pra parabenizá-la por que tinha sido aniversário dela.

Tipo… Eu não converso com essa minha avó faz anos. A única coisa que sei muito por cima dela é que ela é meio bruxa, no bom sentido. Enfim, ela conversou com a minha mãe e perguntou como eu estava. Ela sempre pergunta de mim. E minha mãe, claro, falou o que sabia. Minha avó perguntou a minha mãe se eu estava namorando e minha mãe disse que não. “Ah, mas não se preocupe Neide.. A Isadora vai casar sim. Vai casar com alguém de fora e vai acabar se mudando pra fora do Brasil com ele. O destino dela não é ficar aqui não”.

Fiquei com medo disso. E claro, não acreditei. A probabilidade de eu casar com um gringo é bem, mas bem baixa. Mal saio de casa, não tenho muitos amigos. Tenho muitos conhecidos, mas não saio de casa por nada nesse mundo. Meu inglês tá capenga, mas dá pro gasto ainda. Limitei-me a achar engraçado apenas. E então minha mãe me perguntou “Ok, pode não estar namorando ninguém.. Mas você está gostando de alguém, não está?”. Estou mãe, mas ele mora longe, pra variar, e nós não temos muitas chances. Ela quis saber quem é. Eu também quero saber quem é, ainda estou descobrindo.

Pra que ter pressa, não é mesmo?

Conselho perene

2009 Junho 20
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Dora: Me sinto muito desconfortável. Isso tudo me incomoda muito.

Ele: Pode ser. A escolha é sua, mas os ganhos são maiores se você suportar o desconforto… E a perda será que nada acontecerá. E se nada acontecer, dane-se, você fica na mesma.

Em Banho Maria

Conselho pra uma vida toda. Pra todas as coisas. Pra várias situações, eu lembrei e usei.

É de um otimismo que beira o comodismo. Mas só é comodismo se você QUISER que seja.

Ia escrever algo aqui sobre “suportar desconfortos”. Mas já não enxergo mais dessa forma. Não tenho tendência a enxergar tudo pelo lado ruim. Não fico mais magoada por muito tempo e também não sei (nunca soube) me vingar. A minha máxima é deixar estar, sempre. Um hiato é sempre positivo, comigo nunca teve erro. Nada que um bom período de reclusão com meditação não cure. Me faço voltar ao eixo na marra, sempre. E depois as coisas se arranjam. E se não se arranjam eu FAÇO elas se arranjarem. Ou pelo menos tento. Orgulho não vale merda nenhuma nessa existência escrota que a gente vive. Mas é preciso dar tempo ao tempo, sit back and relax. E é fato: as situações sempre melhoraram quando fui assim. Menos desgaste, menos discussão desnecessária e irrelevante que nunca chega em lugar algum, mais tempo vivendo bem. Muito melhor.

Ignorance is bliss.

Aí sim, depois de agir assim algumas vezes, pude perceber que coisas tem começo, meio e RECOMEÇO, sempre. O único fim real é só quando a gente morre e a única certeza que temos é de que um dia, qualquer hora dessas, iremos morrer (nihil verum nisi mors). Enquanto não morremos, as situações vivem em nós, independente do tempo, independente de tudo. E a tendência é tudo acontecer de novo e de novo (se permitirmos, claro), só que de formas diferentes, contextos diferentes, enfim. Mas isso é apenas um padrão que reconheci. É tão claro, tão óbvio, tão luminoso que é ridículo, que me irrita e que, a bem da verdade, nem me impressiona mais. A vida é um filme muito do sem graça e às vezes eu me machuco e também me entedio ao extremo.

O grande problema é saber lidar com todas AS (IM)POSSIBILIDADES. “Mas não.. isso nunca vai contecer/é pouco provável que aconteça”. Por que não? O que garante? E aí a pessoa te dá respostas supostamente “concretas”, quando na verdade, na grande e dolorida verdade, a resposta que você tem e acredita não passa de uma “fé”, de algo que a pessoa, em seu íntimo, realmente espera e ACREDITA que não acontecerá, mas talvez, não confesse a si mesma que não tem  mesmo certeza disso. É dolorido, triste, mas hoje acho tragicômico. “Não… mas isso nunca vai acontecer”, pois sim, acontece sim, acontece muito, acontece sempre e acontece novamente. E novamente. E novamente. No mesmo contexto, em outros contextos, com outras pessoas. Mas acontece. Nesses casos, é preciso lembrar sempre dos detalhes minuciosos e guardá-los com sabedoria em cantos específicos da memória, pra não esquecer jamais. Eles nos dão boas pistas pra entender melhor quando e por que as coisas acontecem. Pistas, apenas, que fique claro. Nada concreto, mas suficiente. Questão de fazer associações, ligar pontos e, novamente, acreditar. Ou não. Enfim…

Mas quando acontece o HIATO e depois, o recomeço, aí sim tudo é muito novo, outras perspectivas, outras cores, outro tempo, espaço, etc. E tudo PARECE (notem PARECE) muito BOM. Mas não é exatamente bom: é apenas o mesmo, só que com uma outra roupagem… Nada mais nunca é realmente novo. E isso já faz tempo. As coisas já mudaram e o seu saudosismo é imbecil. Quem não é muito consciente disso se frustra com uma frequencia que, pra mim, é entediante. Então é preciso escolher o que é importante.

E o importante pra mim é o agora.

Que já é outra coisa. Faz tempo.

Velhas escrotas

2009 Junho 18
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by Dora

- Tô ficando com um bófe por aqui, tipo… He’s really sweet and all but eu deixo bem claro pra ele que não tem nada a ver… Mas ele diz q ‘tem paciência e q vai me conquistar’… Cara.. Não vai. Ele bebe  e fuma como um condenado. E isso não me seduz. Sorry. [...] Mas eu tava pensando esses dias… Vai chegando uma idade que cada vez menos a gente vai mudando nossos hábitos escrotos. E mudar os hábitos escrotos fica cada vez mais FODA se você não corta o mal pela raíz. E NUNCA acontece o contrário.
- True. Eu já me considero imutável, hahahaha…
- Estou fazendo o que posso pra não ter hábitos escrotos e pra não perpetuá-los. E ainda pra manter/criar os saudáveis.
- Acho que o cultivo de hábitos escrotos aumenta junto com o poder aquisitivo…
- Fato.
- Sim. Já viu pobre velho ser escroto? Nada… São todos uns doces… Resignados… etc.
- HAHAHAHA…
- Sim, foi espirituoso.
- Quero ser uma velha pobre.
- Eu já sou uma velha rica. Tem como mudar isso mais não.

Vida besta

2009 Junho 12
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by Dora

Essa semana eu fui numa dermatologista ver algo que estava me incomodando há algum tempo. Uma manchinha nas costas, no lado direito. E “dentro” dessa manchinha tinha um pequeno nódulo, o que me deixou preocupada. Segundo a médica não deve ser nada demais, mas ela me mandou fazer um ultrassom, só pra ver o que é. Disse também que a mancha exatamente em cima do nódulo não passa de uma coincidência, apenas. Pois bem. Se não for nada demais, mesmo, não vou querer tirar.. Que fique ali, não tá me incomodando mesmo. Estar no consultório foi engraçado… Várias mulheres com a idade da minha mãe querendo fazer peeling e sei lá que mais no rosto. Fico imaginando se algum dia vou ter essas mesmas preocupações também, em querer parecer mais jovem. Mas acho que não, eu só vou querer viver bem mesmo e envelhecer o mais naturalmente que eu puder. Acho que vou fazer reposição hormonal sim, mas se meus cabelos branquearem, não penso em pintá-los. Pelo menos não agora, talvez daqui uns anos eu mude de idéia.

Acho que tenho ido regularmente na endócrinologista desde o ano passado, se não me engano. Tenho Tiroidite de Hashimoto e nunca a tratei até novembro de 2007. Desde então comecei a tomar o T4, primeiro 125mcg, agora 112mcg. Tenho ido regularmente de três em três meses na endócrino pra ver se está tudo bem. Exames de sangue de rotina, etc. Ela diz que está tudo bem e que eu devo continuar o tratamento normalmente. Tentou me passar uma dieta e fala pra eu fazer exercícios e tudo o mais, cheia de boas intenções, como todos os médicos são, mas não adianta ter boas intenções quando tudo depende do paciente. Faz alguns meses que tenho estado preguiçosa, que tenho engordado, que tenho tido um completo e total desleixo quanto a minha própria alimentação. Sei que isso é ridículo, mas tenho algumas desculpas bem esfarrapadas pra isso tipo, não ter horários (ou melhor não saber organizar melhor meus horários) e ter muita coisa da faculdade pra fazer, participar, ir, finalizar, etc. Enfim, são desculpas imbecis. Se eu realmente quisesse, me organizaria e colocaria tudo em ordem. Mas tenho tido uma preguiça bem grande pra isso.

Segunda-feira marquei ginecologista. Não estou preocupada com nada em específico, só queria fazer os exames de rotina e ver que está tudo bem mesmo. Ou não né? Nunca se sabe. Só sei que preciso ir nessa especialista pra terminar ‘a tríade’. Fazer aquele examezinho chato, o preventivo e sei lá mais o quê. Faz tanto tempo que não vou numa ginecologista que nem lembro o comofas da coisa toda. Todas as minhas experiências com ginecologistas foram ridículas. A primeira vez fui sozinha e minha mãe surtou pra caralho, tinha 16 anos. Mas não adianta: quando a gente é nova e irresponsável nunca se preocupa o suficiente com absolutamente NADA. Por mais que eu fosse e pedisse uma receita de pílula, eu não tomava direito, não me preocupava… Nada. Uma das últimas ginecologistas que fui também era muito medonha e ficava me falando sobre fertilidade quando eu nem mesmo pretendo ter filhos. Foi horrível, foi ridículo..  E porra, eu era uma criança, tinha 18~20 anos. Mas enfim. Agora que já estou mocinha, tenho 25 e quero organizar todas as coisas na minha vida, tudo muda de figura. Essa será a “última” médica que vou,  depois vou só fazer exames de rotina mesmo e me cuidar, aos pouquinhos.

O que mais? Modificações corporais, sim. Esse foi um ano bastante produtivo nesse sentido. Consegui finalmente fechar o meu braço esquerdo com tatuagens, o que não foi nada fácil. Mas minha aquisição para o mês de junho referente a modificações corporais foram piercings nos mamilos, novamente. Sim, digo novamente por que tinha furado em 2003, tirei em 2007 e agora em 2009 coloquei novamente. Ainda tenho algumas idéias pra tatuagens, plantas, folhas, rabiscos e passarinhos. Também encomendei um desenho com um tatuador pra cobrir uma tatuagem das costas, mas acho que vai demorar pra caralho, ou pior, nem vai sair… Bom, não adianta tentar prever, tem que ter paciência e esperar o cara criar. Não é simples, nem fácil, muito menos de uma hora pra outra. E paciência é uma das minhas virtudes que mais gosto. Outra coisa que tem me feito perceber o tempo de forma divertida: minhas unhas. Não as como desde fevereiro e elas estão bonitinhas. Antes de ontem fui no salão e elas estão ficando cada vez mais quadradinhas e ajeitadas. É, não tem muito jeito não.. Virei mocinha mesmo.

Vícios. Parei de fumar cigarro comum e beber cerveja dia 15/4 desse ano, vai fazer uns 2 meses. Nunca mais tomo cerveja, não quero, não gosto. Percebi que estava me viciando em cigarro comum por conta de outras coisas que não tinham NADA a ver então larguei mão. No entanto, tenho curtido fumar narguile (que é MIL VEZES pior que cigarro comum) aos finais de semana e também ver filmes B muito ruins. Não tenho bebido muito álcool, só vinho, meio cálice antes de dormir. Fato: vinho me ajuda a pegar melhor no sono. Mesmo, mesmo, mesmo. Ainda falando em coisas que eu coloco no meu corpo: minha alimentação está péssima, péssima, péssima, péssima. Não tem como estar pior. Não tenho horários pra comer e quando como, ou é porcaria, ou é em muita quantidade e pouca qualidade. Também tenho bebido pouquíssima água e líquidos em geral. Tá tudo muito ruim nesse sentido. Vivo me sentindo com azia e odeio essa sensação de não-saciedade mesmo me sentido “cheia”. A falta de exercícios também tem me ferrado bastante. E é por pura falta de hábito mesmo. Pra criar um hábito eu preciso de um método e de um horário e organizar essas cosias tem sido bem difícil pra mim. Em julho pretendo mudar esse quadro, quando voltar do ENEBD.

Das coisas que mudam com esforço zero: meu cabelo tá bem, obrigada. Não o cortei e nem pretendo.

Vênus em Peixes

2009 Junho 3
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by Dora

Vênus em Peixes é a marca afetiva da vida de Isadora, que se revela uma pessoa muito amorosa e romântica, cheia de fantasias no quesito “amor e paixão”. É provavelmente alguém que já deve ter sofrido muito nas mãos de gente inescrupulosa, mas ainda assim acredita no amor ideal. Esta é sua força e sua fraqueza.

A vantagem desse relacionamento é poder viver todo o romance do mundo! A desvantagem é ficar em dúvida se Isadora ama você ou a idéia de um romance perfeito. Uma dica: é preciso pouco para agradar Vênus em Peixes. Dê-lhe carinho, e Isadora se derramará na sua direção.

Uma garantida carta de adeus seria demonstrar perversidade ou crueldade contra qualquer pessoa na frente de Isadora. Pratique a bondade e a gentileza!

Via Personare.