A má educação

2009 Outubro 25
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por Dora

Sexta feira agora fui pro norte da ilha. Sábado de madrugada (5 a.m.) meu pai viajaria de volta pra Campo Grande/MS e antes que ele fosse eu queria ir pra lá, fazer uma janta pra ele. Assim como vários outros estudantes de fora que moram em Florianópolis eu dependo do transporte público pra tudo. Mas ainda assim não reclamo muito, pois ter um carro pra mim seria um pesadelo. Não tenho saco pra cuidar de carro e nem de ficar cuidando de manutenção, lavar, etc… Não nasci pra isso. Enfim… Sexta-feira, 17h30 da tarde eu já estava no centro esperando a linha Executiva da Canasvieiras 1120 Canasvieiras Jurerê que é mais cara, mas vale muito a pena.

Quer dizer, vale muito a pena quando o executivo não chega LOTADO de gente e você não tem como ir, né?

A Canasvieiras Transportes bem que podia fazer uns executivos um pouquinho maiores né? Imagina quando for alta temporada então? Infernal.

Bem o negócio foi que eu fiquei das 17h às 19h30 esperando um ônibus destes que viesse com algum lugar vazio.  Passaram dois ônibus: lotados. Eu estava cansada, exausta e queria ir logo pra casa ver meu pai. Cheguei no ponto e estava vazio, só tinha eu lá. Depois chegaram + 2 senhoras e ficaram esperando a mesma linha comigo. Já pressenti que os lugares (se houvessem) teriam que ser disputados no tapa, quem pegar pegou, por que ninguém ali parecia muito a fim de respeitar qualquer tipo de fila, ou sei lá. Ok. Passou um tempinho e apareceu uma senhora com seus sei lá, 55~60 anos e uma mulher mais nova que parecia ser filha dela…

Uns 5 minutos depois apareceu o terceiro ônibus (sim, o terceiro ônibus que eu perderia), o motorista contou e  avisou que só tinha 3 lugares no ônibus. Ok, eu e mais as 2 senhoras – que estavamos esperando mais de hora ali – poderiamos entrar na boa… Mas não… A véia que tinha ACABADO DE CHEGAR simplesmente quis entrar na minha frente. Nessa hora eu nem pensei, mandei a educação pras cucuias, falei “com licença”, afastei a mulher da entrada do ônibus e ENTREI. Foda-se. Entrei no ônibus, suspirei e fiquei me sentindo CULPADA. Me sentindo a pessoa mais escrota da face da Terra.

Cheguei em casa e contei pro meu pai. Ele achou que eu fiz certo. No entanto, isso não é um comportamento comum meu. O meu “normal” seria esperar até às 20h e pegar o último busão… O mais OTÁRIA possível, sempre. Aí conversando com o fofo depois, falei “nessa linha não tem fila não… quem entrar, entrou”…. E ele me disse “Mas você estava esperando há mais tempo, era seu direito”… “Eu estava esperando há mais tempo, mas ela era uma senhora de idade”… “Quem mandou viver muito?”… Hahahahaha… :D

Ibrasotope: Ibr23, 13 de outubro de 2009, 21h

2009 Outubro 22
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por Dora

Fazia algum tempo que eu não ia a São Paulo. Se não me engano, desde maio de 2008, pra ser precisa. A noite tava agradável e pegamos um táxi (sim, sem GPS, tinham roubado) pra ir até o Ibrasotope [MySpace | Blog | Twitter], que fica na rua januário miraglia, 43. Não me lembro do nome do bairro. Até que não nos perdemos muito e eu já tinha visto a casa (por dentro) por fotos.. Em algum lugar, não lembro onde. Alguma rede  social da vida. Parecia um lugar legal. Tinha bichinhos de pelúcia então não tem como não ser legal. É uma casa muito engraçada (rerere), só que tem teto, cozinha e uma sala com carpete, almofadas e uma janela muito foda (é, eu adoro janelas). Mais tarde eu me perguntaria se os vizinhos ficavam chateados ou não com o barulho (aquela rua parecia ser bem residencial), mas claro, não perguntei isso pra ninguém. Deixa quieto.

Não conhecia ninguém ali, mas toda vez que vou nesses eventos é assim mesmo então eu já deveria estar acostumada. Ah, sim, foi nesse dia que eu conheci o Valério… E que não me servi de cachaça e sei lá mais o quê na cozinha do Ibrasotope. Mas a cachaça foi depois. Antes fomos em algum bar onde também não bebi (chata), mas brindei com cerveja e bebi um golinho só pra não ser muito chata. Há algum tempo tenho tido medo de beber depois que fiz a operação. Sem falar que pra mim não rola mais beber quando vou nessas apresentações. É bad trip na certa.. Era pra começar às 21h, mas acho que começou um pouquinho mais tarde que isso. Chamaram de repente, falaram que ia começar aí todo mundo foi pra sala da janela, onde já tinha um monte de coisa montada.

Devia ser umas 21h30 e chamaram pra não ir ficando muito tarde, sei lá. A sala não era muito grande, tinha uma mesona (com coisas que não lembro em cima), um piano no canto esquerdo, caixas de som nos 4 cantos da sala (o que foi legal) e bichinhos de pelúcia espalhados. Sentei numa almofada e tirei os sapatinhos. Acho que devia ter umas 20 e poucas pessoas por lá, se muito. Não contei. Foi o Iwao que começou apresentando e entregando um programinha também, onde também dizia o que ia rolar. Achei bacana. No programa estava assim na sequencia:

a. música eletroacústica

1. jean-pierre caron [MySpace | Twitter | Last.fm]: momentum (para giacinto scelsi II) [2009]

A primeira apresentação do -notyesus> (J.-P. Caron +  R. Sarpa) que eu vi foi em julho deste ano, no Rio, numa noite que acabou sendo bem ingrata pra mim. Não lembro por que não escrevi nada sobre o que (ou)vi (tenho mania de descrever/registrar as coisas) mas a verdade é que em julho eu não estava no clima pra registrar nada. Meu last.fm não mente (rá!) que há algumas semanas eu já vinha ouvindo a 8². De qualquer modo, sou muito suspeita pra dizer qualquer coisa. Dizer, comentar, criticar, you name it… Que sem graça. O que eu poderia dizer então? Que gostei? Que achei lindo? Oras, que graça. Acho que não resolve muito. Isso tudo não é muito justo isso, rs.

Acho que ele disse em algum momento que a música tinha sido ‘comprimida’ pra ficar daquele jeito. Gostei do início. Desligaram as luzes e as pessoas ouviram. O início é silencioso e então a música vai se fazendo. Falei depois pra ele que ela tinha um quê de propaganda no início, tinha um design (ou o que chamam de “textura”) interessante. “Propaganda?”. É, não rolou. Mas é, foi a primeira coisa que me veio em mente. Da metade pro final a música começou a ficar meio lacerante, acho que por causa da repetição. Nessa hora fiquei com medinho do guaxinim na janela e dos outros bichinhos de pelúcia, por um momento. Mas passou. Depois que acabou, palminhas e suspiros altos, pessoal sem ar. Eu também suspirava, mas por outros motivos,. Não sei se o som estava suficientemente alto. Talvez nunca esteja, rs.

MASP - São Paulo

2. rodolfo valente [MySpace]: jornal nosso de cada dia [2009]

Não me lembrava que a música tinha esse nome, mas essa música quando ouvi me fez cócegas na cabeça. A achei engraçada. Não pensei em nada relacionado a jornal, de nenhum modo. Pensava em desenhos animados que eu assistia quando era criança, Tom e Jerry e essas paradas que eu não lembro mais. Mas não ri, contive o riso. Foi uma música curtinha, mas no final ela ficou diferente, virou outra coisa. O legal é que dá pra ouvir ela de novo no MySpace do moço. :)

3. elio martusciello [MySpace | Wiki]: ibidem [1993-4]**

Acho que foi meio longa essa música, mas gostei do que ouvi. Acho que gostei por que tinha elementos que eu gosto de reconhecer: ruído branco, ruído de mal contato, um som de rádio às vezes e aquele de vitrola, quando o disco termina. Ruídos de coisas antigas. Aí vez e outra aparecia um vidro quebrando, outro barulho que também gosto. No início a música era lenta, parecia algo que se arrastava, um início difícil. Pela metade (acredito) algumas partes me lembravam uns ritmos mais industriais, era mais ritmado – mesmo que barulhento – com algumas partes encorpadas.. Mas o vidro continuava quebrando. Parecia que ele queria dizer alguma coisa com isso. Mas juro que nem vou tentar descobrir o que era. Deixa estar.

4. rodolfo valente: poslúdio [2009]

Gente… Não me lembro dessa música? Nem um pouquinho. Nada. Ai que feio, mas juro que não lembro. Isso por que nem bebi. E nem tem no MySpace do moço, pra eu “colar”, rs. Estou me esforçando, mas não consigo lembrar. A única coisa que tinha anotado no meu papel era que a música era algo que “lembrava uma fala”. Só.

Depois destas quatro apresentações teve um intervalo de uns 15 minutos, pra que depois acontecesse a performance da arte B. De novo, de acordo com o programa:

b. cyrko synema apresenta

da obra de safo de lesbos

CORPORNOS [2009]*

para bocas, trombone de vara,

teatro de sombras e tocófono

{eduzal, efe erre [MySpace], gli altri & rictones}

Depois que as pessoas saíram da sala, fizeram ‘um fumacê’ antes de começarem a performance. Ninguém fumou nada, mas apareceram lá com uma panela e umas ervas queimadas (que não consegui identificar quais eram). Não faço idéia do que era aquilo. Não era um cheiro bom nem ruim era só um cheiro. Depois chamaram a todos rapidamente por que “já tinha começado”. Entrei na sala e tava passando filme de safadeza no telão. Constrangedor, haha. Aí as imagens começaram a se repetir, meio que numa vibe caleidoscópica. Não sei se era o (meu) sono, mas eu não sabia no que prestar atenção direito. Não anotei nada. Não quis anotar nada. Não conseguia. Se anotasse, perderia o que estava no telão e queria prestar atenção. Só que daí, não sabia se prestava atenção na música ou no telão e prestar atenção nos dois ao mesmo tempo foi difícil. É, eu sou uma pessoa meio limitada mesmo.. haha..

Aí decidi-me por prestar atenção no telão e depois de um tempo começou a me dar uma dor de cabeça violenta, sendo que raramente tenho dores de cabeça. A parte de trás da minha cabeça doía muito. Acho que talvez era o meu cérebro de primata, que ficava buscando as cenas de sexo e aquelas cores, delays, caleidoscópios, uóréva, ficavam me atrapalhando. Tinha muitas cores, inclusive as adoráveis CMYK. O magenta meio que me deu náuseas. No fim, o vídeo mudou pra outras coisas, igualmente pornográficas mas não muito identificáveis. A essa altura eu já não aguentava mais olhar pro telão não, minha cabeça parecia que ia explodir. Comecei então a olhar pras pessoas e tava todo mundo tranquileza, tinha gente deitada.. E a maioria prestava atenção no vídeo mesmo. Menos eu, a chata. Pra não perder o costume, rolou um cafuné indígena e uns beijinhos na testa de quem estava no meu colo. E assim, tudo acabou bem.

“E aí Dora, o que você achou?”. Sempre fico sem graça com essa pergunta. E sempre respondo que “não sei”. Ou ainda, um “achei legal” que sempre sai meio amargo da minha boca por que não diz tudo o que eu quero, nem tudo o que sinto, ou senti. Nunca acho nada de primeira. Às vezes nem de segunda. Ok, às vezes nunca acho nada de nada mesmo. Mas nunca sei exatamente o que responder na hora. De cada momento eu achei uma coisa diferente, não dá pra colocar tudo num mesmo patamar e fazer uma média. Não faço isso. Falo pra lerem meu blog depois por que talvez eu escreva algo.. Algo, claro, totalmente descompromissado com qualquer coisa que seja. Até comigo mesma, dependendo do caso.

Antes de sair testei todas as cores de uma caixinha de giz num papel que estava por ali. Não quis desenhar nada, só fazer uns rabiscos aleatórios e o desenho foi se formando sozinho depois, um semi-quadradinho colorido. Não tenho muita criatividade com cores, nem formas, mas fiquei ali me entretendo. Enquanto desenhava comecei ouvir alguma coisa no piano, reconheci rapidamente e sorri. E aquela imagem ficou bonita na minha cabeça, fiz um quadro e guardei: eu ali brincando de testar cores e ouvindo um som amado. E eu não deveria escrever essas coisas, mas não tenho como não escrevê-las. O som do piano acabou repentinamente. O meu desenho também ficou inacabado, por que a gente teve que ir embora. A noite ainda estava fresca.

* indica estréia

** indica estréia brasileira

Algumas descobertas

2009 Outubro 6
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Estou cada vez mais me encontrando nas coisas que estudo. Estava meio perdida até então, mas tenho tido alguns questionamentos que tem me mostrado o caminho. Sim, os questionamentos tem me mostrado o caminho, e não as respostas. As respostas aparecem quando o caminho já foi percorrido. É sempre assim. Tenho me divertido percebendo a diferença do significado das palavras e de como elas trabalham no mundo. E isso tem tido um impacto bem grande em mim. Não é ruim,  nem bom… É só curioso mesmo.

Sempre me senti muito burra. Acho que sempre me sentirei. Não sou a pessoa mais brilhante que conheço, bem longe disso… E nem nunca foi minha intenção ser. Não é. Eu só quero fazer o que gosto. Só isso. E descobrir isso é difícil, doloroso… Mas tem sido curioso, tenho me identificado com algumas coisas em específico. Fico pensando nessas coisas… Por exemplo, todas as vezes que me deparo com um texto difícil de ser compreendido. Leio e releio o parágrafo várias vezes e fico me sentindo meio burra e meio louca. E a compreensão daquele parágrafo geralmente ocorre num outro horário do dia, enquanto estou fazendo alguma outra coisa que em nada tem a ver com aquilo que eu lia. E eu deveria soltar um ‘Eureka!’ mas não solto. Não sou genial, nem nunca serei. Sou apenas lerda.

Esse tipo de baixa auto-estima que eu tenho não é de hoje. E também não sou a única que conheço a ser assim. Sempre vão existir pessoas pra te chamar de burra ou pra esfregar na sua cara que sabem mais sobre determinado assunto que você. Sempre vai ter alguém pra te subestimar. A opção de se afetar (com isso e/ou por isso) ou não é inteiramente sua. Se alguém mais inteligente que eu me subestima, acho bobagem. Perda de tempo. Nego vai ganhar o quê discutindo com gente mais idiota que ele? Se alguém mais burro que eu me subestima, acho engraçado. Só acho engraçado… Pra caralho.

Já estou acostumada com essa situação e não me sinto mais diminuída com isso, com o que as pessoas pensam ou não. Nunca fiz o tipo “vítima” por mais que fosse. Na verdade, acho que se sentir diminuída com isso é coisa de gente recalcada. Não sou recalcada, sou, de certa forma, acomodada. Não me importo em não saber. Não me angustio. Se me angustio, busco saber e faço algo acerca disso. Pra mim, as coisas precisam estar em constante mudança pra que eu me sinta motivada, de uma certa forma… E quando tenho curiosidade, vontade mesmo de saber, eu busco… Busco mesmo. E mudo. Mas geralmente se essa busca se torna muito metódica, por muito tempo, ela me ENTEDIA. Profundamente. Então fico meio relaxada mesmo.. E não tenho problemas com isso.

Mas eu deveria ter. Como diria mamãe “fui criada” pra ter, como se eu fosse sei lá, uma máquina a ser programada pra agir de tal forma, um ser completamente sem personalidade e vida própria que fosse uma réplica perfeita dos valores da minha mãe. Depois eu é quem sou louca… Minha mãe sempre me preocupou. Em algumas conversas que tínhamos, todas as vezes que eu desconstruía as coisas que ela dizia, ela tinha reações de ódio e claro, me chamava de maluca. Sempre interpretava minhas respostas como “cinismo” ou “malcriação”, quando na verdade não eram nada disso… E isso acontece também em vários outros campos da minha vida. Não vou fazer comparações aqui por que acho desnecessário, mas eu sei o que quero dizer e isso basta.

Quanto a “querer saber” ou “querer entender melhor”, vou até o meu limite… Não fico extrapolando por motivo x, y ou z. Não discuto, não arrumo argumentos, não brigo, não perco meu tempo, não me descabelo, não me desgasto por nada nesse mundo nem nessa vida.  Sempre dou um real pra não precisar participar ou engajar uma discussão que nunca dá em nada, por que sim, até hoje, eu NUNCA vi uma discussão dar em coisa nenhuma, MUDAR realmente algo. Não me meto em discussões por que sei que nunca vou mudar nada, seja o que for.  E o meu objetivo aqui não é competir com ninguém: é encontrar o meu lugar. Seja ele qual for. Forçar barra não é comigo não.

Descobri minha natureza “mediadora” há pouco tempo. E aprendi que isso é algo que preciso EXPLORAR e não lutar contra. Por muito tempo minha mãe quis encutir na minha cabeça que certas características da minha personalidade eram ERRADAS quando na verdade, eram APENAS características mesmo. E pra isso nem sempre há certo e errado. As coisas apenas são. Tomar partido nunca foi meu forte. Tenho aversão a militâncias de qualquer tipo. Se considero algo importante, tento enxergar algumas possibilidades praquilo, mas a minha tendência é não ser radical. Não ser muito preto no branco, mas tentar enxergar os vários tons de cinza. Ou se for radical, o ser premeditadamente pelo menos, sabendo disso, conscientemente. É difícil explicar. Mas está bom por hoje.

Ofensa pessoal

2009 Setembro 20
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Esses dias eu estava pensando em como as pessoas se ofendem com facilidade. Logo depois parei pra pensar se eu me ofendo com facilidade. Não sei… Acho que não. Acho que sou bastante tolerante com as pessoas no geral…  Pra não dizer otariamente tolerante. Quando algo me desagrada/ofende em alguém, guardo pra mim e assim a vida continua. Eu só reclamo quando o lance é mais direto e direcionado mesmo… Mas isso é bem raro acontecer, então deixo.

Não sinto a necessidade de “me expressar” ou de “ser sincera” toda vez que algo me desagrada… De ir lá e questionar… Sei lá… Não faço isso. Acho que sair de cena é mais simples então é isso o que eu faço. Mas e as pessoas? Algumas pessoas se ofendem… E, ao meu ver, se ofendem a troco de nada. E eu, claro, ofendo um monte de gente sem querer. Acho uma merda, mas acontece e eu não vou ficar me desculpando por isso.

Escrevi esse post por que a @jujz comentou isso no twitter dela agora a pouco.. “Eu ofendo os outros sem querer”, ela disse. Pois é… Também disse “Ter que ficar medindo as palavras mais que o normal enche o saco”. No meu caso, ofendo mais com ações (ou não-ações) do que com palavras mesmo. O @felipeta/Felipeta também lembrou muito sabiamente que “Ofender-se é escolha do ofendido” e pior que muitas vezes é mesmo… Mas o meu caso é bem específico. E já aconteceu em vários lugares internet afora, desde que comecei a usar esse troço com frequência. É complicado pra mim, uma pessoa que eu considero anti-social, ter de fazer uso de redes sociais com o mínimo de dano possível…

Já aconteceram vários estranhamentos no orkut… Coisas do tipo “ei, por que você não é mais minha fã?” ou ainda “ei, por que você me excluiu do seu orkut?”. E cara, fico impressionada: as pessoas se ofendem. E de certo ficavam pensando “foi algo que eu fiz?”, “foi algo que eu falei?”… Mas enfim, era coisa minha. Broxava com algumas pessoas e com outras não… E assim ia. E sim, já percebi também várias vezes tb que pessoas que conheço (e que gosto) não eram mais meus fãs e que também tinham me excluído, sabe-se lá por que motivo… Mas eu optei por não me ofender.

As pessoas têm seus motivos e morro de preguiça de ficar tentando imaginar os porquês dos malditos motivos delas. Isso não é problema meu. Ninguém é obrigado a gostar de mim nem da minha personalidade (ou falta dela, eu diria), da mesma forma que eu não vou me obrigar a aturar gente que me desagrada só pra “conviver bem”. Ok, na vida profissional até pode ser, mas na minha vida pessoal eu não vou.

Com o Twitter, a coisa toda se intensificou de tal forma que não dá nem pra acreditar…

Uso o Twitter há algum tempo já (dia 24 de outubro agora vai fazer 2 anos). Penso que eu só vou entendendo como tal ferramenta serve pra mim de acordo com o tempo que vou usando ela. E ainda assim, nada é garantido. No início, o meu Twitter concentrava muita gente de Florianópolis, blogueiros, jornalistas, etc. Hoje, eu sigo muita gente que faz biblioteconomia ou está envolvida na área de uma certa forma. Alguns poucos amigos meus estão no Twitter, mas a grande maioria de pessoas que sigo, mesmo, são colegas (da minha faculdade, de outras faculdades, formados, mestrandos, etc)… E eu gosto de segui-los. Gosto de saber dos seus projetos, do que estão fazendo e até de doses homeopáticas sobre suas vidas pessoais.  É legal, divertido.

Mas também não gosto de muitas coisas nas pessoas. Não gosto de contação de vantagem (“sou muito inteligente, sou muito sábio, tenho gosto requintado, sou foda, conheço mil bandas, vi mil filmes/seriados, fiz mil viagens, etc”). As pessoas mais fodas, mais ricas e mais cultas que já conheci sempre foram humildes e nunca enchiam a boca pra falar de nada do que tinham/fizeram. Tinham egos comuns.. Eu me sentia confortável pra me aproximar de verdade (aproximação com significado), pra ouvir e aprender com elas. Existem pessoas que ficam forçando situações e tentando se impor (de certa forma) com suas personalidades… Parecem que gostam de ‘impôr respeito’ por que sabem de x coisa, ou gostam de y coisa… E eu não gosto disso. Empatia é fundamental. E ela precisa ser contínua.

Também não gosto de mimimis acerca de problemas que poderiam ser resolvidos mas não são por que sei lá, a pessoa é incompetente demais pra resolver qualquer coisa em relação a sua própria vida. Reclamam ao invés de simplesmente viverem e deixar viver… Reclamam ao invés de agir. Isso além de me deprimir não me acrescenta em nada. De deprimente eu me basto. Gente assim me broxa. Não róla.

E claro,  mais grave de tudo, também não gosto de ficar lendo conversa de lavadeira… Isso pra mim é um dos PIORES ruídos de TODOS no Twitter. SPAM é fichinha perto dessa merda. Sério. Sérião.

Faz algum tempo que eu tinha visto o termo “orkutização do Twitter” e não tinha entendido muito bem sobre o que se tratava… Hoje saquei que a orkutização (pelo menos interpretei assim) é você SE OBRIGAR a ter de ficar lendo essa lavaroupagem de conhecidos… Lavaroupagem essa que você não tem O MÍNIMO interesse de ler e nem saber…

Caralho, MSN existe pra que? Googletalk? Já ouviram falar? Instant Messengers…?

vtnc

Então. USEM.

Trocar 3 frases com amiguinhos no Twitter: Ok.

Trocar 2402384208572094299 frases com amiguinhos no Twitter: NOT ok.

Isso não é usar a ferramenta… Isso é SUButilizar o troço. Sei lá, é coisa de gente que quer se aparecer. E eu não curto muito isso não. Não quero cagar regra nem nada, mas puta que pariu cara… Fuckin’ bom senso, pelamortededeus.

Sim, eu sou idiota, escrota, impaciente. Sou mesmo, assino embaixo e assumo. Já deixei de seguir muita gente por causa de tudo o que foi citado acima. E continuarei deixando de seguir. São várias as coisas que me irritam, mas essas são as mais gritantes. Certamente existem outras mas eu ainda não consegui identificá-las.

No entanto, entendam: isso não é uma ofensa pessoal.

Eu deixar de te seguir no Twitter ou deixar de ser sua ‘amiga’ no orkut não significa que eu te deteste. Hahahaha.. Chega até a ser engraçado ter que escrever isso… Enfim..

Eu separo muito bem as pessoas das personalidades delas. Não é só por que você tem uma personalidade escrota que eu te odeio… Não odeio: só não me obrigo a conviver com você.  Tô no meu direito oras.. Como qualquer outra pessoa poderia fazer a mesmíssima coisa comigo (como já fizeram). Realmente… Isso é se ofender por coisa que não vale a pena. Se for pra jogar um joguinho idiota, vamos lá: a sua personalidade/o seu jeito de ser me ofende (em algum nível). Pronto. E isso inclui muita, muita, muita, muita, bastante gente que eu conheço. Não se sinta especial, você não é.

Para mulheres: me chamar de invejosa não vale tá? rs

Para homens: achar que eu estou apaixonada ou que quero dar pra você, também não vale tá?

Patético, ok?

Agora sim é uma ofensa pessoal. :)

Unstained

2009 Setembro 18
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por Dora

Lotus10

Sua simbologia é uma de suas virtudes mais apreciadas: é associada à pureza e ao renascimento. Uma das flores mais belas nasce em meio à lama, inspirando um caminho de purificação e de transcendência em relação a tudo que é considerado impuro no mundo. Na Wikipédia.

I love the lotus because while growing from mud, it is unstained.

(Zhou Dunyi)

From ancient times the lotus has been a divine symbol in Asian traditions representing sexual purity, a virtue. [...] In Buddhist symbolism, the lotus represents purity of the body, speech, and mind as if floating above the muddy waters of attachment and desire. [...] Via Wikipedia.

Laparoscopia, pedra na vesícula, retirada de vesícula

2009 Setembro 1
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por Dora

- Pedra na Vesícula (25/07/2009)

- Campo Grande, novamente (25/08/2009)

Ontem foi o dia que eu passei pelo processo de Laparoscopia, pra tirar a vesícula e as pedras que tinham nela. Fui pro hospital às 6 horas da manhã com o meu pai e toda a papelada, 2039480475348759348 exames entre exames de sangue, exame do anestesista, exame ultrassom, autorização da Unimed pra internação e o caramba. Enfim.. Depois da papelada toda fui pro meu quarto pra esperar o enfermeiro me levar pra sala de cirurgia. Em poucos minutos, entrou um enfermeiro e me mandou tomar um remédinho pequeno e azul e trocar de roupa, colocar a roupa do hospital. Também tive que tirar todos os meus piercings, o que foi chato pois fiquei com medo de perder os furos.. Mas enfim, tirei. Coloquei as roupas do hospital, tomei o remédio. Em poucos minutos o enfermeiro já estava lá de novo pra me levar. Deitei na maca e fui levada pro centro cirúrgico.

No caminho pro centro cirúrgico já fui sentindo uma sonolência leve, mas era por que eu realmente tinha dormido pouco na noite anterior (cerca de 4 horas, só).  Não me lembro direito o que aconteceu quando estive na sala de cirurgia, só lembro de que lá tinham muitas pessoas, enfermeiros e eles conversavam entre si e eu não consegui gravar nem entender nada do que eles diziam. Eu já estava meio grogue. A última coisa que eu me lembro de ter acontecido antes de eu apagar de vez, foi ter visto do Dr. Fernando Delmondes. Ele me deu “oi” e sorriu. Depois disso não vi mais nada… Apaguei mesmo.

[...]

Tive a impressão de ter cochilado por uns 5 minutos. Quando abri os olhos naquela sala, a claridade foi cortante. Meu primeiro pensamento foi “Mas puxa vida, quando vai começar essa cirurgia? Que saco”.

Puxei o ar pela primeira vez depois da cirurgia e aí sim “senti” a minha barriga e percebi os pontos.

“Putz, já foi…” e apaguei de novo.

Fui acordando aos poucos. Devo ter falado um monte de besteira pras enfermeiras. A gente fala muita idiotice depois que volta de uma anestesia geral. Lembro de ter perguntado perguntado pra alguma enfermeira se foi tudo bem e tal e ela respondeu que sim.. Aí eu disse algo tipo “é.. eu sou jovem, sou saudável e mimimi”. Acho que ela riu de mim.. Não lembro. Não lembro de nada. Se eu não lembro, eu não fiz.. rs

Eu acordava e apagava… Acordava e apagava… Perdi a conta de quantas vezes fiz isso. Aí teve uma hora que eu acordei mesmo por que já estava me dando muita vontade de fazer xixi. Olhei pro lado e vi que eu estava numa sala de recuperação de anestesia (isso tava escrito numa placa e tudo). Aí veio uma enfermeira e me disse que ja me levariam de volta pro meu quarto, em cerca de 10 minutos. Não sabia se meu xixi aguentaria por 10 minutos mas disse “ok”. Voltei pro quarto logo e pude ir no banheiro. Meu pai e minha mãe estavam me esperando.

Depois do almoço resolvi recolocar meus piercings que felizmente não fecharam.

Passei o dia todo cochilando e acordando. Acordava sempre que alguém entrava no quarto. Fiquei com soro o dia todo também. De tarde minha irmã ficou comigo até às 15h30. Passei o resto da tarde sozinha, depois meu pai só reapareceu às 18h. Não foi ruim, só dormi mesmo.. Não fiz nada demais. Lá pelas 18h30 recebi alta e fui embora pra casa.

Foi estranho dormir ontem. Deitei na minha cama e meus órgãos parece que se espalharam dentro de mim. É uma sensação de vazio literal. Tem uma parte ausente ali dentro de mim e parece que meus outros órgãos percebem isso e estão tentando se ajustar como podem. É engraçado perceber isso. É uma sensação de ausência estranha.. Mesmo que a vesícula só tenha de 7~10cm.. É complicado explicar.

No mais, está tudo bem. Não sinto dores, sinto incômodos, o que é diferente. Incômodo a gente sabe que passa logo. Dor a gente nunca sabe, por que parece que não termina nunca.  Dor eu sentia quando tinha as pedras e tinha as crises. O que eu sinto agora passará em questão de dias, é tudo uma questão de adaptação e cicatrização. A gente sempre fica nervosa/ansiosa com uma operação, mas quando é pra bem, pra ficar melhor, é melhor fazer de uma vez e não ficar adiando.

Me sinto bem melhor agora. :)

Doce de côco em tabletes “Dalva”

2009 Agosto 26
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por Dora

por Celso Martins, no jornal A Notícia

Fábrica mantém receita há 63 anos

Mistura de açúcar e coco é a fórmula dos populares tabletes Dalva

Florianópolis, década de 1920. O jovem Alberto Henrique Schütz começa a traballhar em uma fábrica de balas de coco de propriedade de Rodolfo Hickel, localizada na rua Almirante Lamego, defronte à atual Caixa Econômica Federal. Trabalhador aplicado e pontual, foi subindo na hierarquia da empresa até chegar ao cargo de mestre-de-produção industrial, onde permaneceu até 1943, quando a Segunda Guerra estava em andamento. “Meu pai não chegou a ser perseguido, mas algumas famílias de origem alemã da região da rua Almirante Lamego sofreram bastante e muitas pessoas chegaram a fugir para Palhoça e outros locais, onde se esconderam”, recorda Alberto Schütz Júnior (Nêne), filho do fundador da fábrica de balas e tabletes Dalva. “O produto era feito artesanalmente”, lembra Nêne, e o antigo empregador de seu pai não chegou a sofrer com o novo concorrente, “pois a população estava crescendo e muitos imigrantes chegavam devido à guerra”, recorda.

Em pouco tempo, o novo produto conquistou o mercado, atraindo crianças e adultos, situação que se manteve ao longo dos anos. A embalagem criada na época é a mesma que envolve os tabletes até hoje, nas cores amarelo e vermelho, com a seguinte inscrição: “Doce de coco em tabletes Dalva”. O sucesso do produto foi tão grande nas décadas seguintes, que surgiram pelo menos mais três fábricas de tabletes de coco, todas usando as mesmas cores nas embalagens. “Não adianta recorrer judicialmente, só se colocarem o mesmo nome Dalva”, justifica Augusto Schütz, neto do velho Alberto e filho de Nêne, a terceira geração da mesma família a cuidar do negócio. Outro problema enfrentado pela empresa é com empregados que tomam contato com a receita da bala e depois pedem demissão dispostos a abrir outra indústria do mesmo produto. “Corremos esse risco. Saber a receita qualquer funcionário sabe, mas ele vai precisar de capital para adquirir os equipamentos”, destaca Augusto.

A fábrica de balas Dalva permeneceu no mesmo endereço da rua Almirante Lamego, uma paralela da avenida Beira-mar Norte, até 2001, quando teve que se transferir de local. “O pessoal da vigilância sanitária começou a nos procurar, sob o argumento de que a cidade havia crescido e não caberia mais a presença de uma instalação industrial na região”, lembra o neto do velho Alberto Schütz. Além disso, as atividades no local começavam às 7 horas, quando os equipamentos eram ligados e a produção começava, com todos os barulhos que isso implica. Em represália, alguns moradores dos prédios vizinhos passaram a jogar objetos no telhado, incomodando os operários e danificando a cobertura. Foi quando a família se reuniu e resolveu instalar a unidade no número 349 da rua Arno Eleotério dos Santos, em Biguaçu. “Só estamos aguardando o sinal verde para nos instalarmos no futuro Distrito Industrial de Biguaçu, quando poderemos nos livrar do aluguel que pagamos por este espaço que ocupamos”, explica Augusto. Nas futuras instalações será possível adquirir novos equipamentos e ampliar um pouco mais as vendas dos tabletes Dalva – o principal produto – e das balas queimadas com amendoim torrado.

Produção artesanal se manteve até os anos 90

Até 1990, toda a produção era totalmente artesanal. O coco ralado era colocado em uma caldeira alimentada com lenha e mantido assim por cerca de uma hora e meia a uma temperatura de 180 graus. Depois a massa era espalhada manualmente sobre uma mesa, onde permanecia por entre 15 e 20 minutos para esfriar, ficando pronta para ser cortada em pedaços (tabletes). Mais tarde, elas eram embaladas uma a uma. A situação começou a mudar no final da década de 1990, quando Nêne, filho de Alberto Schütz, começou a pensar em mecanizar a produção, tendo ido a São Paulo adquirir um equipamento para embalar os tabletes. Outros maquinários foram sendo comprados com o passar dos anos, até a fábrica chegar ao estado em que se encontra atualmente.

“A primeira fase da elaboração das balas continua como antes. A diferença é que possuímos uma máquina para cilindrar ou prensar a massa, que já corta os tabletes no tamanho padrão de 3,5 centímetros de comprimento. O passo seguinte é a embalagem automática”, lembra o funcionário mais antigo da fábrica, Israel I. Florindo, 42 anos, desde 1981 na atividade. Atualmente, a fábrica consegue produzir cerca de 300 quilos diários de tabletes, podendo chegar a até 700 quilos com a mesma infra-estrutura. Para produzir mais serão precisos novos equipamentos, “sem que isso signifique a perda da qualidade”, assinala Augusto Schütz. Se isso vai ser feito ou não, só será possível saber depois que a unidade estiver instalada no Distrito Industrial de Biguaçu.

O pai de Augusto, Nêne, não acredita muito que a ampliação da produção garanta a manutenção da qualidade, mas deixa para o filho a tomada de qualquer decisão neste sentido. Tendo começado a atuar na fábrica com 19 anos de idade, em 1962, Nêne enfrentou diversas dificuldades para manter a produção, tendo também providenciado a troca da denominação do tablete. De “Bala de Coco Dalva” passou para “Doce de Coco em Tabletes Dalva”, mas “sem mudar em nada sua fórmula original de fabricação”, enfatiza.

Distribuição é restrita à Grande Florianópolis e Sul do Estado

O quilo do tablete Dalva é vendido atualmente por R$ 6,90. Se o produto for levado para ser vendido na capital paulista, por exemplo, o preço subiria para R$ 9,00, devido ao frete, e não conseguiria competir com similares fabricados na mesma cidade. “Por esse motivo as balas são distribuídas apenas na região de Florianópolis e em cidades do Sul do Estado, como Tubarão e Criciúma”, explica Augusto Schütz. Depois de prontos, os tabletes são colocados em embalagens de um quilo e de 1,8 quilo, seguindo então para cerca de 50 distribuidores que os deixam em aproximadamente 650 pontos de venda da Grande Florianópolis e nas cidades do Sul do Estado. A opção pela permanência no mesmo mercado tem outras razões, segundo o jovem empresário.

“Nossos tabletes são feitos de coco puro e têm o mesmo sabor desde que a fábrica foi criada pelo meu avô”, salienta. “Os concorrentes”, observa, “misturam essência de coco e farinha de trigo, o que altera o sabor. Como estamos com a mesma fórmula ou receita de quando a atividade se iniciou, confiamos na qualidade do produto e suas vantagens.” Além da entrega aos distribuidores, a fábrica realiza vendas diretas, recebendo pedidos através de cartas, e-mails e ligações telefônicas. “As pessoas pedem dois ou três quilos, mas não podemos enviar”, observa Augusto. Entretanto, dezenas de pessoas com parentes em outros Estados aparecem na fábrica de balas Dalva antes de viajar para adquirir os tabletes e levá-los de presente.

O fundador da unidade, Alberto Schütz Júnior, viveu tempo suficiente para ver todas essas transformações (maquinários) e permanências (fórmula), além de acompanhar os esforços do filho Nêne e agora do neto. Morreu em maio de 2004, com 92 anos de idade, tendo deixado uma herança para a família e uma deliciosa tradição para os consumidores privilegiados de Florianópolis, onde suas balas podem ser encontrados em diversos pontos.

Campo Grande, novamente

2009 Agosto 25
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por Dora

Quinta-feira agora estarei viajando pra Campo Grande, novamente. Não digo isso com ânimo, mas com um certo tédio/indiferença mesmo. Mas dessa vez o motivo que me leva pra lá são algumas pedras que tenho na vesícula. Vou tirar a vesícula dia 31 pela manhã. Vou passar alguns dias lá e vejo se faço algumas coisas importantes nesse meio tempo, como rever meus padrinhos, rever uma ou duas pessoas com quem (ainda) me identifico, ir na feira, ir no China In Box (velha história). Cada vez menos eu culpo a cidade pelas coisas que me aconteceram… E isso é bom, acho. Não sei. A essa altura da minha vida isso não me importa mais. Mesmo. Não moro mais lá e não pretendo voltar.

Mas ainda assim, não me animo muito em ir pra lá não. Na verdade, não me animo nada. A perspectiva de rever algumas pessoas não me agrada muito. Por isso digo que não sei se vou querer sair, nem ir pra festa/bar/whatever nenhum. Quero cada vez menos festa e cada vez menos agitação. Chega. Não estou mais com saco, nem com idade pra isso.  Estou com preguiça das pessoas, de quase todas elas. Só se for algo muito divertido, sei lá.. O que acho difícil. Não estou mais bebendo.. Aliás, nem vou poder beber de qualquer forma, pois vou estar operada mesmo…  Mas enfim, preguiça de tudo, das pessoas, da maioria dos lugares, etc.

Além da extração da vesícula, vou ver também se consigo nesse período o sobrenome do meu pai. Aproveito a estadia e já renovo todos os documentos que eu tiver em mãos, etc. Acho que vai ser uma semana muito prática, apesar de eu ter que ficar “meio que” de repouso por causa dos 3 furos na barriga. Enfim… Vamos ver o que eu consigo resolver.

Liberate

2009 Agosto 12
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por Dora

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Foda-se o róquenrou, as festas, as mulheres e as drogas! Vou prestar concurso público e me realizar como ser-humano!

[por @interaubis]

Não quero ter filhos

2009 Agosto 11
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Um dos maiores medos que tenho na vida, antes mesmo que o medo primordial de morrer, é o medo de engravidar. Tenho muito medo mesmo, um verdadeiro pânico só de pensar na situação. Se o medo de morrer é (bem) menor do que o medo de dar a vida a alguém, vocês podem então imaginar o meu medo. Felizmente existe a pílula anti-concepcional e isso faz de mim uma mulher muito feliz e realizada. Com menos medo, com certeza.

Decidi definitivamente por não ter filhos há pouco tempo atrás. Sim, o definitivamente é pra irritar mesmo.. Sei que nada é definitivo, mas… Pra mim, por hora, é. Hehe.. A vida é feita de escolhas e essa é uma das minhas. Tenho vários motivos pra não querer engravidar e irei numerá-los por aqui.

Acho que não possuo o que chamam de “instinto materno”. Não o possuo e não pretendo desenvolvê-lo.

Um dia já me disseram com todas essas palavras “acho que você seria uma boa mãe”. Na verdade eu não sei o que ele quis dizer com aquilo. Quis concordar e acho que por dentro concordei, mas por fora me censurei. E continuo me censurando. Sim, talvez eu fosse uma boa mãe. Talvez.

Mas realmente eu percebo que a minha vida não está rumando pra isso. Já tenho 25 anos, percebo que não vou casar  tão cedo e que também não vou ter espaço na minha vida pra filhos. E mesmo que eu tenha espaço: não quero, não tenho essa vontade. Acho triste por um lado, mas por outro acredito que não se pode ter tudo. E a minha escolha já está feita. E quem quer que apareça terá de se adaptar à ela, se quiser conviver comigo.

“Acho que você seria uma boa mãe”.  A frase martela pesadamente no fundo minha cabeça. Olha, sinceramente… Eu não tenho jeito nenhum com crianças. Nunca tive. Nunca soube lidar com elas e nem fiz e nem faço questão. Prefiro ignorá-las na maior parte das vezes. Eu não sei conversar com elas, não sei como tratá-las. Sou um verdadeiro fracasso nesse sentido. Não tenho paciência, nunca tive, nem com minha irmã menor, que sofreu muito nas minhas mãos.

Mas existem outros motivos sim… Motivos que tem a ver comigo.

Devo ter sido uma criança que não deu muitos problemas pra minha mãe, acho. Mas a partir dos meus 12 anos, fui uma  pré-adolescente/adolescente muito problemática e lembro muito bem o quanto a minha mãe sofreu por isso. Na minha concepção, e pelo que pude observar, ela mais sofreu do que teve alegrias comigo.

Minha mãe é uma pessoa muito, muito estranha. O objetivo de vida dela é conciliar uma carreira cheia de compromisssos, com uma vida familiar intensa. Duvido que alguma vez ela tenha falhado na primeira, mas quando ela sente que falha na segunda (mesmo que não tenha falhado), ela sofre imensamente. E claro, me culpava (direta e indiretamente) pelos sofrimentos dela. E eu, adolescente que não sabia das coisas, carreguei a culpa por todos os sofrimentos dela por muitos e muitos anos..

Hoje não faço mais isso. Os sofrimentos são dela, não meus. As culpas, idem. Hoje consigo identificar prontamente quando ela quer jogar algum sofrimento ou culpa pra mim.. Chega a ser infantil a forma como ela faz isso, mas na mesma hora eu faço com que ela note e reconheça esse erro de comportamento.  E hoje em dia ela se irrita, por que eu detecto as intenções dela de me usar como bode expiatório dos problemas que ela não consegue resolver consigo mesma. Enfim… Histórias dentro de histórias.

De qualquer forma, a possibilidade de eu ter uma filha como eu mesma, me irrita bastante só de imaginar.  Mesmo tendo me livrado de boa parte das culpas da minha mãe, ainda penso que dei “muito trabalho” pra ela por que vivenciei muitos dos seus sofrimentos, mas a bem da verdade é que eu fui uma adolescente como qualquer outra, com coisas boas e ruins. Não vou entrar no mérito de como foi a minha criação por que senão o post vai ficar mais longo do que já está e esse texto vai sair do foco mais do que já saiu.. Enfim.

Existe uma outra pergunta que me intriga bastante… Quem seria o pai da criança? O pai do meu filho/a?

Bem, atualmente estou solteira. E me vejo solteira por mais uns 5 anos, tranquilamente. A possibilidade de eu engravidar hoje é nula tanto por que estou tomando pílulas, quanto por não ter vida sexual ativa. Previsão de estabilidade emocional? ZERO. Previsão de estabilidade financeira? IDEM. Se não tenho previsão dessas duas coisas, se nada nessa vida me dá o mínimo de segurança, por que diabos eu colocaria a vida de uma pessoa que nem existe em risco por isso? Não sei… Isso não me parece justo. Nem certo. Por isso me cuido tanto pra que isso não aconteça, mesmo que “sem querer”.

E aliás, pra mim, não existe isso de “sem querer”, de “acidente”.

Existe camisinha, pílula anti-concepcional e pílula de emergência.

Não existem “acidentes”.

Existiam acidentes, há sei lá… 50 anos atrás. Hoje, não.

Vou soar muito escrota no próximo post, mas enfim…

“I don’t mean to sound bitter, cold, or cruel, but I am, so that’s how it comes out.”

Quem irá ficar com o corpo todo deformado, quem irá carregar, passar noites sem dormir e sofrer pra parir a criatura sou EU, então a culpa pelo “acidente” é toda minha. Homens são homens… Irresponsáveis por natureza, ainda mais relativo à essas coisas. Não acho que os homens devam ser responsabilizados pelo que simplesmente não lhes diz respeito… Ainda mais quando eles nem mesmo tem noção de como é isso (estar grávida).

A responsabilidade é toda da mulher. Isso de “mas nós fizemos isso juntos” é conversa pra boi dormir. Toma pílula,  sua imbecil irresponsável. A não ser que você realmente queira agir de má fé, o que eu acho uma cagada igualmente fenomenal.. Mas aí é outra história.

Soei machista? Pois bem… Fazer o quê, né?

Mas voltando à questão de não querer ter filhos, pra mim não é tanto uma questão de “ser egoísta” (pfff…), mas eu acredito que na época que eu realmente começar a curtir minha vida como ela deve ser curtida (lá pelos 35~40 anos) eu não quero ter impedimento nenhum pra nada: viagens, compras, mudança de cidade, mudança de apartamento, o que for. Quero poder fazer o que quiser sem ter ninguém dependendo de mim pra isso.

Sendo muito otimista (e talvez ingênua, como sempre), a minha previsão é de até os 35 ter “terminado meus estudos” (como se isso fosse possível algum dia na vida…) e depois que eu atingir uma certa estabilidade, viajar pra lugares diferentes que eu não conheça. Ou ainda, viajar para os mesmos lugares, só que várias vezes seguidas. Afinal, a probabilidade é de que eu continue solteira pro resto da vida e só trabalhe mesmo. Eu sei que esse é o meu destino. Já aceitei isso. Pois bem. Paciência.

Esses dias conversando com um amigo ele me disse que tem gente que pergunta pra ele:  “e quem vai cuidar de você quando você estiver velho?”. Resposta dele: “Essa não cola. Tenho primos e alguns já tem filhos. Seja um ‘tio’ legal e também tá valendo. Na pior das hipóteses, vou pra uma casa de repouso da vida. Bem mais barato do que criar filho”. Pois é. Penso que a minha irmã terá muitos filhos por mim.. Então prefiro me preservar bem pra poder estragar todos os filhos dela.

Voltando a falar da minha mãe, a cobrança por parte dela para que eu tenha filhos é outra coisa que me irrita muito.  Acho que se minha mãe quer tanto bebês assim, ela deveria adotar mais alguns e não ficar me importunando com isso.

Um dia eu peguei minha mãe na curva com essa história de “netos”. Ela veio cheia de graça pra mim, como sempre vem, com essa de  “E os meus netinhos? Mimimi… Queria tanto netinhos…” e eu comecei então uma discussão, falando que não quero ter filhos, que não é pra mim, não tenho o perfil, etc. E então ela começou a discutir comigo como se não houvesse amanhã e eu, bem… Eu fiquei quieta né? Fiz cara de Monalisa até ela encher o saco de ficar reclamando a toa…

Aí esperei ela se acalmar,  aquietar… PARAR de falar. Olhei pra ela com o meu olhar mais profundo e falei no tom mais sério que eu consegui fazer:

“Mãe: e se eu te dissesse que eu estou grávida, agora mesmo. Que eu estou esperando um filho, um neto, SEU neto, que vai nascer daqui uns 6 meses… Você iria gostar?”

Aí ela me olhou… olhou… pensou.. e respondeu: “Não”.

Aí eu falei “Ok, mãe. Obrigada”.

Mas é ÓBVIO que ela se borrou quando eu falei que podia estar grávida. Ficou pálida com a possibilidade de ser avó e com a possibilidade de o que eu tinha acabado de dizer ser verdade. Foi engraçado. Mas não, não era verdade… Eu nunca engravidei e nem pretendo. Não sou imbecil nem louca de jogar o que me resta de vida fora. Mas a pressão pra parir no meu caso é muito maior por eu ser mulher. Acho isso ridículo, mas já fiz minha decisão. E a minha decisão consiste em alguns fatos irrevogáveis que vou ter que carregar, pro resto da vida:

Eu serei a única mulher da minha família que irá “ficar pra titia”.

Meu pai não vai me levar em altar nenhum e eu não irei engravidar.

Minha existência enquanto mulher será seriamente e socialmente comprometida, pela minha decisão.

Eu serei MENOS mulher dentre todas as mulheres.

Não cumprirei meu propósito biológico para com a existência.

Serei pra sempre uma solteirona e daqui alguns anos serei vista como uma leprosa pra sociedade.

Pois bem… Essas coisas acontecem.

Boa parte das pessoas acredita que as mulheres que não têm filhos são necessariamente amargas. Não diria amargas, mas sim, talvez elas não sejam lá muito amáveis.

E como eu já não sou amável de qualquer forma, não seria um filho que me faria ser.

A verdade é essa.

Homens e pêlos, homens peludos, sexo frágil, enfim…

2009 Agosto 10
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por Dora

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-  Dora, posso te perguntar algo? Constrangedor.

Dora: Claro que pode.

- E tipo, eu vou perguntar, e nunca mais tocamos no assunto. Pode ser?

Dora: Poxa.. Nunca mais é meio pesado. Mas, enfim.. ok.

- Certo. Pergunto pois nunca reclamaram, mas agora fiquei complexado, fui pesquisar, vi que é comum hoje em dia e eu devo ser bem atrasado. Um cara do trabalho estava falando em aparar a virilha. Adequado? Como faz? Sabes disso? Achei que poderias saber, já que tu é mulher, por mais que err… Tu seja mulher. Enfím, entendeu.

Dora: Olha cara, é super aconselhavel.. Te digo viu?

- Pois é, estou pesquisando e já me convenci.

Dora: Claro que você não vai raspar como uma mulher, a não ser que você queira.  Mas pelo menos os caras com quem conversei, eles morrem de medo de qualquer objeto cortante ou perfurante que chegue muito próximo da virilha… rs

- Mas então, aparar. O quanto tu acha “interessante”?

Dora: Ah, isso só vc vai saber. Corta curtinho oras. Isso é meio difícil de mesurar..

- Pois é. Não sei o quanto é curtinho. E tenho medo de fazer besteira. Falei com um amigo e ele disse que encosta na pele e corta, daí fica bem curto.

Dora: Bem, é uma técnica, a do seu amigo. Particularmente, enquanto mulher detesto pelos de qualquer natureza. Tipo, eu tiro tudo.. Então pra mim não existe o ‘curtinho’.

- É que pelo que li, gurias falando, a maior parte gosta de um pouco. Que o.. Bem… Fique visível, você sabe. Mas elas não dizem o quanto. Complicado isso.

Dora: Ah.. Depende. Na hora eu não costumo notar muito isso não. Mesmo por que, acho homem pelado uma coisa muito feia.. hahaha.. É difícil explicar meu sentimento, na verdade… Acho feio e bonito ao mesmo tempo, mas enfim… Não fico reparando.

- Heh. Bah, só fiquei mais confuso.

Dora: Não sei, minha opinião é muito diferente das gurias no geral, mesmo por que eu sou muito esquisita. Mas enfim, corte. Tente uma vez. Se não gostar, deixe crescer.. E vai tentando de novo.. Até vc se sentir confortável..

- E tá, aparar a região, é só a região né? Tenho medo até qual ponto se deve cortar, heh.

Dora: Uma coisa é importante: se vc não se sentir confortável, não faça. E cara, só corte a parte de cima.. Não tente cortar na parte de baixo pois pode ser uma tragédia. Assim, eu acho interessante.. Mas tb acho que o cara tem que ter muuuita coragem pra depilar o saco.. Muita mesmo.

- Heh. Dá pra cortar o excesso.

Dora: Heh, sim.. Mas todo cuidado será pouco. Não sei qto a maioria das meninas, mas enfim.. é tão simples.. acho mais higiênico ficar sem pêlos. Bem melhor.. Mas confesso que cera é uma tortura medieval.. Usei algumas vezes mas pra nunca mais. Me dou bem com gilete e pinça.

- Então, depilar é foda… Mas gastas um bom tempo nisso né? Mas não volta a crescer rápido?

Dora: Ah, volta.. Mas aí paciência né?

- Ahn, isso é outro medo, começar a cortar não vai começar a crescer mais? Mais demais eu digo.

Dora: Não moço.. Começa a crescer normal.. Não existe isso de crescer mais.

- Ahn, ótimo. Vou testar hoje então, heh. Antes do banho.

Dora: Boa sorte.. vc vai estranhar no início, mas depois se acostuma.

- Eu pensei também em máquina de barbear, deixa um 3 ou 4, poderia ficar legal. Mas como não tenho máquina, só o pai… Não rola. Mas enfim.. Fiquei cabreiro agora com este lance de aparar, nunca tinha pensado nisso, daí hoje fui bombardeado com a novidade. E pensei que pode ser interessante, mudar, ainda mais que tenho possibilidades sexuais próximas. E também por isso estou cabreiro de fazer merda e ficar ridículo…

Dora: Ai, desculpa mas tô rindo muito aqui.. Por que tipo, parece que tu fez a descoberta do século tá ligado? E sei lá, eu me depilo desde sempre.. Então pra mim fica engraçado ler essas coisas.. Enfim.. Não vai ficar ridículo moço.. Tu só vai te sentir estranho, mas é normal..

- Poxa, mas pior que pra mim foi a descoberta do século! Eu nunca tinha nem pensado nisso cara. E achava que tosar as partes fosse algo extremamente metrosexual..

Dora: Ela não vai reparar. Eu prometo pra ti isso. E não é metrossexual. Seria se vc se preocupasse além da conta. Mas não é o caso. É uma questão de higiene, acho… E de preocupação com a parceira.. Apesar de que, a maioria das garotas não nota.. Só nota se vcs estão trepando há séculos e ela conhece cada centímetro do seu corpo. Which is not the case.

- Ótimo. Ultima pergunta. Pois sim, estou adoidado em fóruns. E vi uns tantos comentando….

Dora: Sim?

- Embaixo do suvaco não precisa né? Tipo, não sou mega peludo, não é um tufo nem nada…

Dora: Menino, por favor.. NÃO FAÇA ISSOOONÃO!!!

- UFA!!!

Dora: NÃO!!!!

- OBRIGADO!!! \o/

Dora: NEM PENSAR!

- Era isso que eu queria ouvir…

Dora: PARE JÁ! NÃO!!!! DE NOVO, pra gravar bem: NÃO FAÇA ISSO!!!!!!

- Anotado.

Dora: Garoto, te digo: VI-A-DA-GEM. PURA. Não faça! Não faça… Se vc fizer isso perderá boa parte de sua masculinidade.

-  Mas uns caras tavam falando com tanta convicção… E como eu já descobri algo hoje, vai que este fosse outro algo…

Dora: Não cara.. Não acredite neles. Eles estão errados. Eu estou certa. Mané raspar axila… Isso não se faz!

- Ainda bem que não sou peludo.. Ia odiar ter peito cabeludão. Não gosto de pelos também, por constagem. Por isso gostei de descobrir que aparar ali em baixo é legal..

Dora: Mesmo que fosse peludo! Isso não se faz com homem nenhum!!! Aliás, com homem (hetero) nenhum! Aparar a virilha tudo bem, mas quanto a raspar qualquer outra parte… Não. Só se vc for nadador ou ciclista profissional.. Por que eles precisam mesmo.. Não é por vaidade. Outra coisa que eu não deixei claro: eu não gosto de pêlos em MIM… Mas em homens.. Ah, é homem né? Homem tem que ter pelo mesmo.. Acho um nojo aqueles corpos de gogo boys, lisinhos..

- Certo, vamos repassar as notas: 1. cortar tesoura rente a pele (espero que fique visível que há algo ali mesmo); 2. parte de cima, excesso de baixo se achar que precisa. E só. Aqueles poucos pelos em baixo do umbigo é tranquilo né?

Dora: Não, não.. deixa como está. Não mexa.

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- Ótimo. Valeu pelos conselhos. Serei um homem mais… menos… menos peludo? John Lennon que não depilava…

Dora: Ah.. Olha.. Você será um homem que facilitará o serviço pra moça.

- Sério, mesmo na imagem grande parece que ele não tem pau cara. Tá escondido na mata. Então, ele era meu exemplo de homem pelado normal. Fora isso só filmes pornôs, que eu achava que fossem a excessão…

Dora: Olha, o Lennon nessa foto é um homem pelado normal natural.. que nunca se depilou nem nada..

- Eu só pensava “Poxa, pelo menos o meu é visível, o John deve ter bem pequeno pra sumir ali no meio”..

Dora: Nas poucas pornografias que eu vi, a maioria dos caras tira tudo.. O que eu acho bizarro, mas enfim, facilita pra eles… Mas o do Lennon não aparece justamente por causa da quantidade de pelos… por incrível que pareça. Deve ter alguma coisa ali embaixo.. Mas enfim.. Aparar é saudável.

- Beleza então, vou lá.. Depois te falo como foi.

[Alguns minutos depois...]

- Nossa, muito bom o resultado! Até aumentar de tamanho “aumenta”, hahahaha…

Dora: HAHAHAHAHA! Viu só pq o do Lennon não aparecia?

- O meu que já aparecia, agora tá Ó! Heh.. Tá, pinica um pouco, mas deve acostumar né?

Dora: Sim, com o tempo acostuma..

- Bom. Sério, gostei bastante do resultado. Ficou aparecendo que tem algo ali. Sei lá, bem melhor.

Dora: Hahahaha.. Garoto animado!! Agora é só acostumar..

Auto-análise

2009 Agosto 7
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por Dora

Ontem eu fiz algo fantástico antes de dormir. Tomei dois cálices de vinho, deitei nos meus lençóis gelados. Virei pra um lado, pra outro e não consegui dormir.

Então eu comecei a falar, em voz alta, das coisas que me angustiavam. E elas, obviamente, tinham a ver com pessoas que eu gosto. Falei tudo. Falei tudo o que tinha pra dizer. PRAS PAREDES. Pra mim mesma.

Me entediei em pouco tempo. Minhas paredes não.

Continuei falando. Falei até a exaustão, como se estivesse numa sessão infinita de psicoterapia.

ESVAZIEI os assuntos, as pessoas, as conexões, as situações. ESVAZIEI ao ponto da exaustão.

Quando fiquei exausta, dormi.

E foi o melhor sono que tive em muito tempo.

Preciso fazer isso mais vezes.

Sobre passatempos

2009 Agosto 6
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por Dora

Depois de ter uma longa conversa comigo mesma sobre motivações versus hábitos, eu decidi que neste mês de agosto eu tirarei 1 hora do meu dia pra fazer caminhada, diariamente. Enquanto caminhava hoje a noite, lá pelas 23h30, passei do lado do Pida (um barzinho que é praticamente uma extensão da UFSC) e vi que estava lotado de gente, que todo mundo estava bebendo e que a igrejinha tinha virado o mijódromo oficial dos calouros. Me senti velha. Senti que não faço mais parte dessas coisas.

Não tenho nada contra festas, nem contra álcool, nem contra cigarro. Por mim as pessoas fazem o que querem com suas vidas. Mas a verdade é que as vezes me sinto inadequada por não estar wasting my youth, por não ter mais a quem provar o quão durona eu sou, o quão divertida eu sou e o quanto eu consigo beber sem começar a fazer (muita) baixaria, etc. Claro que posso sair a noite que quiser, beber o quanto quiser e enfim, me socializar, mas isso não tem mais me apetecido tanto quanto antigamente.

Sei lá, vai ver é que eu não tenho mais 18~20 anos mesmo. Sem falar que eu ando com uma preguiça mortal das pessoas. Uma preguiça crônica. Das pessoas em geral, de qualquer pessoa.

Não deveria me sentir culpada por não me estragar, mas sinto. Não sei. É uma sensação ridícula e estranha. A sensação de que “um dia estarei velha e vou perceber que não aproveitei o bastante”. Talvez. Mas acredito que eu deveria pensar menos nisso, assim como eu deveria pensar menos em várias outras coisas. Mas não consigo,.. Não consigo desligar.

Hoje a gente vive numa época em que se socializar (pelo menos na minha área de estudo) é uma das coisas mais importantes que existem. E eu me socializo, claro. Mas isso não quer dizer que eu seja uma pessoa sociável. Eu não gosto de todo mundo. Outro fator agravante é que eu não tenho muito o que compartilhar com as pessoas, ou seja, eu não sou uma pessoa interessante (ou ao menos não me considero).

Na verdade não que eu não tenha muito o que compartilhar com as pessoas… Mas o que eu compartilho não interessa à (quase) ninguém.

A maioria das pessoas que conheço e com quem me relaciono são cultas, ou seja, tem algum tipo de cultura, gostam de alguma coisa, tem alguma paixão, ou ainda várias. Pessoalmente, não me considero culta.

Acho que estou mais pra anti-cult.

Gosto das coisas que gosto, não me forço a me comportar de modo pré-determinado apenas pra conseguir me entrosar mais facilmente em qualquer circuito ou grupo que gosta exatamente das mesmas coisas. Ou de coisas parecidas, que seja.

Assim, claro… É bom quando as pessoas se identificam.

Mas é MELHOR quando isso ocorre ESPONTANEAMENTE.

Os relacionamentos hoje em dia estão cada vez mais forçados e eu acho isso um nojo. Eu não faço isso. Fazer isso, me relacionar dessa forma, quase que artificialmente, seria falta de honestidade comigo mesma (e por que não dizer, com o outro também). Essa não é a minha praia. Acho que a minha praia, na verdade, não existe em lugar nenhum. Vou ser uma eterna outsider, onde quer que eu vá, o que quer que eu faça. Nunca me sentirei verdadeiramente ACEITA em lugar algum. Enfim…

Desde a época do ensino médio e da faculdade de jornalismo que os professores recomendam “assistam filmes”. Acho que essa era uma forma deles de tentar, aos poucos, aguçar o senso crítico dos alunos de forma divertida. Eles queriam fazer de todos os alunos cinéfilos e consequentemente, críticos de cinema. Assim, eles seriam igualmente críticos com outras coisas também (na cabeça dos professores, claro).

Mas acho que ver filmes não deixa todo mundo com um melhor senso crítico… Algumas pessoas exercem o senso crítico com filmes, outras apenas se entretém e FIM.

Aceitem isso. As pessoas são assim.

Embora eu me entretenha, eu não vejo muitos filmes. Na verdade eu vejo filmes por osmose, quando alguém me chama pra assistir ou quando eu vejo “acidentalmente”. Na verdade mesmo, eu DURMO no meio da maioria dos filmes que assisto. Mas aí já é outra história. Enfim… Eu não vejo (nem vi) os tais dos filmes clássicos que “todo mundo já viu”. Mal aí, eu não faço parte do “todo mundo” então me inclua fora dessa.

Não me esforço pra ver filmes, não vou atrás, não decoro nomes de atores, diretores, cenas. Não vejo seriados e também não gosto muito de televisão. Nada contra a linguagem áudio-visual: eu só não tenho paciência com ela. Infelizmente sou bastante alienada quanto à tevê e qualquer pessoa que quiser conversar comigo sobre isso irá se frustrar bastante.

Apesar de ler mais do que a média das pessoas (acredito) não leio tanto quanto deveria. Não leio por osmose (assim como é com os filmes, etc), mesmo por que, não me considero uma analfabeta funcional: eu entendo as coisas que leio. Mas a verdade é que eu realmente gostaria de ter ‘o caminho das pedras’ pra algumas leituras, o que é bem difícil, por mais que conheçamos gente que nos indique, etc. Não é tão simples assim…

Tenho alguns livros aqui em casa que ainda preciso finalizar. Leio alguns artigos científicos, mas são todos voltados pra pesquisa. Leio monografias e dissertações por curiosidade. Mas já faz algum tempo que não me dedico a literatura mesmo, ler algo que gosto “por ler”, tipo Umberto Eco, que gosto tanto.

Eu gosto de acreditar que consumo muita música, mas a verdade é que eu sempre ouço as mesmas coisas, repetidamente. No entanto, música é uma das coisas que eu mais aprecio, que gosto de verdade. Eu não faço outras coisas enquanto estou ouvindo música, eu me dedico à ela. Ouço, percebo, ouço de novo, com mais atenção, busco por letras, busco por significado, tudo. Minha memória não é das melhores pra lembrar nomes, discos e datas, mas eu me lembro bem de faixas e melodias. Me considero mente aberta pra música, mas ainda assim tenho algumas preferências.

Perco muito, muito, muito tempo na Internet e no computador. Boa parte do meu dia, eu diria. Não tanto pra me informar, mas mais pra me comunicar mesmo. Perco meu tempo com coisas muito úteis e muito inúteis. Com coisas que nunca sei se me darão retorno ou não, mas enfim.. Acredito que ainda tenho uma visão muito limitada do que a Internet pode me oferecer, mas até então faço bom proveito do que usufruo.

Por tudo o que eu contei por aqui até agora qualquer pessoa que conviva com um pouco mais de quantidade de informação e entretenimento, irá me achar uma pessoa profundamente degenerada e triste por não ter acesso a tudo (ou quase tudo). Mas não sou, não. Não ter esse acesso não é falta de oportunidade: é uma escolha. Não sei por que sou assim, só sei que sou.

Não preciso ver vários filmes, seriados e saber de muitas coisas pra compartilhar com os outros e me sentir bem com isso. Da mesma forma que também não preciso sair a noite, beber e me esforçar pra chamar atenção de todo mundo com a minha eloqüência e com o meu bom humor, pra ser considerada ‘simpática’ por quem quer que seja…

Não quero compartilhar “coisas” com os outros, com qualquer um.

Quero compartilhar momentos e experiências, apenas com as pessoas que me são caras.

Sim, talvez eu esteja errada por me comportar assim. Sim, talvez eu tenha problemas de socialização e sei lá… Não tenha recebido muito amor na minha infância ou qualquer coisa que o valha. Mas acho que hoje em dia eu consigo me sentir bem de outras formas, com outras prioridades, outros objetivos.

Assim como algumas pessoas mais velhas que conheci, me considero satisfeita com a minha base de conhecidos/amigos e com o que eles podem me oferecer. Não acho que eu precise conhecer muito mais gente. Se eu precisar, será por algum motivo específico, profissional, etc.

E se eu conhecer alguém, espero então que seja espontaneamente.. Por acaso. E que aconteça alguma identificação que não seja superficial, nem temporal… Uma identificação que vá além de filmes, músicas, seriados, livros, etc..

Quantas exigências, né?

E eu quero algo que eu nem mesmo sei se existe.

Não é a toa que eu sou a pessoa mais solitária que eu conheço.

:]